Protesto um ano

Não foi acidente (18)

Não tem nem um ano que tenho este blog, mas passou um ano do maior crime ambiental do país. Na comemoração (???) de um ano, os jornalões voltaram a tocar no assunto. Estou muito triste com este assunto.

História – Um ano

Uma barragem da mineradora Samarco, localizada no município de Mariana (MG), controlada pela Vale (Multinacional de origem brasileira privatizada) e BHP(mineradora de origem australiana), rompeu-se no dia 5 de novembro de 2015, deixando um rastro de 19 mortos (um corpo ainda não foi encontrado) e o maior desastre ambiental, não natural, do Brasil e possivelmente do mundo, nos últimos tempos.

Crônica de um crime anunciado. Crime que segue cheio de desculpas, cheio de atos duvidosos, cheio de enrolação. O mar de lama mais do que poluiu a bacia do Rio Doce até a sua foz, no Espírito Santo. O mar de lama atingiu profissionais e prestadores de serviço que omitiram, adulteraram e sonegaram informações reais de todo o processo. O mar de lama segue matando e prejudicando pessoas.

Confirmou-se o crime ambiental e contra a vida humana e as atitudes e comportamentos de autoridades se mostram deploráveis a cada anúncio de “novidades” sobre o caso. Não vamos nos esquecer. Não somos a mídia comprometida.

Pescadores

Pensei muito no que escrever neste um ano. Li quase tudo que foi publicado. Uma conversa de boteco me convenceu a escrever somente sobre um dos assuntos ou um grupo de pessoas que foram atingidos pelo crime ambiental. Meu interlocutor, no decorrer do papo sobre o estouro da barragem, passou a defender a empresa, pedir a condenação dos profissionais acusados (inclusive dirigentes das mineradoras) e culpar algumas vítimas acusando-as de oportunistas. Por pouco não apareceu a palavra chantagistas, numa referência aos pescadores que recebem indenizações.

Foi criada uma ONG, ou similar, de nome Renova, que parece cuidar para que tudo volte ao normal, para que todos voltem ao trabalho e o dano social provocado pela mineradora, às diversas comunidades que orbotam sobre esta atividade econômica seja mitigado.

Quase 3.500 pescadores entraram com uma ação coletiva contra a Samarco. Eles alegam que a mineradora e a Renova têm evitado discutir indenizações e falam apenas em ressarcimento das perdas.

Um dos representantes destes pescadores, Cláudio Alvarenga demonstra a insatisfação de todos quando declara que: “… até concordamos com a proposta de que eles paguem pelo material que estragou ou foi perdido. Mas e as perdas daqui para frente? E os lucro que deixaremos de ter?”. A entidade representa 250 famílias. Segundo Alvarenga, 90% delas tem recebido o cartão de auxílio da Samarco, de um salário mínimo, mais 20% por dependente e uma cesta básica.

Alguns recebem auxílio, outros não.

Se está assim com esta categoria de pescadores, imaginem com os trabalhadores diretos e outros que dependiam das operações da mineradora. Preocupa mais ainda quando encontramos alguém que não tem a mínima noção do que acontece com estes trabalhadores e vem apresentar alguma ilação sobre o que pensam e o fazem estes pescadores.

Lamentável situação de um ano do crime ambiental mais grave do país.

Imagem: O Globo

2 comments for “Não foi acidente (18)

  1. Fernanda Ranieri Araujo
    28/11/2016 at 17:58

    É de indignar.
    É um soco na cidadania, na seriedade, na responsabilidade.

    • 05/12/2016 at 17:00

      Fernanda, é muito mais do que isto. Eu fico sem palavras para mostrar minha indignação com estas coisas e me sinto coagido e constrangido e nem tocar no assunto, como se eu tivesse culpa ou não tivesse o direito de DENUNCIAR. Vou continuar mantendo estes posts sobre o crime de Mariana a cada quinze dias… Não tenho Outro opção.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.