Passaporte Orelhudo

A era do viajante aculturado

Diz a lenda, e que eu concordo, por experiência própria, que viajar é das coisas mais construtivas e edificantes que podemos fazer. Viajar e educar. Viajar para lugares que nunca estivemos, mesmo dentro do próprio país, é fonte de aprimoramento intelectual e cultural.

Entretanto, os tempos modernos estão distorcendo esta condição. É possível vermos pessoas com mais de uma dúzia de carimbos no passaporte, com centenas de milhares de selfies desde o táxi no aeroporto até o banheiro do hotel, mas não percebemos estas pessoas com uma foto de um “local”, de um atrativo que não seja o que existe em cartões postais.

Aparentemente, as pessoas estão viajando, em sua maioria, para dar satisfação das pessoas que foram ao Louvre, ao Vaticano, ao maior cassino do mundo, em todos os lugares famosos e de lá só trouxeram traquitanas e bugiganga. Nada para o cérebro.

Vou usar uma figura de linguagem que os belo-horizontinos entenderão, fazer este tipo de viagem é como ir a Sabará e não ver nenhum pé de jabuticaba, é como estar no centro de Belo Horizonte e não ter quinze minutos para ver pessoas no Mercado Central.

Conheço algumas pessoas que ao pisar em NYC a primeira coisa que fizeram após desfazer as malas foi ir ao McDonalds, ou chegando em Santiago do Chile correram para aquela lanchonete que tinha batata frita com refrigerante. Tudo bem, cada um faz o que quer com seu dinheiro. Viajar é das melhores coisas que podemos fazer. Mas devem existir limites.

Entendo que devemos buscar conhecimento antes da viagem, desde a cidade vizinha (como é o caso de Sabará) até o país com fuso horário de 13h em relação a nós.

Digo isto pois escrevo posts convidando a todos belo-horizontinos a fazerem passeios culturais e de conhecimento nas cercanias do Curral Del Rey, e a mesma lógica deve prevalecer para o exterior. Mas fiquei assustado com a recepção que belo-horizontinos estão dando aos nossos visitantes durante as olimpíadas. Parece que temos pouco a oferecer e, para piorar, os conhecimentos que buscamos de nossos visitantes é paupérrimo.

O jogo entre Alemanha e Fiji, no Mineirão, confirmou esta minha teoria. Muitos brasileiros estão somente fazendo coleção de carimbos no passaporte, nada além disso.

Talvez estejam mais preocupados em caçar pokemons ou ter o passaporte cheio de carimbos  para ostentar falta de cultura digna de orelhudos.

Reprodução: Internet

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