Não foi Acidente

Não foi acidente (19)

Uma barragem da mineradora Samarco, localizada no município de Mariana (MG), controlada pela Vale (Multinacional de origem brasileira privatizada) e BHP (mineradora de origem australiana), rompeu-se no dia 5 de novembro de 2015, deixando um rastro de 19 mortos (um corpo ainda não foi encontrado) e o maior desastre ambiental, não natural, do Brasil e possivelmente do mundo, nos últimos tempos.

Alguns dizem que sou leviano em afirmar que não foi acidente, dizem que posso ser processado por chamar isto de crime. Agora imaginem que o presidente da República chama de “acidente” o massacre em presídio, com mais de 60 mortos, a maioria degolados. Não sou hipócrita e nem vejo a desgraça alheia mirando meu próprio umbigo.

NÃO FOI ACIDENTE!

História – 14 Meses

Crônica de um crime anunciado. Crime que segue cheio de desculpas, cheio de atos duvidosos, cheio de enrolação. O mar de lama mais do que poluiu a bacia do Rio Doce até a sua foz, no Espírito Santo. O mar de lama atingiu agentes públicos em todas as esferas, profissionais e prestadores de serviço que omitiram, adulteraram e sonegaram informações reais de todo o processo. O mar de lama segue matando e prejudicando pessoas.

Confirmou-se o crime ambiental e contra a vida humana e as atitudes e comportamentos de autoridades se mostram deploráveis a cada anúncio de “novidades” sobre o caso. Não vamos nos esquecer. Não somos a mídia comprometida.

Caridade

Após um ano do crime a Vale (principal controladora da Samarco) deveria depositar valores, consideráveis para quem tem a receber indenizações mas ninharia para o grupo Vale-BHP, e não se tem a confirmação de que fez os depósitos.

Adicionalmente, os prazos para que a Samarco demonstre através de laudos e certificações que a lama não vaza mais e que medidas corretivas foram efetuadas sob a fiscalização de órgãos ambientais. Estamos, neste momento, num período critico em que as mineradoras já empurraram um ano com a barriga, os órgãos públicos tentam que as mineradoras cubram o valor de mais de R$20bi (segundo estimativas conservadoras independentes) e a mídia tirou tudo sobre o crime das primeiras páginas.

Entramos num trimestre vital para o desenrolar do caso.

Retomada

Por um lado é compreensível a luta de alguns setores pelo retorno das atividades da mineradora. A questão de trabalho e emprego, especialmente das terceirizadas e empresas de atividades indiretas na economia da exploração do minério de ferro tem sua relevância e importância.

Entretanto, o crime ambiental e contra a vida, provocado por atos e omissões do poder público, da mineradora e de alguns de seus prestadores de serviço, não podem passar impunes e nem cair no esquecimento. É inconcebível que alguém pense em retomar as atividades de mineração na região, ou liberar novas lavras sem que seja tudo revalidado e certificado por órgãos independentes e, se possível, internacionais, até mesmo como forma de mostrar as melhores intenções das mineradoras.

Forçar a barra e correr o risco de outro crime, é abusar da inteligência dos cidadãos que ainda conseguem pensar além do próprio umbigo.

Charge: Duke

Pedido de Doação

Meu irmão está precisando de doadores de sangue (qualquer tipo e fator), só assim ele, e muitos outros, conseguirão prosseguir com o tratamento e ter esperança numa melhoria e retomada da normalidade.

Carlos Henrique de Oliveira (paciente do Hospital Mater Dei)

Banco de Sangue – Hemoter

O Hemoter recebe doações para pacientes que estão internados em diversos hospitais. A doação pode ser realizada para paciente específico ou voluntário para o banco de sangue.

Telefone: (31) 3295-4584

Horário: 8h às 13h, segunda-feira a sábado (sábado, somente com agendamento prévio pelo telefone).

Endereço: Rua Juiz de Fora, 861, Barro Preto – Belo Horizonte.

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