Ad Populum

Falácias e Sofismas (4)

Os falsos debates de redes sociais e a precariedade de fundamentação em espaços virtuais, aliado à ignorância que reina na maioria das pessoas que adotam o mundo digital como plataforma de conhecimento e palanque para exposição de “conhecimentos”, permite que as falácias (não podem nem ser qualificadas como sofismas) virem coisas comuns.

E tem gente fazendo dinheiro com blogs e outros canais falaciosos. Já existe até blogueiro e videologger sendo processado por empresas e outras pessoas. Não existe forma de melhorar se não doer no bolso do falaciosos, seja ele intencional ou não.

Na lógica e na retórica falada ou escrita, deveria haver um mínimo respeito. Uma falácia é um argumento logicamente inconsistente, cuja fundamentação inexiste, é inválida ou não consegue provar nada. A maioria destes “argumentos” parecem convincentes para grande parte do público ouvinte, telespectador ou leitor. Mesmo assim, a maioria destes “argumentos” são tão verdadeiros quanto uma nota de R$3.

Argumentum ad populum

Também conhecida como “Apelo à multidão” é uma falácia que se apoia na ideia de que se uma proposição ou discurso ou conclusão é da concordância ou apoiada por muitas pessoas (ou pela maioria de um grupo) ela se torna uma verdade. Também chamado de “Apelo à quantidade” o argumento é inválido pois nada garante que algo seja verdadeiro ou correto apenas pela sua popularidade ou quantidade de apoiadores.

Estrutura Lógica

A estrutura desta falácia é muito simples.

Imagina-se uma “Proposição A”. Se muitas pessoas acreditam que a “Proposição A” é verdadeira, logo, a “Proposição A” é verdadeira. Igualmente, o contrário se aplica. Se uma maioria acredita que a “Proposição A” é falsa, logo, a “Proposição A” é falsa.

Mídias digitais

Em tempos de redes sociais de efeito devastador, pior que rastilho de pólvora, qualquer falácia, falsa ou verdadeira, vira verdade em cinco minutos e gasta-se uma eternidade para desmentir uma mentira, sem sucesso, quando seria mais interessante construir algo verdadeiro em bases consistentes e honestas.

Exemplos

Se o nome de uma pessoa é citado numa lista de algum delator, e publicado numa revista semanal, num jornal de circulação nacional ou num telejornal, não significa, a priori, que esta pessoa seja culpada ou inocente, significa que foi citada por um delator que busca recompensa (delação premiada) pelo crime que ele cometeu.

Se alguém diz que “A cantora de funk teve milhões de visualizações no Youtube da sua música nova, logo sua música é objetivamente boa” não significa que a música seja boa, que a artista seja competente. Significa somente que ela tem profissionais de mídia digital com qualidades e que se apropriam do momento e da ignorância da maioria (aqui temos que admitir, até para não incorrer numa falácia, a artista terá muitos fãs, à sua imagem e semelhança, conscientes e adoradores do trabalho da cantora de funk).

Escapando da Armadilha

Lutar contra o ad populum é a coisa mais difícil, especialmente em redes sociais. A mentalidade das massas ignaras é estar sempre ao lado de quem é mais popular. A maioria das pessoas quem ser como os que estão por cima, os que estão ao lado do poder. Por isso minorias tem dificuldade até em expor o que é minoria e o que faz as pessoas pensarem. A luta é inglória e os aproveitadores só aumentam.

Esta falácia vem embutida, normalmente, na falácia “Apelo À Autoridade” e pode vir associada a outras falácias. Tem sido Muito comum em pequenas frases de 140 caracteres encontrarmos mais de três ou quatro da falácias. Toda atenção ainda é pouca.

Imagem: Reprodução Internet

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