Olimpíada de Matemática

Somos todos Fiji

Sou dos que defendia a Copa do Mundo e a Olimpíada no Brasil antes mesmo de serem “escolhidas”. Neste caso, pra mim, os fins justificam os meios. Sabia que as quadrilhas iriam se locupletar, que as obras iriam atrasar para obterem benefícios de contratação sem licitação. Muito foi descoberto? Não. As coisas erradas ainda não são nem uma pontinha do iceberg. Com as eleições municipais na pauta do dia, com o impeachment se concretizando, após as olimpíadas, até o Cunha deve ter o mandato preservado.

Fiji

Mas o que o título tem a ver com isto?

Fui ao jogo entre Alemanha e Fiji, válido pela categoria de futebol masculino. Uma frase de um torcedor me chamou a atenção. “O jogo é o que menos importa”. É deste jeito mesmo. A maioria que lá estava não sabia (e ainda não sabe) nem que Fiji é um arquipélago nação. Fui e torci para Fiji. Eles merecem. Participar de uma olimpíada não é para qualquer um. Posso dizer que estive na maior goleada do futebol numa olimpíada e torci para o derrotado.

Olimpíada

Infelizmente, não respeitamos nenhuma olimpíada. Não respeitamos nem a nós mesmos. Nossa única medalha de ouro no momento foi conquistada por quem foi humilhada alguns anos atrás. O complexo de vira-latas é impressionante. Batedores de panela vão ao Mineirão para torcer pela Alemanha. É claro que eu não tinha nenhum sonho sobre a performance de Fiji. Torci pelo espírito olímpico, que tanto faz falta neste país para seres que são uma pequena burguesia falida e que viraram protagonistas de um Fla-Flu. Complexo de vira-latas adicionado ao hedonismo oco e ao representantes da imbecilidade humana (não posso me esquecer dos publicitários criativos defensores do pokemon.go!) constituem-se na composição ideal para o que vemos em jogos como o que vi ontem.

Olimpíada de verdade

Após esta introdução, o sentido deste post ter o título que tem.

Está em curso (prontos para a 2a fase) a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), já em sua 12ª edição, com participação recorde de 5.544 municípios (99.59% dos municípios do país). Com participação de 17.839.424 estudantes de 47.474 escolas na primeira fase. Estudos e levantamentos, feitos por professores ciosos e lutadores,  indicam que somente a participação na olimpíada significa mais de um semestre letivo inteiro de matemática. Isto significa uma super aula de reforço e que motiva os estudantes numa das disciplinas mais difíceis da vida estudantil. Nada de soletrando em programinhas enganadores. Estas olimpíadas são sérias.

Aí aparece o governo golpista e corta as verbas para a segunda fase da olimpíada. E não para por aí. Os alunos  não tem nenhuma perspectiva de , se ganharem as olimpíadas nacionais, irem ao exterior para a olimpíada mundial. E não para por aí. Outras disciplinas tiveram suas verbas destinadas às olimpíadas cortadas em percentuais superiores a 50%. E não para por aí. Quem está fazendo isto são professores sob as ordens de Secretários e Ministros do governo golpista. E não para por aí. Enquanto isto o Poder Judiciário (aquele que não consegue notificar esposas de bandidos para depoimento) recebe polpudos reajustes nos proventos de forma que passam a receber duas, três ou até mais vezes do que o presidente da república. E não para por aí. Eu paro por aqui.

A mídia que alardeia descobrir atos de corrupção, a mídia e portais pseudo-jornalísticos que se gabam de mostrar os números, não tem a honestidade de mostrar estes números que refletem na educação. Sabem porque? NUNCA defenderam a educação. NUNCA pensaram no país. Pensam exclusivamente em seus hobbies e em como burlar o imposto de renda para não serem taxados no pouco que deveriam.

O que mais impressiona é que vejo alguns professores servindo de capacho e pau mandado desta camarilha que arrebenta a educação brasileira. Ver professores se omitindo e lutando pelo “farinha pouca meu pirão primeiro”, dizendo-se “somos todos Cunha”, me enoja. Mas é assim. Pulitzer tinha razão. Dê corda para esta mídia vil e bandida e estarão todos iguais a ela em pouco tempo. Não precisou nem de Goebbels.

São todos Cunha, estou do outro lado da rua… Somos todos Fiji.

Imagem: Tribuna do Sertão

 

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