Copo Lagoinha

Meu nome: Copo Lagoinha

Copo Americano

Em Belo Horizonte, esta jóia do design tupiniquim tem nome e sobrenome: Copo Lagoinha.

A história é simples, assim como a jabuticaba e cartórios, o copo chamado de “americano” é um legítimo produto tupiniquim, uma obra de arte que já esteve até no MoMA ( Museum of Modern Art ) em Nova Iorque.

Ao contrário do que muitos imaginam, este tipo de copo tem origem na Rússia, por causa dos bebedores de vodca que, proibidos de beber nas garrafas de 500 ml, passaram a beber em copos que era possível consumir a garrafa toda por três pessoas e seus copos.

Ganhou o apelido de copo americano, possivelmente, pelas máquinas que o produziam terem sido importadas dos EUA. Foi eleito, nem sei por quem, como o “Melhor copo para Cerveja”. Depois da exibição no MoMA, passou a ser vendido nos EUA por três dólares cada.

Copo Lagoinha

O copo é simples, de vidro, resistente e barato, com ressaltos que formam listras verticais, com capacidade de 200 ml (no seu tamanho mais comum e chamado de multiuso), também é fabricado em tamanhos para uma dose (usado nos botecos para servir uma “branquinha”), long drink de 300 ml (usamos em BH para vitaminas) e 450 ml, além do modelo rocks (arghhh, coisa mais nutella !).

O copo Lagoinha é o de 200 ml e foi eleito o melhor para cerveja pois todo cervejeiro de boteco sabe que cerveja tem que ser nele, até na risca horizontal pois é o limite, acima disso só espuma, pois ele é pequeno e não dá tempo da cerveja esquentar e outros detalhes que muitos leitores não vão entender mesmo.

Diz a lenda que o começo de tudo (Lagoinha e não americano), foi na região que lhe emprestou o sobrenome, conhecida área boêmia de Belo Horizonte, onde atacadista e comerciantes vendiam o copo fabricado pela Nadir Figueiredo. Um destes locais de revenda, transformou-se num boteco – se Belo Horizonte é a capital dos botecos, a Lagoinha é o berço dos botecos de BH – e  copo que lá era vendido e passou a ser usado, ganhou nome próprio.

Raiz

Belo-horizontino, mesmo que não seja frequentador de boteco, conhece como copo lagoinha. Quem diz copo americano, não é de BH ou não é conhecedor das raízes e de nossa história. Simples assim. É, como se diz na gíria das redes sociais, um “nutella”.

Por falar em “nutella”, tá horrorosa a onda de personalizações do copo lagoinha. Se é bom para a Nadir Figueiredo que vai emplacar um centenário na história de seu design pioneiro e patenteado (nem a garrafa da Coca-Cola deve ter conseguido esta longevidade com o design original) é terrível para tradicionalistas, ainda mais um belo-horizontino chato. Personalização raiz é retirar o rótulo da garrafa de cerveja intacto e colocá-lo no copo, indicando a quem serve a cerveja qual estamos bebendo.

Sou do tempo que se escrevia que “copo Lagoinha, também chamado de copo americano …” e agora vejo coisa como “personalização de copo americano”. Como assim? Personalização? Copo Lagoinha é original, não tem personalização, tem uso diferente, o mais tradicional é com cerveja e espuma, sem deixar esquentar.

Assim como outros nomes de objetos, que tem diferentes formas de denominação nas regiões do país, alguns estão sumindo, e perde-se toda uma cultura “milenar”. Num post anterior ( Deu Zebra ! ), falo disso. Copo é Lagoinha e pronto.

Aqui é raiz !

P. S. Uma singela homenagem no aniversário de Belo Horizonte.

Imagem: Blog Somente coisas Legais

 

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