Hábitos Empresariais

Entre o fracasso e o sucesso profissional

As relações profissionais já foram mais amenas e efetivas. Houve um tempo em que as pessoas que trabalhavam juntas até viravam amigas. Era comum até casamentos ( e casos extraconjugais) surgirem das relações profissionais. Amizades se fortaleciam e a cumplicidade pessoal alinhava-se com a consciência de equipe.

É claro que cada caso é um caso, cada empresa é uma empresa. Mas esta regra geral de relações pessoais cordiais nas organizações está se perdendo. Pra mim, perdeu-se há muito tempo. E pelas observações que venho fazendo perdeu-se quando os gestores inventaram modelos que “incentivavam” a competição interna entre setores, quando transformaram equipes que se complementavam em centros de custos que deveriam buscar em outros centros de custos seus “clientes”.

Existem alguns hábitos ou comportamentos que eram visto de forma diferente pelos gestores de hoje em dia, especialmente por gestores “moderninhos” que imaginam as teorias que ouviram falar naquele seminário legal em Cancún são aplicáveis porque são legais, ou que medidas adotadas na corporação X pode ser adotada por alguns na empresa Y.

Estes comportamentos determinam, de maneira perversa, o sucesso ou o fracasso profissional de projetos, pessoas e até organizações inteiras.

Discrição

Quando uma pessoa mantinha a discrição em reuniões ou no ambiente de trabalho, era sinal de respeito e concentração naquilo que deveria fazer. Hoje em dia, ambientes corporativos tóxicos, vêem que atua com discrição como um desajustado. A moda é falar detudo e todos em redes sociais e ouvir palpites em reuniões.

Proatividade

Na maioria das situações comportamentais das empresas, ser proativo ou como diziam antigamente, inquieto, era um fator positivo. Deixou de ser. As pessoas se não limitarem a ansiedade, se mostrarem interesse por coisas que não estão nas suas atividades deixará colegas inseguros e desconfortáveis. Tornou-se um mau hábito que espanta os colegas, principalmente os incompetentes.

Pontualidade

Talvez um grande problema da cultua empresarial brasileira. Já escrevi sobre procrastinação e seus males para as pessoas. Mas vivenciei situações bizarras em que colegas de serviço pediram para eu não ser tão pontual pois não precisávamos bater ponto e eu chegando muito cedo poderia incitar o chefe a cobrar o mesmo dos demais. Pontualidade em reuniões ou agendas, principalmente internas, virou ofensa aos atrasadinhos. Antes, chegar atraso era sinal de descuido e negativo. Agora tem que perguntar qual o atraso, para não ser ovelha negra nas agendas das outras pessoas.

Sorrisos democráticos

A hipocrisia sempre foi presente em ambientes organizacionais. Era um pouco Inofensiva e fazia parte da política de boa vizinhança. Em tempos de concorrência acirrada, virou meio de vida esbanja sorrisos democráticos e hipócritas. Enquanto não prejudica a empresa, é aceitável. Ninguém é obrigado a gostar de tudo e de todos. A partir de determinado momento, rancores e desconfiança começaram a prejudicar empresas. A situação agrava-se quando passou a existir explicitamente o tal assédio moral. Sinceridade virou Uma forma de rotular as pessoas negativamente.

Copiando comportamentos

Na educação infantil existe o “faça o que eu faço”, na adolescência, grupos costumam ter ritos e seguirem o que o “chefe manda”. No ambiente adulto e profissional, o comportamento de copiar o que os outros fazem, especialmente em relação às chefias e supervisores nas grandes corporações e aos donos das empresas menores, virou epidemia. Funciona para manter emprego. Não funciona para crescimento da organização e nem pessoal.

