Tranquilo e Favorável - Eleições Municipais

Eleições Municipais e a bomba relógio

Eleições Municipais na Pauta

Não sou candidato a nada e tenho dúvidas se serei algum dia. Mas em tempos de eleições municipais, seria bom a população ficar atenta àquilo que dizem os candidatos sobre a educação municipal. Mesmo aqueles municípios que se gabam de terem estrutura invejável e novinha, cuidado com a conta das empreiteiras.

Conjuntura

Infelizmente a crise está provocando efeitos indesejáveis, ou proporcionando a gente inescrupulosa partir para cima dos indefesos. A educação, seja ela básica, fundamental, superior e de jovens e adultos (EJA) nem bem aprumou ou deu rumos firmes para a população, e já vai sofrer com a irresponsabilidade de alguns mandatários.

Poucos sabem mas a educação básica, teoricamente nosso maior problema, deve ser suprida, essencialmente, pelos municípios. Estes recebem repasses, principalmente do Governo Federal, para ajudar a manter as crianças em idade de ensino básico, nas salas de aula. Em certa medida, o bolsa-família, sobejamente criticado por muitos déspotas e pela oligarquia da educação (ver República da Panakia – Oligarquia), mantem uma parcela destes alunos estudando.

As eleições municipais recrudescem a pressão das oligarquias municipais e nacionais sobre a educação de maneira criminosa.

Todos os níveis

De acordo com o Censo Escolar de 2015, matrículas em todas as etapas de ensino diminuíram, o que é relevante e grave. Se pode ser reflexo da diminuição do crescimento populacional na última década, por outro lado sinaliza uma preocupação pois o contingente de mais de 3 milhões de jovens entre 4 e 17 anos fora da escola é alarmante.

As prefeituras estão reduzindo recursos básicos pois as receitas gerais estão diminuindo e os gestores municipais precisam cobrir rombos em outras áreas. Sobra para a escola fundamental e as eleições municipais chegam entupidas de defensores da educação, no Legislativo e Executivo.

Embora os cenários da educação infantil e do ensino médio sejam muito diferentes, faz necessário o aumento de alunos matriculados em ambos. Surgem, surpreendentemente, casos de escolas com quantidade de alunos insuficiente para funcionar em turno integral ou três turnos.

Se no ensino médio a falta de atratividade para buscar uma atividade técnica profissional é um problema, mesmo com a variedade de oferta de cursos, o problema da gravidez precoce faz com que percentual elevado de mulheres estudantes abandonem os estudos nessa fase. Por outro lado, no ensino infantil faltam salas de aula para incluir todas as crianças, em outros níveis sobram cadeiras vazias.

Entretanto, o MEC promete uma busca para localizar jovens entre 13 e 17 anos e colocá-los na sala de aula. Tarefa ingrata e os municípios vão querer adicional para disponibilizar transporte e cadeiras para estes alunos.

Além da educação regular, a queda de matrículas na Educação para Jovens e Adultos (EJA) preocupa os especialistas. No total, 3,4 milhões de adultos frequentavam a escola em 2015, número 4,5% menor que em 2014. A queda já vinha ocorrendo desde 2007, segundo os dados divulgados pelo MEC.

Tragédias e eleições municipais

Por exemplo, a Prefeitura de Porteirinha (MG), a 594 km de BH, demitiu 350 funcionários, a maioria do setor educacional, fechou 37 das 54 escolas municipais e reduziu em 15% os salários de todos os servidores comissionados.

O prefeito de Porteirinha ganhou fama nacional, venceu as eleições de 2012 ovacionado por ter derrotado o candidato favorito, um agricultor milionário que tentava a reeleição, e a cidade amarga mais da metade (54%) do orçamento via transferências da União, sendo 35% só de FPM.

Em outras palavras, diversas bombas estão armadas para prefeitos em todo o país, às vésperas de eleições municipais sob grave comoção e crise nacional.

Os dados do Censo da Educação Básica 2015 foram divulgados pelo MEC nessa segunda-feira (28).

O relógio tá correndo e, portanto, quase 40% dos professores da rede pública que atuam nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio não têm formação considerada adequada para uma ou mais disciplinas em que lecionam.

Você, preclaro leitor, acha isto grave? Então se prepare para as cenas dos próximos capítulos eleitorais.

E, como se não bastasse, não abordei, de propósito, a questão dos professores, nobres colegas de difícil missão e sem reconhecimento nenhum. Municípios pobres, mandatários ricos e com salários ultrajantes de professores maltratados, sem contrato e sem garantias, com piso salarial nacional desrespeitado, com vereadores aprovando contas com problemas diante da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Bomba relógio

As prefeituras estão todas deixando suas bombas armadas, uma vez que as eleições municipais podem não ter os resultados que muitos mandatários planejam.

De nada adianta o prefeito que ficou quatro ou oito anos ser condenado e ficar inelegível e a população levar mais uma ou duas gerações para recuperar a educação do município.

Dessa forma e neste quadro de horror educacional, professores das cidades, e não somente professores das escolas públicas, deveriam se unir. Deveriam fazer valer a responsabilidade de educar que possuem e se continuarem, na maioria dos casos, se omitindo, continuarão os problemas. Passou da hora dos professores começarem a pensar na responsabilidade objetiva de colocarem certos políticos no poder.

Enfim, não tem nada tranquilo e nem favorável, pra ninguém, se é que me entendem !

P. S. Os pais de alunos, além de se preocuparem com a situação do país, poderiam pensar um pouco mais no coletivo, na educação de seus filhos e das outras crianças na mesma idade. Desarmar esta bomba relógio é responsabilidade de todos.

 

Foto: Rafael Gusmão

 

Nota do Autor

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