Lei Ficha Limpa - Sobriedade do Jumento

A sobriedade entre ébrios e sóbrios

Sobriedade

Eu tinha, até uns dez anos atrás, um imenso respeito por algumas instituições, como o STF. Mesmo que alguns de seus integrantes tivessem comportamento duvidoso, imaginava eu que a maioria não era assim, sonhava que qualquer arroubo ou açodamento, coisas que nunca deveriam ser vistas na mais alta corte do Poder Judiciário de um país pretensamente democrático, eram tratadas internamente. Um ministro do STF não tira meleca do nariz em público, deve manter sobriedade.

Este respeito e sobriedade foi diminuindo, decerto acabou há muito. Por outro lado, conversei com dois ou três ministros do STF sobre determinado assunto (não vem ao caso agora) e imaginava que, “em tese”, eles não se posicionariam. Imaginava eu que um ministro do STF se colocaria equidistante e diria que a manifestação dele se daria nos autos, de cada processo específico. Aquele respeito não existe mais. E não ficou pior nos últimos quinze anos. SEMPRE foi assim. O que a gente não vê, não sente.

Ao longo de dez anos trabalhando em Brasília, surpreendentemente, aprendi com posicionamentos de advogados, de juízes, de serventuários da Justiça. Igual ou pior aos demais poderes instituídos e constitucionais, uma vez que estão preocupados com os tais “quintos”. E ministros se posicionam para quem quiser ouvir, sobre o que derem na telha deles para falar. Alguns não podem ver microfones que logo se apresentam à serviço do “quero falar”.

Omissão, Coronel e Jagunços

A pá de cal foi quando um determinado ministro não cumpriu o “rito” de ser presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), antes de tornar-se presidente do STF. E os motivos não são surpreendentes pela falta de sobriedade do Judiciário no trato com a mídia. Entendo que juiz deveria se manifestar nos autos e, certamente, isto não vem acontecendo. Aquilo ali (TSE) evoca para si os três poderes e ainda manda na mídia. Quer ser poderoso neste país? Seja antes presidente do TSE com o propósito de mostrar sobriedade e ter todos os ébrios e sóbrios sob controle.

Este mesmo ministro, numa sessão aberta do STF, quando o debate corria acalorado, foi provocado por um de seus pares e retrucou mais ou menos assim: “… aqui não… você não está tratando com seus jagunços …”. Fiquei pensando o que deve saber este ministro sobre o trabalho extra-tribunal dos jagunços de um ministro do STF.

Sóbrio (segundo dicionário)

(1) Aquele que não está bêbado; (2) Sem nenhum distúrbio físico ou mental por uso de álcool ou drogas

Ébrio (segundo dicionário)

(1) que ou aquele que está alcoolizado; bêbado; (2) que ou aquele que se embriaga frequentemente; (3) que ou quem é propenso à bebida.

Legislativo Ébrio, Justiça Sóbria?

O ministro (aquele dos jagunços e que gosta de tomar partido) diz para quem quiser ouvir que “… Essa lei já foi mal feita, eu já disse no plenário. Sem querer ofender ninguém, mas já ofendendo, que parece que foi feita por bêbados. É lei mal feita. Ninguém sabe se é contas de gestão, de governo… “, referindo-se à lei conhecida como Ficha Limpa.

Eu diria, em outras palavras, que a maré, no país, não tá para peixe. Diria ainda que, conforme publiquei noutro post, que tenho saudades dos tempos que estes integrantes do Judiciário e do Legislativo conheciam, ao menos de ouvir falar, da história da “mulher de César”.

Aí outro ministro, que não deve ter jagunços mas tem indícios que usa de nepotismo cruzado ou favorecimento familiar, diz que a lei é boa. Complementa, contrapondo seu colega de suprema corte, concluindo, uma vez que diz: “… é boa e que nós devemos continuar a aplicá-la... “.

Sobriedade acabou em 2012

Decretei, anteriormente, que o mundo acabou em 2012 (convido-os a lerem a série FIM DO MUNDO, aqui mesmo), tenho a certeza de que não causa espécie em nenhum cidadão brasileiro estas questiúnculas de somenos. Do jeito que tá, se aparecer um ministro do STF caçando pokemon, ninguém vai estranhar.

Deixa eu ver se entendi. A Lei Ficha Limpa foi feita partindo de iniciativa popular e, certamente, tem apoio de poucos legisladores. Foi dilacerada e distorcida mas representantes da hipocrisia aprovaram. A maioria desrespeita e força participação em eleições através de instrumentos jurídicos podres e venais.

Quando a suprema corte do país tem que decidir sobre a aplicabilidade e punições, aparecem os flexibilizadores. Certamente, os ministros do STF estão em dúvida se a lei foi feita por bêbados ou se a lei andou ingerido algum tipo de bebida com álcool.

Em suma, é como diz um amigo meu, PODE LACRAR !!!

 

Imagem: Reprodução Internet

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