Casa Destruída - Bento Rodrigues

Não foi acidente (17)

Faltando poucos dias para completar um ano, o maior crime ambiental do país começa a voltar às manchetes de portais e capas de jornais. Parece que será somente para enganar a população dizendo que a mídia não se esqueceu.

Uma barragem da mineradora Samarco, localizada no município de Mariana (MG), controlada pela Vale (Multinacional de origem brasileira privatizada) e BHP(mineradora de origem australiana), rompeu-se no dia 5 de novembro de 2015, deixando um rastro de 19 mortos (um corpo ainda não foi encontrado) e o maior desastre ambiental, não natural, do Brasil e possivelmente do mundo, nos últimos tempos.

Crônica de um crime anunciado. Crime que segue cheio de desculpas, cheio de atos duvidosos, cheio de enrolação. O mar de lama mais do que poluiu a bacia do Rio Doce até a sua foz, no Espírito Santo. O mar de lama atingiu profissionais e prestadores de serviço que omitiram, adulteraram e sonegaram informações reais de todo o processo. O mar de lama segue matando e prejudicando pessoas.

Confirmou-se o crime ambiental e contra a vida humana e as atitudes e comportamentos de autoridades se mostram deploráveis a cada anúncio de “novidades” sobre o caso. Não vamos nos esquecer. Não somos a mídia comprometida.

Pegadas

“Um ano depois, a Samarco quer apagar a cena do crime”, é o que diz um operador de máquinas que trabalhava no complexo de mineração e que só viu sua casa soterrada muito depois do dia fatídico. As operações que estão em andamento, segundo este trabalhador, podem colocar mais lama e detritos sobre o que foi soterrado. Pegadas nunca mais.

O rastro de destruição deixado pelo rompimento da barragem não se apagará facilmente, mais do que marcas do crime, a mente das pessoas não será apagada em nenhuma das localidades atingidas pela lama, especialmente em três cidades ligadas diretamente às atividades da mina e mineradora Samarco: Mariana-MG (mina), Linhares-ES (foz do Rio Doce) e Anchieta-ES (porto exportador).

Desemprego e Destruição

As três cidades mencionadas, embora e sede de seus municípios possa não ter sido atingida pela lama, são as grande prejudicadas neste crime sem precedentes. Mariana é altamente dependendo da economia gerada pela exploração do minério e pelas atividades da Samarco. Anchieta tem como fonte de renda alternativa ao turismo somente as atividades relacionadas ao porto e Linhares não recebe receitas da mineradora mas foi a que teve suas atividades turísticas mais prejudicadas por conta de suas praias e negócios prejudicados pela lama.

Em Mariana, pais de alunos que frequentam uma das escolas que recebe subvenções da Samarco foram surpreendidos com o cancelamento de subvenções, parcial ou integralmente, e não sabem o que fazer para recolocar seus filhos em escola equivalente ou onde arrumar dinheiro para pagar a escola.

Em Anchieta,na Vila Samarco, onde a maioria das família tem atividades relacionadas à mineradora um empresário, fornecedor da Samarco, teve seu contrato rompido, sua empresa foi à falência e foi obrigado a demitir mais de 120 funcionários, criando uma situação insustentável para mais de 100 famílias que dependiam dos empregos e que não vislumbram recolocação na cidade. Muitos nem receberam as rescisões a que tinham direito.

Em Linhares a situação é grave. Os alertas de que a pesca continua proibida por determinação judicial são constantes. Analistas de meio ambiente avisam que amostras são recolhidas e que organismos obtidos dos pescados mostram elevados niveis de contaminação por metal. Pescadores da região não contaminada temem que o período chuvoso force a interdição e proibições para locais não afetados. A Fundação Renova (criada pela Samarco, Vale e BHP) elabora planos de emergência, junto a órgãos públicos) para tentar evitar a piora da situação.

Infelizmente, um ano após, só paliativos e muita enganação. Certo mesmo é que o desemprego e o terror foram instalados e só está crescendo.

Imagem: Folhapress

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.