Saúde em Crise

A crise na saúde – Hemodiálise

A Saúde pede socorro !

A crise na saúde é geral. Não é de hoje. E não é somente do SUS (saúde dita pública). É da saúde como um todo. Alguns relatos da chamada saúde “privada” seja com relação aos custos ou aos atendimentos, são assustadores. Estamos numa situação grave. As críticas ao SUS tem suas motivações mas o que vemos no noticiário e grande mídia são problemas localizados. Problemas estruturais e até mesmo as soluções satisfatórias não são tratadas com a devida qualidade.

Problema renal

Quanto mais se evolui no tratamento de portadores de problemas renais, aumenta-se o número de sobreviventes. Numa situação crítica, quanto melhor a expectativa de esperar um transplante para não necessitar de tratamento, exige mais clínicas e mais horas de disponibilidade. O tratamento mínimo de um doente renal seria, em média de 12 horas semanais. Uma diminuição neste parâmetro, precariza o tratamento.

Tratamento Dialítico

Numa estatística do ano passado, estimava-se que o número de pacientes em tratamento dialítico tenha mais do que dobrado, desde 2000. Seria apropriado supor que os pontos de diálise tivessem dobrado, ou a disponibilidade de horário nas máquinas, mais do que dobrasse. Os profissionais da nefrologia tem limites, as máquinas tem limites, a saúde

Crise

Clínicas fechando, Ministério da Saúde anunciando que não pode reajustar o valor, máquinas de diálise sendo depreciadas mais rapidamente pelo uso acima da capacidade normal, transplantes estabilizados, concentração de profissionais e equipamentos em grandes centros. Quem ainda pode pagar um plano de saúde particular, que tenha cobertura para este tratamento, ainda tem esperanças, os que dependem do SUS, estão numa situação crítica.

Aí vemos que uma gangue de médicos, que operava no estado de Minas Gerais, condenados por usarem meios fraudulentos para beneficiarem alguns receptores em detrimento de uma fila de espera, são libertados, como se a condenação à morte que eles impuseram a quem necessitava de um rim e não tinha dinheiro para pagar, não tivesse a mínima importância.

  Saída

Não existe saída sem a admissão de responsabilidade do Ministério da Saúde. Que o Governo Federal libere a importação de máquinas com a condição de clínicas particulares atenderem o SUS pelo preço da consulta que o SUS se propõe a pagar. O que não pode é todos pacientes ficarem disputando máquinas e as empresas que sempre ganharam dinheiro com a saúde da população, seja pública ou privada, diminuindo o atendimento de uma população de pacientes com um crescimento desta magnitude.

 

P.S. Este blog sempre dará espaço para demandas da saúde. Defendemos o SUS enquanto oferta de saúde universal para o brasileiro. E não defendemos o mercantilismo da saúde privada.

2 comments for “A crise na saúde – Hemodiálise

  1. Maria Celeste Gonçalves Campos
    25/02/2016 at 14:10

    Evandro, há que se lembrar que na grande maioria dos casos o desenvolvimento da Insuficiência Renal poderia ser evitado, pois esta é resultado de uma hipertensão arterial ou Dibetes mal controlados. Infelizmente os portadores dessas condições tem dificuldade para conseguir atendimento na atenção básica. E não são necessários muitos recursos para isso. Os gastos envolvidos no tratamento de um paciente com IRC (isso vai do transporte a alimentação do acompanhante) bancariam umá UBS.

  2. 26/02/2016 at 04:00

    Dra. Celeste, o assunto saúde, ainda mais quando falamos de prevenção, é complexo. Desde quando trabalhei com epidemiologistas percebi que a prevenção poderia ser usada como base para economia e bem estar geral. Um dia ainda vou entender porque muitos médicos preferem atuar curativamente do que preventivamente.

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