Cícero na Res pública

Res pública – De Floriano a Temer

Res Pública

Marcus Tullius Cicero, foi filósofo, orador, escritor, advogado e político da República Romana. Certamente, um dos primeiros a tratar da Res Pública como tal e como deveria ser. Precipuamente, o termo de origem latina, significa “coisa pública”, algo que deveria ser diferenciado da propriedade e governança privativa ou privada.

Assim sendo, a ideia da Res Pública deveria ser compartilhada, respeitada e mantida por todos(as).

Desde Cícero, o segundo pois seu pai tinha o mesmo nome, que viveu entre 106 a.C. e 43 a.C., eu diria que ele é “das antiga”,  este conceito (Res Pública) deturpou-se a níveis inimagináveis. Chegamos ao ponto de vermos como uma “forma de governo” bem popular aplicada em pseudo democracias.

No Brasil

O Brasil é uma república desde que Manuel Deodoro da Fonseca, um marechal, capitaneou um golpe político-militar ocorrido em 15 de novembro de 1889 (quase 2 mil anos após Cícero inventar a Res Pública), tendo como escolta o também marechal Floriano Peixoto, na função de vice-presidente.

Ao mesmo tempo, formou-se um governo provisório republicano, integrado por membros da maçonaria brasileira (os golpistas morrem e nascem novos, mas sempre golpistas).

Nem detalho as questões que desembocaram no golpe.

Mas, posso citá-las: Crise econômica, questões sócio-raciais-abolicionistas, problemas nas relações militares e religiosas, ou seja, nada muda.

Em outras palavras, um CAOS.

Conforme o escritor Eça de Queiroz, talvez baseado nos movimentos de independência que clamavam por uma república verdadeira ( Inconfidência Mineira, Revolução Farroupilha, Revolução Pernambucana etc ), imaginava que o golpe iria esfacelar e separar todo o país.

Decerto, o escritor errou feio, o país manteve-se unido, assim queriam as oligarquias e vassalos da monarquia, agora conhecidos como capitães-do-mato republicanos.

Deodoro da Fonseca durou pouco (nove meses), renunciando ao final de 1891. Ele não era presidente eleito (lembram-se? golpe militar!), e sim chefe do governo “provisório”. O vice rasgou a Constituição (a primeira) e ao invés de convocar eleições conforme previsto, continuou no cargo. Certamente com o apoio do Congresso Nacional, da classe média e militares, servos fieis das oligarquias.

Importante ressaltar a presença desta tríade, talvez com a classe média representada pela mídia, se faz presente em todos os golpes e farsas eleitorais, desde 1889.

Mudanças

As mudanças foram muitas, a Res Pública deixou de ser uma expressão filosófica e quase utópica e virou sistema de governo. Após a “redemocratização” do país, até tivemos plebiscito para escolha do sistemas de governo.

Ganhou a República. #SQN. Não levamos nenhuma vantagem, nenhum benefício, nem tico; nem teco.

Kafunga, um filósofo contemporâneo, já falecido, radicado na terra da Inconfidência Mineira, dizia “… neste país, o errado é que é o certo …”.

Tim Maia, carioca da gema, pai da soul music tupiniquim, republicano e síndico por natureza, dizia “… um país em que as putas gozam, cafetões tem ciúmes, traficantes cheiram e pobres são de direita .. não pode dar certo“. Aqui acrescento mais uma categoria: “ladrões confessos e acusados julgam quem não foi indiciado …”.

Renato Russo escreveu uma estrofe profética em “Que pais é este?“:

"Nas favelas, no Senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação ..."

Enfim, filósofos contemporâneos como Kafunga, Tim Maia e Renato Russo se foram… nada mudou ou pouco mudou …

De Floriano a Temer estamos vendo vices golpistas. Muito embora a tríade de plantão no poder (não confundam com o Poder Constitucional) não deixa a patuleia perceber.

Até quando? Enfim, vou esperar um Cícero para chamar de meu… ou ficar como Diógenes … cadê a lanterna?

 

Imagem: Prof. Douglas Gregório

 

Nota do Autor

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Agradeço a compreensão de todos e compreendo os que acham que escrevo coisas difíceis de entender, é parte do “jogo”.

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