Oração aos Moços - Rui Barbosa

Oração aos moços do Século XXI – Parte 1

Oração aos moços

Oração aos Moços é um discurso escrito por Rui Barbosa para paraninfar os formandos da turma de 1920 da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo. Impedido de comparecer, pois apresentava problemas de saúde, o texto foi lido pelo professor Reinaldo Porchat. (Fonte: Wikipedia)

O discurso é considerado pela elite pensante da História lusófona como uma das, senão a, mais brilhante reflexão sobre o papel do magistrado e a missão do advogado.

No discurso, a “Águia de Haia” descreve sua vida de advogado, jornalista e político, como exemplo para as novas gerações que se formariam.

Dessa forma, as gerações de jovens incluídos digitalmente, deveriam entender e ver a atualidade da “Oração aos Moços”, quase cem anos depois e muito atual.

A Fundação Rui Barbosa mantêm viva a memória de um dos maiores brasileiros da nossa História.

Bona est lex

Rui Barbosa, em seu discurso intitulado Oração aos Moços, tem várias passagens que,  transpostas para os dias de hoje, quase um século depois, serviriam perfeitamente para esclarecer muita gente perdida no meio de tanta (des)informação.

Oração aos Moços (Página 35)

Ora, dizia S. Paulo que boa é a lei, onde se executa legitimamente. 
“Bona est lex, si quis ea legitime utatur.”* Quereria dizer: Boa é 
a lei, quando executada com retidão. 
Isto é: boa será, em havendo no executor a virtude, que no legislador 
não havia. 
Porque só a moderação, a inteireza e a equidade, no aplicar das más 
leis, as poderiam, em certa medida, escoimar da impureza, dureza e 
maldade, que encerrarem. 
Ou, mais lisa e claramente, se bem o entendo, pretenderia significar 
o apóstolo das gentes que mais vale a lei má, quando inexecutada, ou 
mal executada (para o bem), que a boa lei, sofismada e não observada 
(contra ele).

Aliás, como diziam os mais antigos, para quem sabe ler, um pingo é letra.

Entretanto, abstrair de um longo e profundo discurso de Rui Barbosa nuances do que acontece hoje em dia, vai muito além das frases céleres e famosas.

Em resumo, a lei é boa, se o executor for bom. No Brasil, não rola e os nossos moços do Direito, nem com muita oração, possuem a retidão necessária para ajudar aos executores, muito antes pelo contrário.

Papel da Justiça

Enquanto isto, entra em ação, o judiciário, aquele que é o destino dos sonhos dos destinatários da Oração aos  Moços. Pelo menos deveriam ser os ouvintes privilegiados mas, modernamente falando, #SQN.

Oração aos Moços (Página 35)

Que extraordinário, que imensurável, que, por assim dizer, estupendo e 
sobre−humano, logo, não será, em tais condições, o papel da justiça! 
Maior que o da própria legislação. Porque, se dignos são os juízes, 
como parte suprema, que constituem, no executar das leis – em sendo 
justas, lhes manterão eles a sua justiça, e, injustas, lhes poderão 
moderar, se não, até, no seu tanto, corrigir a injustiça.
De nada aproveitam leis, bem se sabe, não existindo quem as ampare 
contra os abusos; e o amparo sobre todos essencial é o de uma justiça 
tão alta no seu poder, quanto na sua missão.

Vivemos, em pleno Século XXI, o papel oposto da Justiça, em relação ao imaginário de Rui Barbosa. Se ele disse, realmente, que tinha vergonha dele mesmo, fico imaginando o que diria se estivesse vivo e vendo o que o Poder Judiciário tem feito no Brasil.

Injustiça Qualificada

A justiça tarda, e tem falhado mais do que o normal, mas falha somente para quem não pode pagar por ela. O problema do país é, principalmente, de preconceito social. Os movimentos abolicionistas não libertaram nem os escravos, mas conseguiram acirrar o abismo social.

 

Oração aos Moços (Página 39)

Mas justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada 
e manifesta. 
Porque a dilação ilegal nas mãos do julgador contraria o direito 
escrito das partes, e, assim, as lesa no patrimônio, 
honra e liberdade.

Tem dinheiro, tem justiça, não tem dinheiro, sofre com a justiça e lesa o patrimônio, a honra e a liberdade.

Carnaval e Oração aos moços

Os lesa-pátria fizeram seu carnaval. Elevaram à condição de ídolo até policial federal com suspeita de ser criminoso. Certamente, será candidato a alguma coisa nas próximas eleições. Eleitores usando máscaras idiotas e ídolos fabricados por fake news, magistrados comprometidos e perfis falso.

Montesquieu deve ter se inspirado em São Paulo (o do livro sagrado) para escrever sobre o que pensava de democracia (ainda vou escrever sobre Montesquieu).

Em suma, locupletemos todos !

 

Reprodução: Nota de Dez Cruzados

 

Nota do Autor

Reitero, dentre outras, o pedido feito em muitos textos deste blog e presente na página de “Advertências“.

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Agradeço a compreensão de todos e compreendo os que acham que escrevo coisas difíceis de entender, é parte do “jogo”.

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