 

Finanças pessoais

A cooperação entre colegas de trabalho era mais efetiva. Tá certo que os tempos eram outros. A poupança era possível e os consórcios eram uma forma de ajudar uns aos outros. Trabalhei em empresas que havia um “final de semana feliz” onde grupos definidos juntavam dinheiro para alguém passar um final de semana com mais dinheiro no bolso. Tá, era paliativo, mas ajudava as pessoas. Hoje, após muitas experiências desagradáveis, o assunto finanças ficou proibido no ambiente empresarial. Pior, a competição e necessidade de mostrar-se mais esperto e mais “inteligente” no uso do dinheiro, entre os colegas, prova sentimentos ruins nas pessoas e na organização.

Mentiras

Ainda na linha da competição pessoal que prejudica a corporação, a honestidade e relato de fatos de forma correta virou afronta. As pequenas inverdades viram bola de neve fora de controle. Se as pessoas prestarem atenção verão uma pessoa falando uma história com você e, mesmo que você esteja presente em outro momento e com outras pessoas, a história ganha uma versão diferente do mesmo autor. Quando estas mentirinhas são de cunho pessoal, deve-se relevar, quando descambam para o profissional é melhor se afastar. Mentirosos contumazes podem galgar degraus numa empresa, é irritante, mas compreensível. Virou epidemia nas corporações.

Autêntico

É vital ser autêntico. Em outras épocas já fui penalizado por falar o que pensava. Hoje em dia penso numa frase de um personagem de seriado de TV: “… se este povo não gosta de mim pelo que falo ou escrevo, imagine se soubesse o que penso …”. Ser autêntico no mundo profissional, familiar, nas relações sociais, definitivamente, não vale a pena. E não interessa se o que você diz é sincero ou é dito para que todos evoluam. Você sempre parecerá aos olhos de seus detratores uma pessoa rude e de opiniões desnecessárias, mesmo que você diga alguma coisa exclusivamente para quem deveria ouvir.

Fofoca

Radio-peão, rádio-corredor e outras tantas denominações são a forma de comunicação corporativa mais eficiente. Um perigo. Um chefe ou alguém a serviço da direção da empresa que espalha uma informação privilegiada, vira fonte “confiável”. Tudo que disser dali em diante será #FATO. O fofoqueiro não tem limites, é rancoroso, é pernicioso, é uma erva daninha para a corporação. A fofoca  provoca baixa da produtividade e deteriora relações pessoais. E ainda tem gente que imagina ser agradável por estar por dentro de todas as fofocas e empregadores/chefes imaginam que tem algo de positivo nisto.

Reclamação

Outro péssimo hábito é aquele associado àquela personagem d desenho animado; “Ó vida !, ó dor !”… a hiena que reclama de tudo, critica tudo, só vê as coisas ruins. Gente assim é individualista e ao acordas cedo e se olhar no espelho, vê tudo de ruim que está impregnado na sua mente. Se chove está ruim, se não chove está péssimo. Costumo dizer que gente assim, se tiver orgasmos múltiplos e sucessivos, irá reclamar. Resmungam O tempo inteiro sobre questões triviais e nunca assumem sua parcela de (IR)responsabilidade pelas coisas não estarem como deveriam estar. São egocêntricas e individualistas. Criam situações e um ambiente ruim nas empresas sempre. E se encontram alguém autêntico, logo cuidam de provocar fofocas contra.

Afastamento

Saber se afastar de alguns comportamentos e pessoas, dentro das empresas, é um dom. Entretanto, este hábito pode atrapalhar a organização e o desenvolvimento profissional. A comunicação interpessoal nas empresas depende de presença e relacionamento a grupos e pessoas. O afastamento de grupos e a manutenção de relações individuais podem prejudicar a organização e as relações pessoais. Continuar ouvindo, mesmo que afastado, é uma das situações necessárias quando o afastamento é inevitável.

Estes comportamentos podem indicar sucesso ou fracasso. Assim como na dicotomia do remédio e o veneno, a diferença está na dose de cada um destes comportamentos.

Charge: Autoria não identificada

 

 

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