Colégio Arquidiocesano - Antônio Pereira

Não foi acidente (16)

O assunto vai e volta.Quase um ano, falta pouco. Das manchetes de portais e capas de jornais, para as páginas Internas em cadernos diversificados (Cotidiano é o preferido, quando deveria estar no Caderno de Polícia) e em alguns órgãos da mídia virou notinha de colunista.

Uma barragem da mineradora Samarco, localizada no município de Mariana (MG), controlada pela Vale (Multinacional de origem brasileira privatizada) e BHP (mineradora de origem australiana), rompeu-se no dia 5 de novembro de 2015, deixando um rastro de 19 mortos (um corpo ainda não foi encontrado) e o maior desastre ambiental, não natural, do Brasil e possivelmente do mundo, nos últimos tempos.

Crônica de um crime anunciado. Crime que segue cheio de desculpas, cheio de atos duvidosos, cheio de enrolação. O mar de lama mais do que poluiu a bacia do Rio Doce até a sua foz, no Espírito Santo. O mar de lama atingiu profissionais e prestadores de serviço que omitiram, adulteraram e sonegaram informações reais de todo o processo. O mar de lama segue matando e prejudicando pessoas.

Confirmou-se o crime ambiental e contra a vida humana e as atitudes e comportamentos de autoridades se mostram deploráveis a cada anúncio de “novidades” sobre o caso. Não vamos nos esquecer. Não somos a mídia comprometida. Os últimos lances preocupam ou aliviam?

Falsa filantropia

Nos tempos atuais, pilantropia passa-se por filantropia. Grandes empresas e corporações acabam obtendo grandes descontos e benesses a partir de falsa filantropia como escola para funcionários, ações sociais em comunidades prejudicadas pelas atividades exploratórias, como é o caso das mineradoras responsáveis pelo crime de Mariana.

Prestes a completar um ano do crime ambiental, ecológico e contra a vida humana, muitos foram surpreendidos com a chantagem de Samarco que anunciou que a unidade Cônego Paulo Dilascio, na Vila Samarco, da cidade de Antônio Pereira, resultado de convênio entre a mineradora e o Colégio Arquidiocesano, e que provê, através de infraestrutura, com aproximadamente 80 professores e funcionários vai fechar. Além de prejudicar funcionários da Samarco, moradores da localidade sairão perdendo pois seus 260 filhos que estudam na unidade terão problemas e dificuldades financeiras se houver continuidade de funcionamento. E o convênio iria até o final de 2018, o que não será cumprido. A empresa arguir “dificuldades financeiras” nesta caso é coisa de gente muito canalha.

Quase um ano e a população que margeia o Rio Doce, desde a Barragem de Fundão até a foz do rio no Espírito Santo, continua pagando pelo crime dos outros. Que filantropia é esta?

Imagem: Colégio Arquidiocesano – Divulgação

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.