Peixoto, Rosânia e os Livros

Peixoto… no Brasil todo mundo é um?

Peixoto

De acordo com a minha carreira de leitor de tudo, tenho muito medo de escritores ficcionistas. Sem dúvida, é simples, nunca saberemos o quão de realidade eles colocam nas suas obras. Mudam nomes, travestem personagens, exageram em ideologias e utopias, com o propósito de não revelarem a realidade que os inspirou. Peixoto, do título, é um personagem do “Bonitinha, mas ordinária…”,  de Nélson Rodrigues (excelente escritor que dá muito medo).

Com efeito, Peixoto tinha péssimos hábitos, “representava” a tudo e a todos nas coisas ruins. Ao ouvir e ler as notícias de hoje no país, que analogias podemos fazer com as peças e obra de Nélson Rodrigues. Seria ele, além de escritor, visionário? Ou esta bagaça vem desde o Reino Unido de Portugal e Algarve?

Lição de Vida

Se bem que, quando vejo uma  menina de 8 anos sendo resgatada em uma jangada da enchente no interior de Pernambuco, agarrada a uma espécie de sacola ou mochila, fico curioso. Contudo, usuários de Internet e seguidores da mídia de massa gostam de tragédia, esta é apenas mais uma, como tantas. Em suma, esta tragédia de Pernambuco torna-se, infelizmente, menor do que muitas outras que presenciei nestas últimas décadas.

Como se não bastasse, tenho uma sobrinha que diz, há muitos anos e de maneira perversa, que fica impressionada com  estas vítimas que dizem “perdi tudo na enchente“. Diz esta sobrinha que: “… este povo reclama que não tem nada e quando tem enchente diz que perdeu tudo …”.

Aí penso na Rivânia (a menina da enchente em Várzea do Una, zona da mata pernambucana) e sua sacola que protege o seu bem mais precioso a ser salvo da enchente. Procuro saber da história e leio que a avó disse para ele pegar somente as coisas mais importantes e sair de casa. O que ela pegou? LIVROS. Só os livros.

Solidário

Além do Peixoto, a obra de Nélson Rodrigues tinha um personagem central, Edgard, que adotava como frase de cabeceira uma das ditas pelo mineiro Otto Lara Resende, “O mineiro só é solidário no câncer“. Como se não bastasse, aumenta a minha preocupação e, na condição de mineiro, vejo que o poeta tinha lá suas razões.

Além disso, vejo as reações em redes sociais e muita gente sensibilizada com a Rivânia. É provável que, se fosse uma grande tragédia viralizada nas redes sociais, teria mais audiência e providências dos seres pensantes e “otoridades”. Neste caso a tragédia é imensa e a lição  que deveria ficar poderia ser maior. Devemos descobrir quem atiçou este espírito numa criança. Se foram os avós, estão fazendo melhor que os pais, se forem professores, estão dignificando a profissão. Parabéns a quem conseguiu salvar uma alma tupiniquim.

Entretanto, é pouco, Lembro da frase de Otto Lara e da estirpe de “Peixotos”. Dá raiva. A raiva supera o medo.

Rivânia “a Peixoto”

Muito poderia ser feito.

Por exemplo, um crowndfunding que garantisse educação para a Rivânia até o ensino superior, naquilo que ela mais gostasse de fazer. Não me surpreenderia se ela anunciasse que o desejo dela é ser professora. Queria, sinceramente, estar próximo a Rivânia e ter condições de ajudá-la. Tenho certeza de que alguém o fará, se eu souber, darei minha contribuição.

Entendo que, a despeito de críticas e incompreensão para o que escrevo, este tipo de comportamento deveria ser de todo brasileiro. Não tenho medo, não sou e não somos “Peixotos”. Não somos ordinários e não nos vendemos facilmente. E conseguimos ser solidários além do câncer.

E a vida não deve se espelhar na “arte”.

 

Imagem: Reprodução Internet

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