Lagoa da Pampulha - MHAB

Viva a Pampulha

Infância

Nasci, fui criado, casei na Igrejinha e vivo até hoje, a menos de 5 km da Lagoa da Pampulha. Posso dizer que sou belo-horizontino e pampulhano legítimo. Mesmo sabendo que esta auto denominação pode causar arrepios em narizes empinados e batedores de panelas, acompanho a região, posto que a Pampulha é nome de uma região inteira e não de um bairro, desde que me entendo por gente.

Ainda criança, saia com os adolescentes para pescar na beira da lagoa e em regiões próximas ao Córrego do Engenho Nogueira, que deságua após a barragem e que, em tempos recentes, tornou-se o terror dos usuários da UFMG pelos alagamentos.

Sonho

Meu primeiro emprego com carteira assinada foi em um clube à beira da lagoa. Trabalhar num lugar com a vista privilegiada de grande parte da lagoa, ou da sua parte nobre é privilégio. Sempre que passava pela manhã, ali na região do funil, observava o pessoal do remo colocando e/ou tirando o equipamento da água. Eu tinha um sonho, treinar remo junto à equipe de remo da federação. Sonhava que quando fosse universitário seria fácil. Hoje fico rindo destes sonhos pueris.

Mais adulto os sonhos foram mudando. Cheguei a imaginar um circuito de rua para corridas de carro em volta da Lagoa. Tá, doidera… resolvi reduzir para contorno do Mineirão, Mineirinho, CEU … utopia. Mas os sonhos continuaram. E a lagoa deteriorando. O assoreamento perto do Zoológico é das coisas mais absurdas que já, virou um parque. Imaginei que os movimentos contra a exploração e explosão imobiliária fossem vencer. Que nada ! Existe na região do Ouro Preto e Engenho Nogueira, por baixo, mais de duas mil unidades verticais construídas na última década. Perdemos !

Pampulha Viva

Vivi muitos dos problemas da lagoa, em determinados períodos de ciclista, dava várias voltas na Lagoa em pouco tempo. é um lugar muito legal e propício para muitas atividades de lazer.

Por volta de 2005, o Instituto Mineiro de Gestaão de Águas (IGAM) começou a medir a qualidade das águas da Lagoa da Pampulha. Muita decepção. Culpa de muitos habitantes da própria Pampulha. Em 2007 ou 2008 o IGAM registrou os piores índices de poluição da lagoa. Ato contínuo, a Prefeitura, através do nosso alcaide recém eleito, fez a promessa de que na Copa do Mundo (a de 2014 passada!) a lagoa estaria liberada para pesca e esportes náuticos.

No dia seguinte à divulgação  de laudo do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) com a constatação dos piores índices de poluição na Lagoa da Pampulha desde 2006. Do total de amostras analisadas, 84,6% apresentavam Índice de Qualidade da Água (IQA) ruim ou muito ruim. O parâmetro reflete a contaminação por esgoto. A Prefeitura de Belo Horizonte reafirmou a promessa de que na Copa do Mundo de 2014 o cartão-postal da cidade estaria liberado para a pesca e a prática de esportes náuticos.

Chegamos a 2016 e sou surpreendido com uma machete na capa de um dos tabloides citadinos: “Despoluição da Pampulha começa a dar resultados”.

Tô  “BEJE” !!!

O cara foi reeleito pelos mesmos que se calam durante anos e agora, às vésperas das eleições municipais a mídia resolve requentar uma marmita de 8 anos atrás?

Coliformes Fecais e cianobactérias estão acima dois valores aceitáveis pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) mas a prefeitura e o prefeito entendem que em 2017 a lagoa estará apta à pratica da pesca e aberta aos praticantes de esportes náuticos.

Vai ver é por isso que ele tá valorizando o patrimônio do Iate para eles serem indenizados por obra irregular ou ficarem em situação privilegiada em 2017. É um FANFARRÃO !!!

Foto: Arquivo MHAB

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