Trabalhadores da Samarco

Não foi acidente (12)

O tempo é senhor da razão? Depende!

Uma barragem da mineradora Samarco, localizada no município de Mariana (MG), controlada pela Vale e BHP (mineradora de origem australiana), rompeu-se no dia 5 de novembro de 2015, deixando um rastro de 19 mortos (um corpo ainda não encontrado) e o maior desastre ambiental, não natural, do Brasil e possivelmente do mundo, nos últimos tempos.

Crônica de um crime anunciado. Crime que segue cheio de desculpas, cheio de atos duvidosos, cheio de enrolação. O mar de lama mais do que poluiu a bacia do Rio Doce até a sua foz, no Espírito Santo. O mar de lama atingiu profissionais e prestadores de serviço que omitiram, adulteraram e sonegaram informações reais de todo o processo.

Confirma-se o crime ambiental e contra a vida humana e as atitudes e comportamentos de autoridades se mostram deploráveis a cada anúncio de “novidades” sobre o caso. Não vamos nos esquecer. Não somos a mídia comprometida.

9 meses

A perversidade com que a mídia está tratando uma das 5 maiores tragédias ambientais é inexplicável. Vale e BHP nem se mexeram, naquilo que diz respeito aos seus acionistas e cotação de suas ações, sobre estes nove meses do crime ambiental.

A mídia contribui para que a Vale nada perca com o acidente. Pelo contrário, promessas não são cumpridas, empulhações ocorrem a cada necessidade verificada.

O tempo está servindo para enterrar muitos dos problemas em lama pior que a derramada pela barragem rompida. A lama da indiferença da população, a lama da perspectiva de que a corrupção vá além das vistas grossas para os processos de concessão e fiscalizatórios.

Punição

A Samarco tinha 1,2 mil funcionários diretos quando da eclosão do crime. Talvez outros milhares de terceirizados, quarteirizados, fornecedores, prestadores de serviços de fornecedores. Imaginava a Samarco que demitindo 40% de seu efetivo, atingiria a meta de redução de 40% da produção para retomar a extração do minério. Nenhuma garantia de que os 60% restantes não seriam super-explorados para suprir a mão-de-obra demitida, ou pior, que o processo de terceirização acirrasse, provocando precarização destes terceirizados em prol de uma redução de produção ficta.

A Samarco não conseguiu adesão ao seu PDV e o que fez? Anunciou que vai demitir quem não quis sair, cartesianamente, de forma canalha, ceifando o trabalho de famílias em Minas Gerais e no Espírito Santo.

Tudo por dinheiro

É assim. A mineradora demite, não tem reflexo nas ações em bolsa de suas mantenedoras, ignora ações de sustentabilidade e coletividade, e ainda veremos déspotas mal esclarecidos anunciar que a culpa é do governo, dependendo do interesse destes déspotas em colocar culpas e responsabilidades em quem não gostam. E a mídia vai deixando o assunto cair no esquecimento. Até que seja do interesse de alguém capitalizar votos ou criar fatos “novos”. Podres poderes.

Imagem: Gazetaonline

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