Torturando Núemros

Torturando Números e Palavras

Mentira

Acima de tudo, Mark Twain (*) dizia, por exemplo, que existem três tipos de mentiras: As mentiras, as mentiras deslavadas e as estatísticas. Da mesma forma, existe uma frase, que não consegui descobrir a autoria, que diz: “Espanquem os números que eles confessam qualquer coisa”. Similarmente, torturando os números, deve-se conseguir qualquer confissão.

Júlio César Mello e Souza que atendia pelo codinome Ali Iezid Izz-Edim ibn Salim Hank Malba Tahan ou em tempos atuais responderia pelo nickname Malba Tahan, escreveu contos e crônicas diversos, mas dois são especiais, para o escritor que mergulhou fundo no seu pseudônimo: “Os numeros governam o mundo” e “O homem que calculava”.

Em suma, a moral destas história é uma só: Torturando números prova-se qualquer teoria absurda.

Torturando Números no Brasil

Por exemplo, neste país um aumento de combustível de 3,5%, no período de um ano, leva hordas de revoltados às ruas. Por outro lado, faz com que caminhoneiros quase parem o país e saiam em passeata na Capital Federal. Entretanto, um aumento de quase 20%, num único mês, do mesmo produto, não provoca nenhuma reação. Se bem que, a não ser por declarações fake-indignadas de proprietários de veículos de passeio ao abastecerem seus carros de passeio. Com toda a certeza, tem muita coisa de errado com estes números e estas pessoas.

Torturando Números

O Governo do golpisto não tem noção nem de quanto tempo está no governo. Quando interessa, considera a data da posse definitiva, em 31 de agosto, como se o país tivesse sem presidente desde o afastamento da presidenta. Em outras situações, o golpisto anda torturando números desde janeiro de 2016. Certamente, ele quer mostrar seus avanços, como se todo o primeiro semestre tivesse sido ele o mandatário máximo. Por outro lado, sempre de maneira conveniente, utiliza a data do afastamento de sua antecessora e ex-colega de chapa. E a patuleia vai atrás.

Uma coisa é certa, a conspiração começou logo após a eleição de 2014 e a prática de ficar torturando os números vem de longa data.

Espancando Números

Decidi, ao mesmo tempo, que a partir de janeiro de 2017 não irei mais debater, comparativamente, governo do PT x Governo do PSDB e muito menos, comparando com Governo do Golpisto. É simples. Sem prazos equivalentes e sem datas fixas e valores equalizados fica  difícil a interlocução. Uma fraude e corrupção de 1 bilhão de reais, que não deu em nada e não levou ninguém à prisão, não pode ser comparada com uma fraude e corrupção de 100 milhões de reais que levou vários à prisão inclusive alguns que participaram da fraude de R$1 BI. Portanto, concluo que é muito desequilíbrio de números para se debater questiúnculas de somenos.

Para mim, antes que digam que sou impaciente ou estou com raiva, a partir de janeiro, vai ficar difícil debater alguns pontos do governo Temer como: 1) Redução de Ministérios; 2) Reajustes e auditorias no Bolsa-Família; 3) Moralização nas nomeações das estatais (essa é lapidar !!!); 4) Controle da cotação do dólar (RSRSRS); 5) Limite dos gastos públicos por 20 anos; 6) Reforma do ensino médio; 7) Reforma trabalhista; 8) Repatriação de capitais do exterior; 9) Extinção de mais de 14 mil cargos e funções comissionadas; 10) Valorização das ações em bolsa das estatais; 11) Saldo de U$45 Bi no comércio exterior; 12) Diminuição do Risco Brasil (ai que saudades do Risco em 2012 !); 13) Renegociação das dívidas estaduais …

Vou parar por aqui, 13 parece ser uma quantidade de itens bem emblemática. E, se alguém ficar torturando números, vai causar urticária em muito leitor. Surpreendentemente, a cada dia, fico mais lisonjeado com a QUALIDADE dos que se declaram leitores(as) deste minifúndio digital.

Diversionismo

Em outras palavras, se o jornalismo no país fosse sério; teríamos investigadores na própria Internet; teríamos pessoas buscando associar as coisas e fato conforme cronologia apropriada; teríamos profissionais da imprensa preocupados com fatos e não com números.

Maldito o editor e professor de jornalismo que adestrou estes profissionais da mídia a vomitarem números que não fazem nenhum sentido para justificar a preguiça de investigar fatos, verificar números, desarmar falácias. Rigorosamente falando, é muito pior no uso das palavras, onde a mentira e falácias se fazem presentes. Virou terra-sem-lei com o advento das redes sociais, os manuais de redação estão jogados no lixo, há muito tempo.

Enfim, lamento desapontá-los, uma vez que não aprecio gente adestrada que reproduz  aqueles que ficam torturando números e defecando em rede social.

 

(*) Na realidade, não foi Mark Twain quem disse isto, mas o mundo aceitou que tenha sido ele e como ele estava morto, nem pode se defender.

 

Imagem: Reprodução Internet

P. S. –  Reitero também o pedido feito em muitos momentos da vida deste blog e presente na página de “Advertências“. Observações, sugestões, indicações de erro e outros, uma vez que tenham o propósito de melhorar o conteúdo, são bem vindas. Coloquem aqui nos comentários ou na página do Facebook

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