Terceirização e Precarização

O Golpe da Terceirização

Terceirização

Certamente, todo mundo que trabalha, e é assalariado, sabe o que significa a terceirização e tem pavor da ideia por trás deste tema. A onda começou algumas décadas atrás e nem mesmo os sindicatos impediram a precarização das atividades laborais. Grandes empresas tinham serviços de infraestrutura e acessórios com funcionários próprios, eram conhecidos como atividade-meio, a terceirização começou por aí. Motoristas, profissionais de restaurante, vigilância, limpeza e muito mais, eram funcionários diretos das empresas e tinham os mesmos benefícios dos trabalhadores das atividades-fim. Em outras palavras, tinham apenas carreiras e salários diferenciados, e vestiam a camisa de igual forma.

Estas atividades-meio eram vistas como ponto de apoio para que as atividades-fim pudessem gerar prosperidade e lucros, de forma abundante para os acionistas. Por outro lado, eventualmente, algumas destas corporações até concediam um benefício chamado PL (Participação nos Lucros) ou um tipo de “me engana que eu gosto“.

Reengenharia

Desde que comecei a trabalhar e depois estudando administração, ouvia os termos reengenharia, qualidade total e outros relativos aos modos e processos de trabalho com restrições. A Reengenharia foi mais marcante pois em duas empresas que trabalhei o tema virou moda e quem pagava a conta era o trabalhador mais desfavorecido.

Desconheço a origem destas modas, mas creio que as técnicas japonesas de gestão tem alguma coisa a ver com o início disto tudo. A partir do momento que indústrias passaram a eliminar estoques e manter contratos com terceirizados e intermediários que garantiam material no tempo exato, parte da produção ou preparação de materiais, deixou de ser atividade-fim e virou opção de terceirização.

Desde a “Administração Científica”, “Fordismo” e demais teorias, passei a entender a lógica e relação perversa entre Capital e Trabalho.

Enfim, desde sempre, tenho a certeza de que não se trata de beneficiar os trabalhadores e de que nada que o trabalhador conquista é de boa vontade, nem os reajustes salariais, é o capitalismo e pronto.

O Golpe da Terceirização

Após mudanças dos últimos meses, o golpe final no trabalhador está sendo gestado no Congresso Nacional. Sem nenhuma discussão, com os trabalhadores sem representatividade, com os sindicatos enfraquecidos e o cenário do golpe preparado.

Mas o que o golpe na política tem a ver com a Terceirização? A rigor, as empresas agora poderão demitir um empregado e recontratá-lo com salário menor, sem benefícios, terceirizado e com todas as mazelas que a situação poderá trazer (para o trabalhador, é claro !).

Quem já trabalhou em alguma organização que tinha empresa terceirizada sabe como funciona. A  “tia do cafezinho”, mudava de terceirizada a cada troca, e costumava agradecer a manutenção do emprego, mesmo que ela tivesse perdido benefícios e direitos a cada troca de patrão. Isto acontece em larga escala e, nem sempre, aqueles que trabalham numa terceirizada,prestando serviços para alguma grande empresa, tem garantia que permanecerão em seus empregos.

Portanto, em muitos casos, a mudança de “terceirizada” serve para “limpar” a contratante de serviçais indesejados e passivos trabalhistas.

Agora vai ser lei, mesmo quem está na empresa com direitos e salários razoáveis, poderá ser demitido, ter salário rebaixado e sem direito para recorrer à Justiça do Trabalho. Dessa forma, advogados especialistas em Direito do Trabalho vão ter muito o que fazer, seja para o lado do patrão ou do trabalhador. Certo é que a Justiça do Trabalho será cada vez mais injusta, cega e inútil, decerto já existem propostas de extinguir instâncias desta justiça que é mais um produto tupiniquim.

Precariat

Direitos (alguns constitucionais) estão sendo jogados no lixo por este Congresso que aí está e que mostra ser a pior legislatura da história republicana. Logo uma legislatura completamente eleita por trabalhadores. Surpreendentemente, vou ver estes trabalhadores colocarem estes calhordas de volta às cadeiras do Congresso em 2018. Muitos estão sendo enganados com possíveis benesses e avanços de deixarem de ser celetistas e tornarem-se empreendedores, portanto, como diria o Cap. Nascimento, VAI DAR MERDA !.

Com toda a certeza, os efeitos perversos serão:

  1. Salários inferiores até contratados diretos;
  2. Meio ambiente laboral inseguro;
  3. Enfraquecimento de representações sindicais e organizações por loca de trabalho;
  4. Deterioração da relação de contratados diretos e terceirizados.
  5. Aumento descontrolado da chamada “pejotização”.

Enfim, quando escrevi, ainda no ano passado, sobre o despreparo de trabalhadores que entravam em programas de demissão voluntária (PDV´s) e achavam que virariam empresários, eu estava certo. Em “Empreendedores Despreparados – A Epidemia” eu constava, junto a diversos destes profissionais, que eles estavam sendo jogados aos lobos. Como se não bastasse, a quantidade que aceitava continuar trabalhando nas empresas com precarização de todas as condições, era muito grande.

Não há caminho que seja bom para o trabalhador se os sindicatos perdem força. Se um trabalhador sonha em ser empreendedor e não passa de trabalhador com funções e atividades precarizadas é o fim-de-linha;  isso quando um pé-na-bunda é certeiro e garantido.

 

Greve Geral 28 de ABRIL de 2017

 

Charge : Pablo de Assis

 

Nota do Autor

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Agradeço a compreensão de todos e compreendo os que acham que escrevo coisas difíceis de entender, é parte do “jogo”.

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