Santa Bárbara e o Crime sem justiça

Santa Bárbara – Não foi acidente

Santa Bárbara

Santa Bárbara é um os municípios que, à princípio, não tem nada a ver com o rompimento da barragem em Mariana, mas sofre com a mineração e as ameaças desta atividade econômica. A cidade tem o azar de não ter muitos recursos do “imposto de exploração mineral”, mas está no olho do furacão pois seus “vizinhos” (São Gonçalo do Rio Abaixo e Barão de Cocais) sediam grandes operações de mineração.

Uma barragem operada pela mineradora Samarco, controlada pela Vale (Mineradora multinacional de origem brasileira, privatizada) e BHP (mineradora de origem australiana), localizada no município de Mariana (MG), rompeu-se no dia 5 de novembro de 2015. Assim sendo, deixou um rastro de 19 mortos (um corpo ainda não foi encontrado), centenas de desabrigados, milhares de desempregados. Portanto, é o maior desastre ambiental, não natural, do Brasil, e possivelmente do mundo, nos últimos tempos, com um rastro de poluição e degradação do Rio Doce até atingir o litoral capixaba.

Um ano e meio, dezoito meses, muitas pessoas, e a maioria da mídia, certamente, já esqueceram o assunto. Lá vamos nós para mais um texto, todo dia 5, até que apareçam os culpados por este grave crime e que sejam julgados com rigor e que, se definidos como culpados, sejam condenados e cumpram suas penas.

Por exemplo, uma cidade mineira passou da euforia (  Santa Bárbara vive a euforia da Mineração )  para o desespero, em cima de um crime;  portanto, toda atenção e cuidado é muito pouco.

NÃO FOI ACIDENTE!

Ninguém preso

Depois de dezoito meses, o rastro de destruição só aumenta. O Rio Doce pode levar décadas para ter condições mínimas de se recuperar. Um distrito inteiro acabou. A fauna e a flora no Rio Doce, e seus afluentes, foi quase dizimada. A ocorrência de Dengue e Febre Amarela no curso da lama não é coincidência.

Dentro deste enredo de destruição, ninguém foi preso, ninguém foi condenado, muita gente escapou até do inquérito. Outros tantos estão aguardando e defendendo a retomada das atividades de mineração sem quesitos básicos de segurança e proteção. E que poucos, e os mesmos, se locupletem.

Santa Bárbara d´água

Mineração exige água limpa para lavar o minério e empurrá-lo até os portos de exportação ou trens e embarcações. Esta água limpa lava os rejeitos e os minérios ruins, jogando-os em aterros. Um destes estourou. A mineradora (não somente a Samarco, mas todas), fazem captação de água limpa no estado de Minas Gerais. Não bastasse tirar o minério a preço de terra devoluta, suja água de ótima qualidade.

Para retomar suas atividades, a Samarco precisa de água. De onde vem esta água que ela precisa? Dos municípios de, Catas Altas, Mariana, Matipó, Ouro Preto e Santa Bárbara. Quase todos já assinaram suas cartas de “conformidade”, como se tudo estivesse aprovado e as águas pudessem voltar a ser bombeadas e jogadas fora. Mas um município resiste: Santa Bárbara

A carta que liberaria a captação em Santa Bárbara deve conter, explicitamente,  qie a captação está e acordo com as leis municipais de uso e ocupação do solo. Santa Bárbara resiste. Após a assinatura desta licença, suspensa logo após o acidente, a empresa mineradora estará habilitada para continuar sorvendo o precioso líquido de nosso solo.

Por fim, ninguém foi condenado e o processo está em banho-maria, esperando a fraca memória do brasileiro para cair o esquecimento e a água voltar a jorrar nos minerodutos assassinos.

 

 

Imagem: Reprodução Twitter

 

Nota do Autor

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