Sincericidio

Sinceridade e carreira profissional

Esta semana estou comemorando. Consegui, finalmente, depois de longo período de instabilidade e incertezas, minha aposentadoria.

Longe de mim pensar em vestir um pijama e ficar jogando dama na praça. Quero distância. Entretanto, as dificuldades nestes 40 (quarenta) anos de contribuições previdenciárias oficiais e a participação em atividades profissionais as mais diferentes possíveis, me propiciaram uma experiência de vida que só posso usá-la neste minifúndio virtual.

Vou usar este mote para mais uma série, a das experiências profissionais e daquilo que vivi e ainda pretendo viver. A aposentadoria, segundo o RGP, é somente um marco.

 

Sinceridade

Vou falar de um comportamento que foi escolhido por mim a partir da minha educação de berço. Em tempos de redes sociais superficiais e rasteiras, este tipo de comportamento, SER SINCERO, é pura nitroglicerina. Manda quem pode (quem tem poder e dinheiro) e obedece quem não tem poder e nem dinheiro. Se você quer fazer do seu jeito, faça você mesmo, não conte com as pessoas que não concordam pois elas ignorarão ou boicotarão.

 

Profissionalismo

Ser sincero foi uma decisão difícil e tomada ao longo do tempo, primeiramente através de rompantes típicos da juventude e irresponsabilidade. Fui demitido de ao menos três trabalhos em que a sinceridade, mesmo com atuações profissionais, foi determinante. Eu incomodava as pessoas e maus profissionais. Em uma das muitas relações de trabalho que tive, em uma determinada empresa que eu fazia questão de cumprir o horário de trabalho, mesmo sem ser obrigado a bater ponto, ouvi de um colega: “… para de chegar todo dia no horário certo, queima nosso filme … fica nas imediações da empresa até a gente começar a chegar … ”

 

Organizações doentes

Trabalhei em empresas com as mais diversas formas de gestão, japonesa, americana, europeia, governo, familiar etc. Tenho a certeza de que o mundo organizacional público e privado abomina a sinceridade. Incentivam as pessoas (trabalhadores e capatazes) a fingirem emoções e sentimentos. As condições criadas, até mesmo quando gerenciei pessoas, são para privilegiar o cinismo, a hipocrisia, o estresse e todos os desdobramentos de doenças que vemos na atualidade, chamadas de transtornos. Tenho parentes e amigos perdidos nesta caminhada que estão afastadas e doentes, de maneira irrecuperável.

 

Autêntico

A sinceridade é uma arma perigosa. Depois de determinado momento da minha carreira profissional percebi que deveria ser autêntico e me manifestar pouco, ou nada. Sou contra aquele tipo de profissional que bate no peito e diz “… faço minha parte, sou profissional … “. Não basta!

Recomendo que as pessoas sejam autênticas, sejam sinceras e abominem nos ambientes profissionais a hipocrisia e cinismo.

A maioria das pessoas com quem trabalhei, ao lerem este post, poderão ter as mais diferentes avaliações e compreensão. Certamente dirão que a sinceridade é um defeito ou virtude que eu tive, mas não dirão que fui omisso. Paguei o preço por ser sincero. E vou continuar pagando.

Aqui recomendo que sejam autênticos, sinceridade virou crime, sincericídio logo logo aparecerá nos dicionários.

Imagem: Blog Fernando Mato Grosso

 

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