Ad Hominem

Falácias e Sofismas – A Série

Outra série deste blog será sobre as falácias e a forma que elas estão tomando conta dos blogs e redes sociais. Virou rotina blogs e portais de notícias propagarem opiniões ou versões de fatos como se fatos fossem, meias verdades que não passam de falácias. E pior, muita gente nem sabe identificar as falácias e as pegadinhas.

O termo falácia deriva do verbo latino fallere, que significa enganar. As falácias que são cometidas involuntariamente designam-se por paralogismos e as que são produzidas de forma a confundir alguém numa discussão designam-se por sofismas.

Falácia, no geral, é um argumento, logicamente inconsistente, sem fundamentação, que falha na capacidade de demonstrar o fato ou sustentar uma opinião seja num discurso oral ou escrito. Não passa de uma mentira ou meia verdade, usada para convencer a “massa” de leitores, telespectadores, seguidores, compartilhadores e curtidores. No geral, engana-se pessoas alienadas com o uso de falácias que podem ser convincentes mas não deixam de ser falsos por causa disso.

A falácia é de difícil reconhecimento, especialmente por pessoas que não gostam de ler ou prender a atenção em textos e argumentos mais elaborados. A “pressa” dos usuários de tecnologia, nos últimos tempos, tem privilegiado os falaciadores de plantão.

Vamos às falácias. Uma a uma. Uma série esclarecedora, para quem suportar ler o texto sem muros preconceituosos.

Argumentum ad hominem

Existe uma certa sequência racional para apresentação das falácias. Vou desobedecer esta “lógica” e começar pela falácia da qual sou vítima frequentemente, praticada principalmente pelos debatedores que encontro em redes sociais de curta compreensão.
A falácia da vez é denominada por “Argumentum ad hominem“, “Envenenar o Poço”, “Ataque à Pessoa” ou coisa que o valha.

Consiste na tentativa, muitas das vezes bem sucedida, em atacar, em desmoralizar a pessoa que temos argumentos em discussão. Atacando a pessoa e não seus argumentos, fica fácil angariar simpatizantes contra a causa. O falacioso trabalha a proposta de que, ao se atacar a pessoa, pode-se enfraquecer ou anular sua argumentação.

Exemplos:

“- Não deem ouvidos ao que ele diz: ele é um beberrão, bate na mulher e tem amantes.

“- Não acreditem no fulano pois ele declarou que não gosta do beltrano e defende sicrano.

“- Daqui a pouco você vai dizer que o fulano, que foi condenado, é inocente.

A única forma de contra-argumentar quando tal falácia é praticada num debate é tentar manter os argumentos debatidos, sem diversionismo e mostrar que o caráter da pessoa atacada não tem relação com a proposição defendida por ela. Chamar alguém de corrupto, comunista, ateu, radical etc. não prova que suas idéias estejam erradas, especialmente a ideia central do debate.

Obs.: Uma variação de “argumentum ad homimem” é o “tu quoque” (tu também): Consiste em atribuir o fato a quem faz a acusação. Por exemplo: se alguém lhe acusa de alguma coisa, diga-lhe “tu também”! Isso, evidentemente, não prova nada.