Mais Valia e Precarização

Mais Valia – Não foi acidente

Acidente ou Crime?

Uma barragem operada pela Samarco, mineradora controlada pela Vale (Multinacional de origem brasileira, privatizada) e BHP (mineradora de origem australiana), localizada no município de Mariana (MG), rompeu-se no dia 5 de novembro de 2015, deixando um rastro de 19 mortos (um corpo ainda não foi encontrado). Acima de tudo, não foi acidente e a mais valia empanou o valor da vida.

Depois que ocorreu a tragédia, vimos centenas de desabrigados, milhares de desempregados e o maior desastre ambiental, não natural, do Brasil e possivelmente do mundo, dos últimos tempos. Deixou um rastro de poluição e degradação no Rio Doce até sua foz, no litoral capixaba.

A indignação não me deixa esquecer. Se bem que, após vinte meses, muitas pessoas, e a maioria da mídia, já esqueceu do assunto. Lá vamos nós para mais um post, todo dia 5, até que apareçam os culpados por este grave crime e que sejam julgados com rigor e que, se definidos como culpados, sejam condenados e cumpram suas penas.

Mais Valia

Como se não bastasse a mais valia e exploração predatória das atividades normais de uma mineradora, sem contar com a opções de corrupção e usurpação de direitos dos habitantes de Minas Gerais, a exploração da mão-de-obra e condições precárias de trabalho e terceirização estão se acirrando em todo o pais com as reformas golpistas.

Surpreendentemente, neste contexto, a suspensão do trabalho dos poucos que continuavam trabalhando coloca em risco a manutenção de atividades essenciais de preservação, inclusive de novos acidentes.

Assim sendo, estariam sendo premeditados ou facilitados a ocorrência de novos crimes?

As atividades que estão suspensas desde o crime ambiental, não podem sofrer pressão para retornar por conta de suspensões e entrada dos trabalhadores em layoff. Condições mínimas são exigidas e o Poder Público fraqueja.

Crimes e Mais Valia

A exploração do trabalho é característica comum e secular em atividades de mineração. A Vale, a BHP e suas subsidiárias, no mundo inteiro, assim como a Samarco, se valem disso para prosperarem e fazerem muita gente rica, além de seus acionistas encastelados no Primeiro Mundo.

A Vale era empresa nacional e foi entregue nas mãos do capital estrangeiro por formas escusas e nunca foram investigadas. Os processos de corrupção vistos recentemente no país com a Petrobrás são passíveis de terem sido reproduzidos por anos na Vale. As reformas trabalhistas e os crimes constitucionais aprovados por congressistas estão perpetrando estes acidentes como se não fossem crimes

Tragédia Humana

É compreensível que alguns setores econômicos, dependentes da mineradora, tentem buscar sua sobrevivência e transforme um crime em mero acidente. Mas submeter trabalhadores já terceirizados, muitos deles com atividades precarizadas, às mazelas da maior tragédia socioambiental do país é crime.

A Samarco impôs licença remunerada aos trabalhadores no mês do rompimento. Logo após, deu férias coletivas de 30 dias. Em janeiro de 2016, foi aberto novo período de licença remunerada, até a mais valia tradicional deu seu jeitinho. O primeiro layoff ocorreu no Primeiro semestre de 2016 e estamos esperando o fim deste segundo semestre mais abusos e crimes sem punição.

Em um layoff, o contrato de trabalho é suspenso e o pagamento do salário. A empresa deveria oferecer treinamentos e possibilidade de requalificação, além de os empregados receberem uma bolsa paga pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador, além de plano de saúde e vale alimentação. Até quando?

Enfim, a tristeza de ver cartazes da imagem que ilustra este texto é inominável. Lembra-nos dos cartazes expostos no Congresso Nacional do tipo “Somos todos Cunha”. Degradante colocar trabalhadores com uma espada sobre a cabeça pedindo a permanência de condições de crimes travestidos de acidente.  É o país do VALE-TUDO.

Não esqueceremos.

Desde a primeira publicação de post deste tema, no primeiro post de “Não foi Acidente“, não me canso de dizer que não me esquecerei do assunto. Manterei a promessa enquanto puder. Em respeito aos trabalhadores que tiveram suas vidas reviradas por lama que não produziram.

 

 

Imagem: Diários Associados (MG)

 

Nota do Autor

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