Hacker

O mundo mudou, o mundo está mudando …

Nos Estados Unidos, inventaram uma forma de ´glamourizar` a educação com algo que já existe há muito tempo. É igual aquela história dos food truck. Pega uma comida que existe há muito tempo, coloca na carroceria de uma caminhãozinho e voilà, temos qualquer coisa gourmet.

Professores

Fico vendo os professores em terras tupiniquins, em muitos casos corretamente dispostos a defender a educação de qualidade e universal, mas em outros casos totalmente equivocados e se achando o máximo.

Alguns anos atrás, passei por um processo seletivo de uma faculdade particular. Teria que dar uma aula-demonstração em que eu escolheria um assunto para os temas propostos. E, achando que estava super preparado para um tema inovador (EaD), parti pra cima. Dei uma aula muito boa (a modéstia… sabem como é!). Dois dias depois recebi o resultado: “…nós ainda não estamos preparados para isto … “… Eu perguntei: Mas a aula que eu dei não era defesa de proposta, dou aulas em outras disciplinas. Em vão (um dia conto a história toda!).

Os professores no Brasil e no exterior, em sua larga maioria, quando trabalham em pesquisa tem sugado mais de seus alunos (alguns tem taxas de  royalties fixas) do que os filósofos gregos da Antiguidade.

Hackers

Um dos termos mais vilipendiados da história da comunicação é o termo HACKER. Talvez a minha eterna birra, desconfiança e indisposição contra jornalistas seja por conta deste termo. Nenhum deles entende e sai publicando asneiras.

Um hacker pode atuar na área de tecnologia, mas um de seus principais atributos é reverter a ordem das coisas. Hackers tem dificuldade com formalismos como a ideia de que professores ditam cátedra e alunos aprendem mais quanto mais forem passivos (e não me venham com construtivismos piagetianos e assemelhados !).

Hackers é um indivíduo que se dedica, com intensidade incomum, a conhecer e modificar os aspectos mais internos de sistemas, dispositivos, processos. Um hacker frequentemente consegue obter soluções e efeitos extraordinários, que extrapolam os limites do funcionamento “normal” dos sistemas como previstos pelos seus criadores.

Glamourização

Copiando iniciativa realizada em Paris (ou seria continuidade em outro ambiente?) dizem ter criado uma universidade “revolucionária”, sem professores, onde não há livros e nada é pago (estes almoços gratuitos! Dizem que é a tática do traficante onde a primeira dose é gratuita), acaba de ser aberta no Vale do Silício, na Califórnia a Universidade 42 . A ideia de receber, por ano, mil estudantes interessados em programação de computadores e desenvolvimento de software para que se “formem”,não recebam diploma algum e sejam direcionados para empregos “dos sonhos”.  Os criadores da 42 afirmam que os alunos trabalharem sempre em grupo e avaliam os trabalhos uns dos outros é um método de aprendizagem melhor que o sistema tradicional e que incentiva os estudantes a deixarem de ser receptores passivos de conhecimento.

O conhecimento deve ser LIVRE, logo ao transmitir conhecimento, cada um deve entender que não é dono de nenhuma ideia transmitida. Os hackers prezam este tipo de liberdade e não é por acaso que as liberdades preconizadas pela ideia do software livre são consistentes. Aí aparecem estes caras posando de bonzinhos e que deixarão usar a “universidade” sem professores com nada em troca. #SQN !!!

Posso estar enganado, mas professores arcaicos e aqueles que não abandonam a lousa já deram tiro no pé e não perceberam. Foram engolidos enquanto batiam panelas. E a Universidade sem professores vai enganar a todos.

Lamento que Iniciativas como hackerspaces, mais produtivos, inventivos, inovadores, revolucionários de verdade, não consigam espaços e recursos de ninguém que tenha objetivos coletivos e comunitários e este tipo de universidade “revolucionária” seja tratada como tal só porque elimina professores e mantêm o método de usurpação do conhecimento.

“O sistema, mesmo quando errado, tem tanto medo da mudança que prefere danificar algo novamente do que aceitar o novo, o diferente.” (UX Urban Experiment)

Imagem: UOL

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.