Empreendedores Despreparados

Empreendedores despreparados – A Epidemia

Empreendedores Despreparados

Em primeiro lugar, a situação para empreendedores de qualquer porte não está fácil. Entretanto, muitas das dificuldades (a maioria) dos pequenos empreendedores vem de duas vertentes: empresários inescrupulosos / sonegadores ou empreendedores despreparados. Certamente, existem variáveis e ramificações para as duas categorias.

Pode parecer pretensão, mas não é.

Aqui, mais do que nunca, cabe uma análise usando o método de “Causa x Efeito“, que 99% dos empreendedores faz questão de desprezar. É possível que 99% seja um absurdo. Todavia, faz parte da lógica de Mark Twain: “Existem as mentiras, as mentiras deslavadas e as estatísticas“.

Sobretudo se considerarmos a origem no grego clássico (epi =sobre + demos = povo) temos, no Brasil, uma epidemia de empreendedores despreparados. São mal orientados, arrogantes, presunçosos e que sofrerão com os desgovernos. Escolhem ou ajudam a escolher e desrespeitam o que poderia ser uma democracia da maioria. Precipuamente,  pensam somente em seus “negocinhos” e no próprio umbigo.

Via Sacra

A Via Sacra do empreendedor (nome “modernizado” para o empresário) começa quando abandona a vida de trabalhador de carteira assinada.

A princípio, os problemas começam na hierarquia das empresas. O trabalhador adquire uma especialização ou experiência e na maioria dos casos, não era preparado para ser gerente. Em muitos casos é alçado à condição de supervisão. Assim sendo, perdia-se, na maioria dos casos, um bom profissional e ganhava-se um gerente medíocre.

Empreendedores Despreparados

Além disso, alguns destes ótimos profissionais, atingem seu limite profissional dentro de uma empresa e cismam em montar “seu próprio negócio”. Adicionalmente, uma possível rede de relacionamentos com clientes (que são da empresa que ele trabalha), suscitaria a ilusão de clientes do empreendimento próprio.

Pobre coitado despreparado !

São duas situações para que estes “insatisfeitos” abandonem a categoria de trabalhador e se candidatem à posição de empreendedores despreparados. Pensam que estão qualificados para “andar com as próprias pernas” ou são demitidos. No segundo caso, o índice de desespero e falta de preparo é elevadíssimo. Além da falta de qualificação básica, para um possível novo ramo de atividade, a cultura do empreendedorismo é, solenemente, negligenciada.

Portanto, a Via Sacra destes profissionais, a maioria desqualificada torna-se mais sofrida, cheia de pedras e com falta de dinheiro (muitas vezes nem dinheiro sobrando resolve).

A ilusão

Ser empreendedor, sem patrão, não ter compromissos que são exigidos com trabalhadores parece ser a maior isca para o fracasso. A ilusão toma conta de corpos e mentes uma vez que estas pessoas são despreparadas; mal treinadas, prepotentes, arrogantes, reacionárias, limitadas.

Faltou adjetivo? Sirva-se !

Empreendedores despreparados

Decerto, os casos de insucesso são infinitamente maiores do que os bem sucedidos. Estatísticas no Brasil, dizem que mais de 80% das empresas que fecham com menos de um ano da abertura. São criadas por empregados que veem no empreendedorismo a sua chance de virar patrão.

Nesse ínterim, empreendedores ficaram mais à vontade com o surgimento do fenômeno denominado startup. Ilusão!

Defendo planejamento, como também reconheço que muitas destas instâncias fomentam e incentivam o empreendedorismo. Inclusive tentam instruir e capacitar os empreendedores nas disciplinas de gestão, marketing, finanças e outras.

Inutilmente !

Armadilhas

Os chamados self made man começaram a ter novas perspectivas com as chamadas incubadoras. Logo depois de um grande período de experimentos, verificou-se que, mesmo com auxílios externos, a taxa de mortalidade das “incubadas” só cresce. O elevado uso de tecnologia, criou as startups, que estão experimentando números absurdos de empreendimentos e ideias natimortas.

Em outras palavras, no mundo real, longe das empreendedores de palco e das falsas alegações de “empreendedores” virtuais, tudo não passa de armadilhas verbais. Na maioria dos casos são golpistas procurando alguém para enganar e levar vantagem, as armadilhas são reais. Existem desde aproveitadores de olho no PIS e FGTS até “assessorias” que tomam dinheiro de idosos, incautos, gananciosos e preguiçosos. Surpreendentemente, até bancários servis aplicam seus pequenos golpes, em nome da tal “produtividade”, gerando lucro para os bancos (não submetidos ao Imposto de Renda).

Empreendedores despreparados

Dessa maneira, um parenteses faz-se necessário. Uma coisa é empreendedor despreparado e trabalhador honesto. Lamentavelmente, trabalhadores desonestos tentam ser empreendedores desonestos. Patrões desonestos tende a alimentar esta cadeia produtiva. Quando algum empreendedor “sugere” a demissão do empregado, com pagamento parcelado que ele receba seguro-desemprego, constitui-se fraude e crime.

