Erro de Empreendedor

Crise: Empreendedores despreparados (10)

A ideia desta série de posts com este tema é apresentar situações que todo empreendedor ou candidato a patrão deveria parar e pensar, antes de sair culpando os outros pelas dificuldades de um negócio próprio.

Deixar a carteira de trabalho pra trás e empreender ou virar patrão exige muito mais do que conhecimento do ramo. Aliás, a maioria dos que aventuram no mundo do patronado se dão mal no ramo que julgam conhecer. Quem se dispõe a aprender, a entender o que é gestão, aumentam as chances de não naufragar. Mas existem os casos de empreendedores que navegam na onda de um bom negócio e, de repente, não conseguem se manter, ou o negócio é pequeno demais para as pernas do empreendedor.

Erros dos Experientes

No post anterior da série, falando de dez erros capitais e mortais que empreendedores principiantes cometem. Neste post é a vez dos “experientes”. Assim como no anterior, não tem nada de novo, e se a empresa é bem administrada a atenção com estes pontos é constante. Numa empresa em funcionamento, novos projetos tem que servistos como novos empreendimentos e vícios de serviços e processos antigos não podem comprometer a saúde da empresa.

Após decisões acertadas e erradas nas empresas, é possível que “restos” de erros se acumulem e contaminem novos projetos ou propostas de mudanças. O grande problema é quando um dos erros a seguir indicados é cometido e coloca-se pano quente achando que “uma hora muda”. Também não resolve, virar a mesa de todo mundo, como fez Ricardo Semler, em seu famoso “case“.

Armadilha 1: Perda da Cultura

Empreendimentos Ou projetos dentro de uma empresa em que uma reunião, decisão, reformulação, revisão, contratação e demissão não esteja claro para sócios, gerentes, assistentes e até, em muitos casos, estagiários e terceirizados faz com que todos os colaboradores não sintam firmeza na direção. Estes colaboradores não serão conquistados. O risco de clientes serem contaminados por esta perda de cultura é grande. Perder clientes ou contratos em prospecção por conta de vacilos de identidade e decisão são o primeiro sinal.

Armadilha 2: Falta de Gestão

Gestores, Assistentes, Colaboradores, Fornecedores devem ver a gestão na empresa. Controlar colaboradores pelos minutos que chegam atrasados ou saem mais cedo não é gestão. Nem nos serviços públicos atuais esta prática funciona, num pequeno empreendimento um modelo de gestão “negociado” é o mais apropriado. Em projetos específicos em que as próprias pessoas do projeto serão os operadores do produto/serviço, o gestor principal deve ser extraído dos participantes do projeto. Gestão pela Fé ou Gestão Conivente nunca foram boas conselheiras.

Armadilha 3: Planejamento Estratégico Nulo

Uma das piores situações é fazer planejamento estratégico por conta da contratação e consultores. Planejamento Estratégico é ferramenta crucial para definir os caminhos da empresa dia-a-dia, com correções semanais, mensais, semestrais. Despejar esforço em planejamentos estratégicos anuais ou de prazo maior e eles se transformarem em peça da burocracia é erro grave.

Armadilha 4: Descuido com os Recursos Humanos

Erros com recursos humanos começam com demissão dos melhores funcionários, geralmente os mais onerosos, para contratação de inexperientes por menos dinheiro de salário, desconsiderando os custos de capacitação, erros involuntários e outros.

Uma demissão precipitada pode provocar uma contratação errada e o custo ser muito maior do que manter o Profissional que conhece o negócio. Se considerarmos atividades-fim e postos-chave dos empreendimentos, o cuidado deve ser triplicado. Neste sentido, uma contratação errada deve ser corrigida o mais rápido quanto possível. Os colaboradores devem ser avaliados, seriamente, quanto a remuneração, liderança e qualidade do trabalho, evitando-se comparações com trabalhos diferentes feitos por outros colaboradores.

Armadilha 5: Investimento x Custo x Despesas

É muito comum os empreendedores em tempos de fartura confundirem investimento, receitas não-operacionais, custo, despesas fixas, despesas variáveis, dentre outras. Nem sempre, as classificações contábeis são dominadas pelos sócios e sócios-gerentes. Na hora de repartir os resultados, quando estes elementos não são entendidos e separados, o resultado pode complicar a guerra. Alguns recursos ou receitas tem que ser destinados a ações e atividades que Possam contribuir com o aumento das receitas futuras e suprir as despesas fixas. Percentuais do orçamento para marketing, apoio às vendas, verbas de representação, capacitação e treinamento, melhoria do ambiente de trabalho são algumas das finalidades de recursos considerados investimento. Como dizem alguns consultores de empreendimentos. Empreendedor que classifica despesa de telefone na mesma conta contábil que abriga as despesas com brindes, não vai longe.

Armadilha 6: Concentrar o faturamento em único cliente.

É o desejo de todo empreendedor. Começa a trabalhar, receita pulverizada em duas dúzias de clientes, conquista pequenos serviços num grande cliente e após mostrar serviço, mais de 60% de seu faturamento está com um único cliente. Receita do fracasso!

Para não ser nem 8 e nem 80, a distribuição deve ter uma razão em que o maior cliente não ultrapasse os 30% do faturamento e os menores clientes não sejam responsáveis por menos de 3%. Não é uma regra fixa, mas permite que a gestão fique mais equilibrada. Já vi casos em que os clientes pequenos passam a ser atendidos por empreendimentos-filhos, com outras margens e preços.

Armadilha 7: Falta de Atenção e Resiliência.

Existem ao menos mais uma dúzia de erros como estes. Dificilmente, a ocorrência de um erro, isoladamente, não provoca a destruição completa da empresa. Em algumas condições, um erro contamina outras atividades e provoca outros erros. Ficar atento a todas estas situações (e outras atividades caso elas sejam fortes e importantes no empreendimento) é essencial. Ser resiliente (aquele que se mantêm firme diante das ameaças e insucessos) é fundamental. Desesperar e entregar os pontos logo quando se vê em dificuldades é o primeiro passo para a catástrofe.

Consultoria

Sempre que estiver com problemas, ao menos converse com um terceiro não envolvido no problema. Troque ideias com fornecedores de confiança, converse com clientes que vacilam na renovação de contratos. Ser transparente com quem merece é o princípio básico. Virar as costas para os problemas não fazem com que se resolvam.

Imagem: Reprodução Internet (Autoria não-identificada)

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