Crime Ambiental

Não foi acidente (14)

O assunto começa a cair no esquecimento. Das manchetes de portais e capas de jornais, para as páginas Internas em cadernos diversificados (Cotidiano é o preferido, quando deveria estar no Caderno de Polícia) e emalguns órgãos da mídia virou notinha de colunista.

Uma barragem da mineradora Samarco, localizada no município de Mariana (MG), controlada pela Vale (Multinacional de origem brasileira privatizada) e BHP (mineradora de origem australiana), rompeu-se no dia 5 de novembro de 2015, deixando um rastro de 19 mortos (um corpo ainda não encontrado) e o maior desastre ambiental, não natural, do Brasil e possivelmente do mundo, nos últimos tempos.

Crônica de um crime anunciado. Crime que segue cheio de desculpas, cheio de atos duvidosos, cheio de enrolação. O mar de lama mais do que poluiu a bacia do Rio Doce até a sua foz, no Espírito Santo. O mar de lama atingiu profissionais e prestadores de serviço que omitiram, adulteraram e sonegaram informações reais de todo o processo. O mar de lama segue matando e prejudicando pessoas.

Confirma-se o crime ambiental e contra a vida humana e as atitudes e comportamentos de autoridades se mostram deploráveis a cada anúncio de “novidades” sobre o caso. Não vamos nos esquecer. Não somos a mídia comprometida.

Investigação

A investigação sobre o crime ocorrido em Mariana buscou responder, dentre muitas, às seguintes perguntas:

  • Por que aconteceu um fluxo fluido de rejeitos?
  • Por que o fluxo fluido de rejeitos ocorreu no local onde ocorreu?
  • Por que o fluxo fluido de rejeitos ocorreu no dia 5 de novembro de 2015?

E as respostas obtidas levaram ao indiciamento de seis dirigentes da Samarco, um engenheiro da VogBR e o gerente do complexo da controladora Vale em Mariana, por crime ambiental. Os diretores da Samarco foram afastados para responderem ao processo.

As Investigações provocaram anúncio sobre as causas e responsabilidades. Os dirigentes Roberto Carvalho (Samarco), Murilo Ferreira (Vale) e Dean Dalla Valle (BHP), não se apresentaram para responder perguntas e nem comentaram os resultados divulgados pela investigação. Disseram que esperam que estes resultados sirvam para que eles aprimorem a segurança das mineradoras, admitiram de certa forma ao menos o crime ambientem e pediram desculpas pela tragédia dos familiares e amigos das 19 vítimas e pelos danos causados às comunidades e ao meio ambiente.

Desculpa só não basta ! Entenderam ?

Compensação

O Ministério Público Estadual de Minas Gerais acionou a Justiça para obrigar a Samarco e suas controladoras, Vale e BHP Billiton, a repassarem à Prefeitura de Mariana mensalmente R$ 1,3 milhão para gastos do município com Saúde e Educação. A promotoria esclarece que este valor é uma média mensal da arrecadação referente à  Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), tributo federal que deixou de ser pago pela Samarco com o embargo das atividades no município. A prefeitura argumenta que tem mais de R$2 milhões de despesas mensais com Saúde e Educação e que este valor não atinge a necessidade mínima do município.

Além desta ação, o Ministério Público tem mais 15 ações ajuizadas sobre a questão do rompimento da barragem. Além disso, outros entes do Poder Público, em Minas Gerais e no Espírito Santo, tem autonomia para outras ações com o mesmo objeto. A Samarco pediu desculpas mas não começou a compensar financeiramente, e de verdade, nem 10% dos atingidos pelo crime ambiental e contra a vida.

Continuaremos a nossa luta. Não nos esqueceremos !!!

Foto: AgEstado

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.