Metáfora e Analogia

Manipulação de Massas (5) – A Série

A Manipulação

Existem muitas maneiras de se manipular as massas. Este post é mais do que apropriado para esta data. É sério !

A mistura de uma ou duas falácias, com o uso apropriado de figuras de linguagem, aparentemente inofensivas, permite que um manipulador, até mesmo sem o dom da oratória, mas usando destas artimanhas da linguagem escrita, manipule até quem tem fundamentação para refutar a manipulação ou falácia, mas como o discurso é compatível com os desejos do leitor/ouvinte, temos o ambiente propício à enganação de massas.

O momento político nacional está repleto destas iniciativas. Cheio de oradores especialistas em falácias. Neste sentido, esta série, Manipulação de Massas, emparelha-se com a série “Falácias e Sofismas”. Neste post mostraremos como uma falácia “Falsa Analogia” ajuda a manipular massas.

Falsa Analogia

Tomando emprestado a definição no Wikipedia, que reflete a definição geral aceita filosoficamente e sociologicamente, temos que:

Numa analogia mostra-se, primeiro, que dois objetos, A e B, são semelhantes em algumas das suas propriedades, R, S, T. Conclui-se, depois, que como A tem a propriedade P, então B também deve ter a propriedade P. A analogia falha quando os dois objetos, A e B, diferem de tal modo que isso possa afetar o fato de ambos terem a propriedade P. Diz-se, neste caso, que a analogia esqueceu diferenças relevantes.

Metáfora e Analogia

As figuras de linguagem textuais e verbais são inúmeras, a maioria de difícil percepção. Textos que se pretendem teorizantes, ou científicos, evitam figuras de linguagem. Textos e oratória que se prestam ao convencimento honesto, devem ser isentos de adjetivos, substantivos adjetivados e figuras de linguagem em que a interpretação é do receptor. A não ser que o objetivo seja a manipulação.

A comprovação de que uma metáfora ou analogia é imprópria deve ser feita na linha de identificar os dois temas, objetos ou eventos que são alvo da comparação e as propriedades em que se diz que ambos possuem similitude. Ao mostrar que os dois alvos da comparação diferem de tal modo que a analogia se torna insuficiente ou falsa, configurando uma falácia.

Pracontal (UNESP, 2004) é contundente ao indicar que metáforas e analogias são apropriadas ao processo pedagógico quando o objetivo é familiarizar pessoas não íntimas de determinado assunto com a temática. Entretanto, adverte que a metáfora pode ser usada para deturpar ou causar confusão em relação ao tema. E a analogia usada para explicar uma teoria científica (economia, matemática etc) em uma área que ela não se aplica, causa uma confusão intencional, ou a falácia da falsa analogia.

Vacina

Muito difícil conseguir uma vacina que imunize as massas, deste tipo de manipulação. Aliás, as massas estão ávidas por discursos fáceis e que reflitam “aquilo que eu estava pensando e não conseguia verbalizar“.

Uma falsa analogia, se bem aplicada, se bem desenhada, trata os leitores e ouvintes como crianças que irão repetir aquilo, até virar verdade, como diria Goebbels (especialista em manipulação de massas).

O melhor remédio para este tipo de manipulação é a leitura da posição antagônica. Quem tiver menos adjetivos, analogias, metáforas, substantivos adjetivados, Interjeições e outras figuras de linguagem enganadoras, merece mais crédito.

P. S. Todo cuidado com a falácia do “Apelo à Autoridade”. Nem sempre quem é “autoridade” num assunto, especialmente advogados, é imune a escorregar em falsas analogias. Prefira os “cartesianos”.

Tirinha: Benett

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