Barra Longa (MG)

Não foi acidente (5)

O Crime

Uma barragem da mineradora Samarco, controlada pela Vale e BHP (mineradora de origem australiana), localizada no município de Mariana (MG), rompeu-se no dia 5 de novembro de 2015, deixando um rastro de 19 mortos (um corpo ainda não encontrado) e o maior desastre ambiental, não natural, do Brasil e possivelmente do mundo, nos últimos tempos.

Não foi devido a força da natureza ou acidente natural. Era a crônica de um crime anunciado. Crime que segue cheio de desculpas, cheio de atos duvidosos, cheio de enrolação. O mar de lama mais do que poluiu a bacia do Rio Doce até a sua foz, no Espírito Santo.

Vícios na origem

A Superintendência Regional do Trabalho de Minas Gerais (SRT0MG), ligado ao Ministério do Trabalho e Previdência Social (MTPS) divulgou relatório indicando que uma “série de fatores” contribuiu para o rompimento da barragem. O relatório aponta que 23 autos de infração foram lavrados, contendo uma série de irregularidades referentes à segurança de trabalho na barragem, apontando questões relacionadas à erosão e saturação de rejeitos. Até aí nenhuma novidade. Foi crime, contra as pessoas e contra o ambiente. Certamente a mineradora Samarco, e suas controladoras Vale e BHP, não sabem nem do que se tratam as 23 atuações.

Crime contínuo

O crime continua sendo praticado.

O Ibama apresenta estimativa de  que cerca de metade dos 24 milhões de metros cúbicos que restaram no reservatório tem vazado desde o rompimento e que algo próximo de 8 milhões destes rejeitos foram depositados no meio ambiente.

Para piorar o quadro comprometido das doações em Mariana e Governador Valadares, o município de Barra Longa, distante 70km de Mariana, talvez o mais gravemente atingido depois do distrito de Bento Rodrigue, além de ter destruídas suas lavouras, vive com rejeitos secos nas ruas e nos terrenos que viram poeira e contaminam a todos os habitantes. A previsão climática para os próximos dias coloca a cidade sob alerta vermelho (da lama e da defesa civil). E a mineradora faz de conta que tá tudo nos eixos.

Menos mal que a Samarcpo contratou oito médicos, dois psicólogos, dois enfermeiros, dois técnicos de enfermagem e dois auxiliares, além de ambulâncias caso a situação se agrave e os acometidos de alguma doença possam ser removidos para local longe da cidade.

Enquanto isso …

Em Brasília e na Assembleia Legislativa mineira, os responsáveis por dar as licenças das barragens sem condições apropriadas vão sendo omitidos e os processos para criminalizar os responsáveis vai sendo depositado no fundo de gavetas de meritocratas.

A Samarco manda release para a mídia dizendo “… a lama parou de vazar …”. Jura? Tem certeza? Não nos esqueceremos! Estaremos atentos e alertando os eleitores que acham que podem tirar presidente mas não ligam para suas e nossas vidas.

 

Foto: Portal UAI

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.