Dependencia da Internet

Dependência química da Internet

Podem dizer que é dependência psicológica. E piorando.

A Internet existe como tal, para o grande público, desde o início da década de 1990, no Brasil. Particularmente, já utilizava recursos e serviços de troca de arquivos e mensagens através das úteis BBS (Bulletin Board System), que nada mais era do que um software para ligar computadores via rede telefônica. Quem sabe é “das antigas”.

Velha Guarda

Fico vendo uma geração depois da minha, aquela que conhece a Internet muito depois que ficou comercial  no Brasil (os primeiros domínios “dot com dot br” apareceram por volta de 1991/92) se auto denominarem “velha guarda” da tecnologia. Que seja. Outros, da geração Orkut, acham quem Internet surgiu com estas redes sociais. Tudo bem.

Dependência

Fico impressionado com a dependência psíquica das pessoas em relação à Internet. As recentes suspensões de serviços como whatsapp tem assustado bastante. Cheguei a ouvir de pessoas, aparentemente normais, que não conseguiam trabalhar. Alguns tipos de redes sociais como estas, que possuem diversas alternativas tecnológicas (inclusive a conversa com voz usando a telefonia normal) passaram a ser como água ou ar que as pessoas respiram. Fim dos tempos.

Vejo pessoas indo a um jogo de futebol, ficando em pé na frente dos outros e usando mais redes sociais do que vendo o jogo ali na sua frente. E acham normal, já ouvi coisas do tipo: “…deixa cada um torcer como quer …

Importância

Vê-se que hoje, a maioria das pessoas conectadas, só se sentem enturmadas, modernas e importantes se ostentar um smartphone com capinha intercambiável bem chamativa e toques audíveis exclusivos. Situações de pessoas chegando a determinados lugares e procurando por sinal de wifi gratuito antes de saberem onde e com quem estão virou lugar comum.

Já dizia o carnavalesco, quem gosta de pobreza é sociólogo frustrado, povão gosta é de luxo, ou de aparentar pompa e circunstância. Ficam vendo anúncios de imóveis e carros de luxo sem a mínima intenção de comprar, vasculham a web e o perfil das pessoas no facebook para fantasiar ou ficar admirado com as fantasias do Mundo de Alice de gente importante ou de amigos que não se tem contato.

A coisas tá complicada que chega-se ao ponto de pais e filhos, dentro da mesma casa, trocarem mais mensagens de whatsapp do que conversarem.

Mudanças perigosas

Aí um conhecido divulga o seguinte anúncio em determinada rede social: “… a partir de hoje, não me enviem emails, se enviarem emails, avisem na rede social para que eu veja …”

Aí um conhecido proclama: “… não quero informar meu email para relacionar-me com ninguém, se eu quiser, eu procuro e escolho o canal de relacionamento …”

Meus meninos, diria meu professor de Direito Trabalhista, você entrou no mundo virtual da Internet e quer privacidade? Você não entendeu nada ainda!

Mas tudo bem… Vamos nos ajeitando, quem sabe não surgem (na realidade estão surgindo) gadgets, apps e afins que se adequam àquilo que cada um quer. É o mundo virtual  individualizado. Tô com saudade do fax e dos quadro de avisos e arquivos disponíveis da BBS (e dos encontros presenciais que os internautas da Velha Guarda realizavam).

Charge: Nina Ricci

2 comments for “Dependência química da Internet

  1. Rafael Henrique de Magalhães Souza
    25/08/2016 at 07:17

    Tenho pensado também sobre isso, pois me incluo dentre os afetados. Fixar horários para checar WhatsApp, por exemplo, é uma medida que tenho tentado implementar, mas com dificuldades. É incrível a capacidade que as novas tecnologias têm de parecer imprescindíveis de imediato quando, em verdade, ontem elas sequer existiam.

    • 09/09/2016 at 00:17

      Rafael, mas tem alguns problemas. Sei como é pois quando entrei para o mundo dos EMAILS, e eu não tinha Internet no trabalho, fazia a verificação somente à noite. A escassez dos recursos tecnológicos colocados à disposição dos usuários levava ao controle e bom senso. A fartura que vivemos (ZILHÕES de apps são despejadas todos os dias na “stores” provoca esta orgia desenfreada. O pior é que os preguiçosos, charlatães, estelionatários intelectuais et caterva, estão nadando de braçada. Mas estou preocupado com o amanhã…

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.