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Crise: Empreendedores despreparados (4)

A ideia desta série de posts com este tema é apresentar “pílulas” de orientação que todo empreendedor deveria parar e pensar, antes de sair culpando os outros pelos seus problemas e dos seus empreendimentos.

Continuando a série “a situação não tá fácil pra ninguém”, mais um tema importante e que é dos primeiros a ser negligenciado ou abandonado por empresários e empreendedores mal formados ou completamente despreparados.

A oferta de produtos ou serviços deve ser bem planejada, incluindo o famoso “Plano B”,  que os empreendedores, principalmente os pequenos e micros, imaginam que não acontecerá com aqueles que trabalharão de sol-a-sol.

São três situações em que as causas dos problemas e dificuldades dos empreendedores mal preparados está na origem. E a recuperação que qualquer negócio exige a revisão desde a origem.Pau que cresce torto, em empreendimentos, tem que ser aplainado.

Eu gosto, tu gostas, eles gostam

Nada mais perigoso para o empreendedor do que o elogio fácil. Nada mais temerário do que o empreendedor que só consegue ver o elogio barato e não tem auto-crítica.

E não vale somente para produtos, empresas e profissionais prestadores de serviço raramente fazem críticas sobre seus serviços. É como aquele pedreiro ou encanador que comete um erro na construção e apressa-se a fazer o acabamento da melhor qualidade, e ninguém vê a gambiarra (um dia vaza!).

Empreendimento construído na base dos elogios de “amigos”, familiares e pessoas que querem agradar, são o primeiro passo para o fracasso. Abra um restaurante, se na primeira semana ou primeiro mês, mais de 50% da receita vierem de familiares e amigos, e estes não recomendarem a estranhos, pode começar a pensar na mudança. Esteja atento.

Cientes satisfeitos, investidores à postos

Criado o negócio, a manutenção da clientela é a tarefa mais árdua. Apurar quais são os defeitos, ter pós-venda que “encante o cliente” (detesto estes chavões de marqueteiros discípulos de Kotler, da mesma forma que abomino livros de auto ajuda).

A satisfação dos cientes e até mesmo uma possível evolução desta clientela não é garantia que investidores possam te ajudar no caso de alguma dificuldade. Neste momento de crise, se você passa por dificuldades, concorrentes despreparados estão em igual condição. Investidores capitalistas não estão interessados em operações precisando de recursos financeiros, estão interessados em empreendimentos que possam receber inovações e multiplicar lucros.

É mais fácil você preparar seu negócio para uma fusão com um concorrente do que arrumar investidores capitalistas colocando dinheiro novo para te salvar. Pense na hipótese de investir em inovação para uma possível parceria ou transferência de controle do seu empreendimento (na remota hipótese que seu negócio seja pouco comum).

Aqui, destaco uma situação interessante. Novos empreendedores tem extrema dificuldade em entender que é muito mais viável, e inteligente, se ao invés de montarem “mais um” negócio novo que vai passar dificuldades, investirem num negócio velho em parceria com o empreendedor em busca de recursos.

O empreendedorismo deve ser criativo, se você é o melhor garçom do melhor restaurante da cidade, não significa que, se abrir um restaurante seus clientes, fornecedores e investidores de seu antigo trabalho tratarão você da mesma forma.

Tá na moda

Atitude mais perigosa que existe. Uma moda leva a abrir um negócio em que o risco é altíssimo. Se a pessoa resolve ser franqueada de algum modismo, pode multiplicar o risco por 10.

Paleterias mexicanas, food trucks, tudo nos espetinhos, pastelarias, são somente alguns exemplos.

É factível que alguns negócios que sejam inovadores, podem não ser somente modismo. Locadoras de VHS tiveram vida mais longa do que locadoras de DVD. Alguém imaginaria esta situação? O perigo maior deste item é o empreendedor colocar todas as suas reservas no negócio e começar a pedir ajuda de bancos ou usar o cheque especial como capital de giro. Se você tem um negócio “da moda” e está nesta situação, já deveria ter visto o sinal vermelho piscando desesperadamente.

Pensar… Pensar… Pensar…

A solução é pensar. Rapidamente e estudar muito o assunto. Evite aconselhamento de quem não sabe a real dimensão do seu negócio. Fuja do aconselhamento de gerentes de bancos. São inimigos declarados. Busque opções de ajuda com uso de tecnologia e serviços de Internet (nem sempre o serviço grátis é melhor, mais confiável,mais qualificado e mais apropriado).

Antes de começar a depreciar seu negócio, a demitir seus colaboradores, sonegar impostos, atrasar pagamentos, procure um profissional capacitado na gestão de negócios, uma consultoria que ajude no diagnóstico pode parecer inútil mas se for bem feita, pode ser a salvação do empreendedor e das famílias que dependem de um empreendimento.

Imagem: www.papodeempreendedor.com.br

 

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