Múltiplos Brasis

“Dois Brasis” é puro reducionismo ambicioso

Belíndia ou Dois Brasis?

A expressão Belíndia foi cunhada por um ex-ministro que desejava dar a impressão de que existia “dois brasis”. É provável que, de certa forma ele estivesse certo. Só que a Bélgica manteve-se como sempre e a Índia cresceu muito.

Tenho lido muitas coisas nas redes sociais que não concordo, mesmo que tenho alguma pequena fundamentação, a maioria não tem nada de conteúdo. Até bem recentemente, respondia a tudo e a todos de acordo com o meu pensamento, e desde que tive atritos com pessoas que imaginava racionais, estou ficando em silêncio.

Contudo, será que o mesmo ex-ministro cunharia este termo em tempos de redes sociais obscurantistas e aproveitadores da fé alheia ?

Manipulação

Observei, não surpreendentemente, que a quase totalidade das pessoas que se manifestam em redes sociais não querem debater nenhum tema. Querem somente expressar suas convicções, que na maioria dos casos não são convicções pessoais e sim senso comum divulgado pela mídia de massa. Contudo, a manipulação de massa tem se tornado algo aceitável e perigoso (ver Manipulação de Massas – A Série).

Claro que a maioria das pessoas agindo assim, fica a impressão de que tudo é normal. Não é verdade, existem exceções e, certamente, algumas exceções são bastante agradáveis. Dá para evoluir com muito pensamento diferente e até com o contraditório.

Entretanto, a grande massa de incluídos digitalmente, reproduz, de maneira avassaladora, o ideal manipulador e opressor. Os livros de Paulo Freire que tratam da pedagogia da pergunta, da autonomia e da indignação deveriam servir para orientar este povo. Por outro lado, os detratores de Paulo Freire ganham espaço. Tem explicação, eles (os detratores) não gostam de ler e ainda saem às ruas com cartazes do tipo “Fora Paulo Freire” e apoiando um Alexandre Frota e outros entulhos não-pensantes.

Vai entender !

Dois Brasis

Num destes posts de redes sociais, li que “Existem dois Brasis“; o dos políticos e o nosso (nosso quem cara-pálida!?). Nós trabalhamos e eles ganham dinheiro, portanto, discordo e muito e tudo envolve política, da pior qualidade..

Existem, em síntese, muitos “BRASIS” e está um salve-se quem puder, para cada um dos brasis que existem dentro da cada brasileiro..

O brasileiro foi “ensinado” a enriquecer ilicitamente, ter cargos por indicação e não por mérito, a se locupletar (Ruy Barbosa já falava sobre o tema). Vem desde 1808 e o maldito D. João VI.

Quando percebemos (esta geração de rede social não sabe o efeito) a teoria do Gérson (pobre canhotinha) ganhar fama, a coisa já funcionava do jeito que vemos no noticiário hoje. Em suma, pouquíssimos denunciavam, a maioria só quer fazer parte e apontar dedinho em rede social para os “maus” do lado de lá.

Na ditadura, até pouco antes das “Diretas Já”, nem votávamos direito, era pura enganação. Dessa forma, até Pelé foi crucificado por opinar sobre o brasileiro saber votar. Vivemos numa democracia guiada e muita gente achando que o voto nesta máquina do TSE é democracia.

Aprendemos alguma coisa? Com toda a certeza, não aprendemos e ainda vamos fazer muito mais bobagem pela frente.

Então… Falar  sobre estes “dois brasis” sem incluir empresários que enriqueceram desde Getúlio Vargas é um erro histórico e grave. Como se não bastasse, as gerações incluídas digitalmente, que nem tem noção sobre o que venha a ser fazer um boletim num mimeógrafo, discutem estas questões a partir de afirmações como esta “existem dois Brasis… “.

O que, na minha opinião, é perverso, incompleto e aterrorizante em relação a nossa atual crise, e vai piorar.

Sem futuro

Outrossim, ouvi de um sociólogo/economista, que dá palestras sobre startups e inovação uma avaliação muito interessante sobre a nossa situação atual (BRASIL) e todos estes acontecimentos… e as ideias dele não comungam com esta história de “dois brasis” e muita baboseira reproduzida por filósofos de botequim à serviço do status quo.

Vejo que estamos ficando sem perspectiva de futuro e, inegavelmente, Cazuza tinha razão na sua poesia em forma de música.

Meu partido
É um coração partido
E as ilusões estão todas perdidas
Os meus sonhos foram todos vendidos
Tão barato que eu nem acredito
Eu nem acredito
Que aquele garoto que ia mudar o mundo
(Mudar o mundo)
Frequenta agora as festas do “Grand Monde”
Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Eu quero uma pra viver
O meu prazer
Agora é risco de vida
Meu sex and drugs não tem nenhum rock ‘n’ roll
Eu vou pagar a conta do analista
Pra nunca…

 

Imagem: Pintrest

 

Nota do Autor

Reitero, dentre outras, o pedido feito em muitos textos deste blog e presente na página de “Advertências“.

  • Observações, sugestões, indicações de erro e outros, uma vez que tenham o propósito de melhorar o conteúdo, são bem vindas.
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  • Alguns textos são revisados, outros apresentam erros (inclusive ortográficos) e que vão sendo corrigidos à medida que tornam-se erros graves (inclusive históricos).
  • Algumas passagens e citações podem parecer estranhas mas fazem parte ou referenciam-se a textos ainda inéditos.

Agradeço a compreensão de todos e compreendo os que acham que escrevo coisas difíceis de entender, é parte do “jogo”.

2 comments for ““Dois Brasis” é puro reducionismo ambicioso

  1. Maria Celeste Goncalves Campos
    18/04/2017 at 14:53

    Evandro, o comentário foi escrito durante o JN de ontem, após um dia de trabalho no serviço público de saúde, onde falta tudo ( de água a medicamentos) exceto reformas. Trocam o piso, o teto, a pintura e etc…, mais de uma vez ao ano. Como ando com preguiça de pensar, só vou ampliar um pouco meu leque. Assim, existem dois “Brasis”: o da turma que trabalha e o da a turma que ganha muito (mas muito) dinheiro. Nesse grupo estão incluidos politicos (estou á procura de um honesto), banqueiros, empreiteiros….e etc….

    • 21/04/2017 at 14:44

      Dra. Celeste, entendo a lógica de seu comentário, entretanto, continuo discordando. Adicionaria como justificativa a questão
      de que analogias parciais (ou até mesmo totais em alguns casos), são prejudiciais à compreensão do contexto integral.
      Parafraseando Guimarães Rosa, O Brasil são muitos ! 😉

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