Sublime e Belo

Rede Social: Sublime e Belo

Estética

Na filosofia, a estética apareceu como tema de estudo no século XVIII e até nos dias atuais, perdura as questões à ela relacionadas. A Internet potencializou a troca de informação e opinião das pessoas. Entretanto, a popularização global das redes sociais fez explodir os conceitos de coisas sublimes e belas. Vemos, atualmente, muitas pessoas criticando as redes sociais como mundo de fantasia, onde tudo é maravilhoso, para algo que não é sublime e belo.

Ocasionalmente, a questão pode parecer simples, as pessoas as tornam, falaciosamente, simples, mas é complexa. Neste sentido, as hipóteses da estética (a beleza e sua percepção) surgiram em contraposição ao pensamento racionalista, e afirmam que os julgamentos de beleza são imediatistas e diretos. Os racionalistas defendiam a reflexão e análise e não tratar esta avaliação com imediatismo e percepção instantânea.

Tempo de resposta

Nossa sociedade e nossos meios de comunicação nos colocaram numa situação de que, temos que responder a tudo rapidamente. Por isso, redes sociais de respostas rápidas estão fazendo o sucesso que fazem. Assim como no chavão sobre notícia ruim correr como um rastilho de pólvora. As pessoas tem aderido às redes sociais para se sentirem incluídos no sentido de sublime e bela que estas redes emanam.

A agilidade e tempo de resposta rápido tornam tudo mais superficial ainda. Não existe espaço para reflexão. O imediatismo “exigido” no comportamento das pessoas em rede social é aterrorizante. É comum ( virou epidemia ), a pessoa postar alguma bobagem ou inutilidade no Whatsapp e ficar esperando alguém receber, abrir, visualizar, responder. Em raríssimas situações que se desenvolvem por motivos profissionais ou comerciais, poderia fazer sentido. O egoismo, imediatismo e a insensibilidade nada tem se sublime e belo.

Sublime e Belo

Ficou muito complicado tentar trazer para o mundo digitas das redes sociais qualquer coisa que diga respeito à filosofia. Consequentemente, piora muito quando o conceito de sublime e belo, originalmente questionado pelos racionalistas. O sublime e belo indicam um imediatismo e alto desinteresse pelo que os outros pensam. Um individualismo e egoísmo que nos leva a pensar porque as pessoas ficam concentradas num “risquinho” azul em sua tela e fazem um bloqueio mental para aquilo que ocorre ao seu lado.

Edmund Burke, em sua obra “On the Sublime and Beautiful” de 1757, tratava da questão como específico de estados mentais como atitudes, emoções e procedimentos de cada pessoa sobre o que é sublime e belo. Eu fico imaginando qual seria a situação se Burke não tivesse formulado as suas questões e vivesse hoje, vendo o que a atitude, emoções, ações responsivas das pessoas diante de uma tela de computador ou smartphone.

Redes Sociais

Algum tempo atrás, no início deste blog, abordei a questão da filosofia e tecnologia, muitos não entenderam e outros tantos torceram o narizinho, chamei de filosofia binária, digo que está piorando, na proporção da função f(x) = log x2.

O mundo das redes sociais:

  • Privilegia a repercussão rápida e viral de tudo que é ruim;
  • Exalta tudo que é fantasioso e imaginário com sublime e belo;
  • Equipara sociopatas e psicopatas à vontade para depreciarem qualquer tipo de incentivo ao pensamento reflexivo;
  • Deprecia “curtidas” e compartilhamento a qualquer espaço que o livre pensar seja incentivado.

Isto não pode ser algo sadio e racional. Quem defende estes comportamentos, tem problemas e fica apontando para os outros como defesa para este tipo de atitude comportamental insana. Daí entendemos porque Burke era contra a Revolução Francesa e um liberal convicto. Era necessário exaltar o sublime e belo, mesmo que, ainda naquele tempo, não existissem redes sociais e muitos queriam manter o poder.

O mundo das redes sociais não é sublime e belo.

 

Charge: Waterson

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