Ladeira Escorregadia

Falácia e Sofismas (6)

 

O termo falácia deriva do verbo latino fallere, que significa enganar. As falácias que são cometidas involuntariamente designam-se por paralogismos e as que são produzidas de forma a confundir alguém numa discussão designam-se por sofismas.

Falácia, no geral, é um argumento, logicamente inconsistente, sem fundamentação, que falha na capacidade de demonstrar o fato ou sustentar uma opinião seja num discurso oral ou escrito. Não passa de uma mentira ou meia verdade, usada para convencer a “massa” de leitores, telespectadores, seguidores, compartilhadores e curtidores. No geral, engana-se pessoas alienadas com o uso de falácias que podem ser convincentes mas não deixam de ser falsos por causa disso.

 

Ladeira Escorregadia

É uma especialização da falácia “Causa Falsa” (ainda não abordada nesta série) e conhecida como Post hoc. Ergo propter hoc (depois disso ou logo por causa disso). É muito comum em mesas de boteco e festas regadas a bebida alcoólicas, o que pode sugerir que são paralogismos. Entretanto, mentirosos contumazes (não confundir com sofistas!), praticam e, como dizia Goebbels, repetida mil vezes muda de falácia descarada para verdade.

É simples escorregar nesta ladeira, e por isso é cometida por muita gente o tempo todo.

Funciona mais ou menos assim. O mentiroso sugere que se algo vai acontecer, se alguma coisa está acontecendo ou aconteceu, o que chamamos de CAUSA, vai gerar um efeito. Este efeito é uma outra coisa que vai acontecer e, por sua vez, provocará outra coisa e por aí vai. O paralogista se enrosca facilmente pela inexperiência e pouco domínio do desenrolar da situação. O contumaz cria uma rede intricada de suposições, sem nenhuma evidência ou fundamentação, de forma que os efeitos nunca poderiam ser comprovados.

Exemplo (do mundo esportivo)

Se o técnico fulano permanecesse à frente da equipe (no caso o técnico foi demitido), estaríamos dentre os classificados para a próxima fase e, em consequência disto teríamos grandes chances de conquistar o bicampeonato.

Análise

Pensando na possibilidade de que a permanência de um técnico de futebol não garante nada sobre o futuro, nem mesmo com as condições mantidas, ou admitindo que este técnico retorne ao time em outro momento, é incabível e não passa de chute ou paralogismo (quando o emissor da afirmativa é leigo ou neófito) fala ou escreve isto. Quando o autor é um profissional da imprensa ou dublê de pensador, é sofisma. Ilude muita gente e suscita a ideia de eruditismo do interlocutor.

Assim sendo, se existir dúvida sobre as evidências ou fundamentos entre a conexão de A ou B, entre um evento e seu efeito, só acredita no enunciado quem é muito tolo ou muito amigo do interlocutor. Em tempos de redes sociais rasteiras e superficiais nem é bom questionar o emissor do enunciado, você corre o risco de ser bloqueado. Em certos casos isto pode até ser bom, é uma forma de lermos menos abobrinhas e colocar um pouco de civilidade nesta bagaça.

Foto: Brasil Novo Notícias

 

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