Por exemplo, quando algum empreendedor, aproveitando das reformas patrocinadas por golpistas sugere que seu empregado crie  uma MEI, não é crime, mas pode ser desonesto. Estes empreendedores ou empresários não estão preocupados com aqueles que ajudaram ele a consolidar seu negócio, estão salvando a própria pele. Raramente, exemplos de altruísmo de empreendedores são verificados. Existem? Certamente que sim, entretanto são o que são, exceções.

Identifico um empreendedor despreparado através de cinco perguntas básicas que faço antes de começar qualquer consultoria. O preço da consultoria é e função das respostas a estas perguntas.

Mas a pergunta de “um milhão de reais” é simples: Qual seu PLANO DE NEGÓCIO?

Realidade

Certamente, muitos pensam que com uma boa ideia e uma câmera na mão fazem um bom filme. Nem se for de curta metragem de um minuto.

O mito do self made man só continuará existindo se muitos processos tradicionais forem cumpridos. A proposta de queimar etapas exige investimentos altos. Não se faz um império sem dinheiro e sem sustentação.

A maioria dos empreendimentos de hoje estão fechando não somente pela crise, mas por uma falta de preparo descomunal. Vejo, na medida de negócios abaixando as portas, alguns outros investindo em produção e ampliação.

Alguns casos curiosos nos remetem a empresas do mesmo segmento em que uma fecha as portas e outra faz expansão.

Quando empresas são incorporadas por concorrente,  na maioria dos casos, interessa mais à incorporadora os ativos intangíveis como marca, carteira de clientes e outros. Pequenas empresas fecham as portas por má gestão, por falta de orientação ou simplesmente por incompetência dos gestores. A saída poderia ser melhor equacionada e estruturada, sem traumas, com consultoria especializada e qualificada, desde que respeitada.

O caminho

O Plano

Entretanto, vamos combinar uma coisa: Qualquer atividade produtiva que seja honesta, obrigatoriamente se fundamentam num postulado matemático: O Plano.

O Plano - Empreendedores Despreparados

O Plano – Empreendedores Despreparados

Dados três pontos não-colineares (Produto, Pessoas, Processos) temos os resultados de forma infinita. O equilíbrio entre estes três pontos determina o tamanho do empreendimento. Assim sendo, não resolve ser proficiente num determinado ponto do plano se, em outro, há diferenças irreconciliáveis de causa, efeito, tamanho, forma e conteúdo.

Dado um plano consistente e sustentável, ele é infinito, ilimitado. Começar pequeno e dar passos do tamanho das pernas é coisa de empreendedor neófito inteligente. Por outro lado, vemos empreendedores despreparados arrotando estrogonofe quando, na realidade, comem angu com couve. A estultice empreendedora é o primeiro passo para a bancarrota do empreendimento e, muitas vezes, pessoal.

Consultoria

Em síntese, qualquer que seja  ramo de atividade, pequeno, médio ou grande o planejamento é essencial. A lógica de ter dinheiro para ir fazendo, nunca funcionou. Tenho visto pessoas despejando dinheiro em negócios para filhos e esposas, e tudo ser perdido em pouco tempo. Alguns casos são absurdos pois, colocam em risco a vida de trabalhadores que acreditam ter conquistado a possibilidade de trabalho. Um empreendedor, de qualquer atividade, de qualquer porte, não é onipotente. Deve, outrossim, cercar-se de profissionais qualificados (consultores) para que tenha planos de tudo que ele não domine. Empreendedores devem ter em mente que tudo aquilo que não for diretamente relacionado à sua atividade principal, deve ser orientado por especialistas.

Quando digo tudo, é tudo mesmo ! “Atividade Principal” no registro do empreendimento é determinante, a menos que o negócio seja de fachada e fraudulento.

Ligue os Pontos

Com efeito, qualquer que seja o porte do empreendimento; qualquer que seja o ramo de atividade, sempre haverá algum profissional capacitado para avaliar a situação. Sempre é possível pensar e panejar uma recuperação, fusão ou até mesmo negociação de ativos tangíveis e intangíveis. Portanto, erros que tem sido cometidos por muitos; a “culpa” recai na crise, na tributação ou no governo. Infantilidade que deve ser evitada.

Ter uma consultoria organizacional nunca foi tão fácil e nunca foi tão rejeitada por empreendedores despreparados.

Enfim, sejamos cartesianos, não falem em desígnios divinos e muito menos que eu não sei do que estou falando.  Consultores especializados são os únicos habilitados para exterminar esta epidemia. Se quer uma prova de conceito (PoC), pague mas não pague para ver se sua teimosia funciona.

P. S. Este texto é um dos indicados como “conteúdo estrutural” e conforme “Advertência aos Leitores“, uma vez que é sujeito a transformações constantes. Acrescentando-se que, eventualmente, pode ser muito polêmico.

 

Imagem: Art Limited

 

(*) Em processo de revisão e correção.

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