Crime em Mariana(MG)

Não foi acidente (8)

O Crime

Uma barragem da mineradora Samarco, controlada pela Vale e BHP (mineradora de origem australiana), localizada no município de Mariana (MG), rompeu-se no dia 5 de novembro de 2015, deixando um rastro de 19 mortos (um corpo ainda não encontrado) e o maior desastre ambiental, não natural, do Brasil e possivelmente do mundo, nos últimos tempos.

Não foi devido a força da natureza ou acidente natural. Era a crônica de um crime anunciado. Crime que segue cheio de desculpas, cheio de atos duvidosos, cheio de enrolação. O mar de lama mais do que poluiu a bacia do Rio Doce até a sua foz, no Espírito Santo.

Quase seis meses após o sinistro, a situação se confirma como crime ambiente e contra a vida humana e as atitudes e comportamentos de autoridades se mostram deploráveis.

Vítimas

A primeira vítima identificada, dentre os 19 mortos foi Cláudio Fiuza. Disseminaram (a Samarco contando com a “preguiça” da mídia incompetente e conivente) que ele teria tido um infarto.

Laudo do Instituto de Criminalística da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais, recentemente divulgado, contradiz esta versão e diz que o trabalhador NÃO morreu de causas naturais, morreu asfixiado ´por soterramento, o que implica dizer que existe um ou mais responsáveis pelo crime contra este terceirizado da mineradora.

Mariana

Enquanto os processos vão se arrastando nas várias esferas do Judiciário, famílias inteiras e muitas das vítimas ainda não encontraram um rumo para suas vidas. Os avanços são extremamente tímidos para o poderio da mineradora Samarco e suas controladoras BHP e Vale.

A cidade que vivia um caos político há mais de dez anos, agora vive um salve-se quem puder face à crise que está sendo agravada com a paralisação das atividades da mineradora. Alguns políticos agem como se não fosse responsabilidade deles a liberação das atividades, a falta de fiscalização e outras ações do Poder Público municipal. O que está ruim, pode piorar na guerra pelo cargo de alcaide da Primaz.

Governador Valadares

Se em Mariana a confusão é grande, em outros municípios menores, atingidos ao longo do leito dos rios contaminados, a situação é pior, e pode agravar-se mais ainda com o quadro provocado pela perda ou diminuição de fontes de renda.

Em Governador Valadares, o absurdo vira calamidade. Vereadores presos, acusações de apropriação de doações, processos criminais em curso. Nem num momento crítico como este alguns bandidos, travestidos de mandatários eleitos, respeitam quem os elegeu.

Reality

Não é um show, é realidade… e vamos continuar lembrando aqui neste insignificante espaço, NÃO FOI ACIDENTE. Foi crime. Até os culpados serem julgados e apenados de acordo com suas responsabilidade objetivas nos crimes, continuaremos sem esquecer.

Uma luz no fim o túnel, bem tênue, é o pedido judicial feito pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) de suspensão das licenças ambientais da mineradora Samarco relacionadas ao complexo de exploração e barragens em Mariana. Aliás, os governos municipal, estadual e federal deveriam apoiar uma CPI nacional de auditoria da concessão destas licenças, principalmente pelo fato de que a Vale quer licenças na região metropolitana de BH.

Foto: www.seculodiario.com.br

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