Falácia do Espantalho

Falácias e Sofismas (5)

Normalmente, pessoas que não são sérias, de pouca credibilidade ou que fazem uma coisa e dizem outra, ou seja, são incoerentes, tendem a ser mais falaciosas do que outras.

Na realidade, constroem uma mentira de maneira falaciosa, instintivamente, pois não possuem cabedal para elaborar construções inteligíveis e frases em sequência, ou se apropriam de frases de outras pessoas e acabam transformando pequenos trechos em verdadeiras falácias, que pegam o leitor comum, desprevenido, e uma falácia ou meia verdade acaba virando “verdade absoluta”, especialmente em tempos de redes sociais em que os sociopatas encontram terreno livre do debate e do contraditório.

Tudo em um

O fato de que pessoas escrevem menos, colocando nas entrelinhas algumas lacunas, provoca que, muitas vezes, em poucas palavras, pode-se detectar várias ou muitas falácias. Uma falácia muito comum nas redes sociais é conhecida como Espantalho ou Homem de Palha.

Espantalho

Assim como na figura do espantalho real, colocado num milharal para espantar as aves, quando mais feio for construído, mais fácil será fazer com que corvos e outras aves se espantem e acreditem que aquilo é real. Cria-se ideias reprováveis, resume-se numa frase uma mentira ou fraqueza de argumento, atribui-se a autoria a quem se deseja opor e temos um campo fértil para aves incautas.

Prova

A política nacional no momento, em que o impedimento da presidente e a operação lava-jato está na pauta de dez entre dez portais da Internet, um exemplo pode ser abstraído.

Interlocutor mal intencionado, atribui aos seus opositores determinada cobrança ao juiz Moro, que seria ilegítima. O autor da falácia não se preocupa em demonstrar se a cobrança é somente aquela. Alia-se a esta condição, outras falácias como a já descrita aqui no blog que tenta desqualificar o interlocutor (Argumentun ad hominem), formando assim uma falácia que ataca as pessoas, não prova nada e cria um espantalho que parecerá feio, perigoso, não acessível.

Piso escorregadio

Ao se converter uma opinião alheia num espantalho, numa figura fácil de odiar e na qual todos querem bater, visto que sua maldade foi “comprovada” o campo está preparado. Assim, se faz uma pessoa odiar outra ou alguma coisa, associando a outra pessoa ou coisa que todos odeiam. Leva-se a pessoa a odiar o outro por associação. Em álgebra seria uma operação de transitoriedade. A demonização do oponente, especialmente quando não está presente ou tem espaço para se defender, fica fácil. O receptor da mensagem, se não for altamente preparado, será envolvido facilmente nestes falácias que abundam as redes sociais.

 

Foto: UOL

 

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