Igrejinha Pichada

Egoístas sentindo-se altruístas

Reconheço que não sou bom para algumas coisas (aqui a modéstia me impede de dizer que são muitas ao invés de algumas), falar de algumas coisas pode parecer contraditório mas não é. É complicado e me remete a concepções difíceis de debater nos dias de hoje.

Sabemos que o mundo está de cabeça pra baixo. Senão vejamos:

  • Pai se vangloriando de filho com menos de sete anos desejar a morte de duas pessoas;
  • Revoltadinho real pichando patrimônio histórico de uma nação;
  • Médica recusando atendimento por conta da opção política da mãe da criança;
  • Senhora agredindo um bispo católico por conta do que disseram dele na mídia.

Tá bom, eu sei que tem mais, mas estes quatro exemplos são suficientes para a mensagem que estou pensando nesta data e mais do que necessários para o espaço disponível.

Pai orgulhoso

No caso do pai orgulhoso do filho pedir a morte de alguém é a total falência do sistema educacional em que uma professora permite que o aluno desenvolva a ideia e que os pais saiam exibindo o resultado da “arte”. Publiquei posts sobre o assunto e repito. Vi muito adulto a IDEIA expressando cartaz da criança mas, quando viram as críticas, se esconderam. Não se manifestam. Um rapaz, na UNB em Brasília,  rejeitado matou a amiga e a família e professores se acharam surpresos. É mesmo? Deixem de hipocrisia!

Egoísta criminoso

O pichador deve ter algum desvio que o faz pensar que ser contra o que está acontecendo em Mariana (também já escrevi sobre o assunto num post) é pichar patrimônio coletivo para chamar atenção para o problema. Um semi retardado. Mas aí uma professora da UFMG resolve traçar uma linha de pensamento que PARECE defender o pichador, e é interpretada como se tivesse defendendo o ato de vandalismo. Conheço muito cidadão, aparentemente de bem, que fala em qualquer rodinha de boteco que seria um benefício para a humanidade derrubarem tudo que diga respeito a igrejas do Brasil colonial. Falta coragem para algumas pessoas, sobra coragem em outras.

Espírito de corpo

Sobre a médica, como diz respeito a exercício da profissão, meu desejo era somente ver o Conselho profissional a qual a dita cuja pertence, se posicionar. Entretanto, alguns destes conselhos profissionais não passam de meros defensores dos interesses corporativos. Já vejo alguns profissionais, que devem ser mais éticos que os outros, avaliando a possibilidade de entregar suas “carteirinhas” e “ir pescar”. Não dá nem para imaginar que uma pessoas que estudou medicina e fez juramento sobre o exercício da profissão, imagine que esteja sendo portadora da vontade de outros iguais a ela. Alguém está errado.

Intolerância

Aí vejo uma senhora se atracar com um bispo, numa das celebrações da igreja católica, revoltada com o que disseram do bispo na mídia. O bispo tem suas posições políticas e, muitas das vezes, as pessoas com poder instituído naquilo que fazem, manifestam sua opinião. Pra mim é claro a separação. Direito do bispo. Mas a questão do olho por olho e da revolta ser direcionada às pessoas e indivíduos, revela grave erro comportamental.

Vai piorar

O problema é que a globalização fez perde senso de egoísmo e altruísmo. Vejo em diversos segmentos e áreas do conhecimento que participo, o EU e o “farinha pouca meu pirão primeiro” se sobrepondo a qualquer objetivo ou meta COLETIVA.

E fica pior, muito pior. Desde o exemplo de manifestações de “não é pelos R$0,20” que seria uma coisa coletiva e louvaríamos a participação de quem não tem interação com os “R$0,20” mas briga pela causa, até exemplos em que vemos o “é pela democracia”, mas desde que não mexa com direitos “adquiridos” individualmente.

O egoísmo é curioso. O cara conquistou seus bens e status num determinado período, é meritocracia e blá blá blá. Acontece algum revés, é culpa de alguém. Pensar que se conquista alguma coisa sozinho é uma forma de egoísmo da pior espécie. Atingir as metas coletivamente é gratificante. Desconhecer que não se é auto-suficiente em nenhuma atividade que exige relacionamento com outros é decepcionante. A coisa tá tão esquisita que o cara sai apontando os erros dos outros, as suspeitas de corrupção e quando joga aquela peladinha inocente aos domingos, sem time de fora, leva gol de propósito só para voltar para a linha. Quem nunca?

Infelizmente, a globalização planetária está tornando travestindo egoísmos exacerbados em atos altruístas.

A mim, não enganam !!!

P.S. Se o Pichador queria fama, tai. A obra de arte dele e a foto dele como indiciado e suspeito do atentado. Que ele tenha muitos amigos (Foro privilegiado não deve ter). E que pague pelo que fez. Ele não me representa na causa em defesa das vítimas de Mariana e do Meio Ambiente.

Foto: Arquivo EM

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