O Vice Amigo da Onça

O Vice golpista que não foi escolhido

O Vice

Na história das Repúblicas mundo afora, a tradição é que, sobretudo, o vice seja uma figura decorativa. Em tempos até recentíssimos o vice protagonizou um golpe na frágil democracia guiada tupiniquim.

Anteriormente, no Brasil pós-monárquico, a relação entre o presidente e seu vice, nunca foi pacífica, nem democrática e muito menos republicana.

Frases de Vices

“Uma única palavra resume a responsabilidade de qualquer vice-presidente, e 
essa única palavra é 'estar preparado'.” - Dan Quayle

“Ninguém vota no vice-presidente, vota no titular. Eu procurei não atrapalhar 
e acho que não atrapalhei porque vencemos. José Alencar

Sombras

Primeiramente, este post não é para falar de todos os vices traíras ou omissos, a maioria no Brasil, é para falar do vice golpista. Entretanto, é necessário um preâmbulo que sirva para justificar esta relação perniciosa e daninha para o país.

O Brasil teve o primeiro presidente com a “marota” Proclamação da República com Deodoro da Fonseca, um militar, assumindo em 15 de novembro de 1889 e seu vice era Floriano Peixoto. Desde então, houveram muitos presidentes e respectivos vices, alguns golpistas. A presidenta eleita em 2014 foi Dilma Rousseff, seu vice Michel Temer virou presidente com o impeachment.

As “sombras” foram num total de vinte e quatro pessoas diferentes, de Floriano Peixoto a Michel Temer, dois golpistas. Portanto, como Temer foi conduzido à Presidência, atualmente o cargo de vice está vago. Na linha de sucessão para a presidência, de acordo com a Constituição, tem o vice; na inexistência de um vice, tem os presidentes da Câmara de Deputados e Senado Federal e Supremo Tribunal Federal, respectivamente.

Temerário !

Ditadura Militar

A confusão dos vices começa com o próprio Floriano que apresentava-se como defensor da Monarquia e quando via o barco afundando, tornou-se vice de Deodoro. Logo após, puxou o tapete de Deodoro para tentar manter a “República da Espada”. Deodoro pirou o cabeção e o “Marechal de Ferro” tocou terror. Abafou a “Revolta da Armada” e a “Revolução Federalista” no período de intensas rebeliões. Foi impiedoso por questionarem a sua legitimidade no cargo (entenderam porque Temer é farsante !). Fez coisas piores, comuns a qualquer ditadura, que nunca aparecerão em nenhum livro de história do Brasil.

Vice de destaque

É provável que seja necessário uma enciclopédia de uns vinte e cinco capítulos para tratar a história real de cada um deles. Relacionar, apenas, os vices que não foram lá muito “parceiros” de seus comandantes-em-chefe. Talvez prove minhas teorias.

Floriano Peixoto – Deu o chapéu no Imperador e no Deodoro.

Silviano Brandão – Morreu antes de tomar posse.

Nilo Peçanha – Tomou posse com a morte de Afonso Pena.

Delfim Moreira – Assumiu com a morte, antes da posse de Rodrigues Alves (tipo José Sarney).

Epitácio Pessoa – Este mereceria uma enciclopédia à parte. Racista e golpista das oligarquias.

Melo Viana – O que foi vice sem nunca ter sido. Deposto pelo golpe de 1930.

Vital Soares – Nem tomou posse como vice de Júlio Prestes pelo movimento golpista da 1930.

Nereu Ramos – Golpista de primeira hora, cumpriu tabela num Estado de Sítio para completar mandato.

Café Filho – Assumiu com o suicídio de Getúlio. Este merece mais considerações pois licenciou-se para não dar posse a JK, deixou na mão de Carlos Luz (deposto pelo Marechel Lott) que reconduziu Nereu Ramos. Queria voltar para impedir JK e Jango de governarem. O rei da treta dentre os vices, é mole ?

João Goulart – Vice de JK, assumiu com a renúncia de Jânio Quadros, desposto pelo golpe de 1964.

Aureliano Chaves – Vice civil de Figueiredo, nunca assumiu e teve oposição do titular para fazer a transição do golpe.

José Sarney – Assumiu com a morte de Tancredo Neves.

Itamar Franco – Assumiu com o impeachment de Fernando Collor.

Michel Temer – Assumiu com o impeachment de Dilma Rousseff.

De fora

De acordo com minha análise, ignorei os vices que iniciaram e terminaram seus mandatos sem grandes altercações com o respectivo presidente, autênticas nulidades na política. Desconsiderei a chamada “Quinta  República” pois a ditadura não deu bola para vices. Foram poucos, o que numa história republicana demonstra uma instabilidade além da conta. Mas nenhuma destas instabilidades pode ser comparada com o golpe de 2016, iniciado pelos perdedores em 2014.

A Escolha

Escolher um vice é simples, acima de tudo porque existem critérios que os partidos e quem preza a democracia verdadeira respeita.

Por exemplo, se um partido X resolve se coligar com um partido Y, existe um acordo para a coligação, chamada chapa majoritária. Assim sendo, somente os partidos e seus filiados determinam que é o principal candidato ou quem é o vice. A princípio, filiados do partido X não intervêm na escolha dos filiados do partido Y. Entretanto, com a profusão de legendas de aluguel e busca de tempo de propaganda eleitoral gratuita, existem abortos. O TSE faz vistas grossas de maneira conveniente e filiados/simpatizantes dos partidos envolvidos fingem que não é com eles.

Então, é de extrema estupidez e imbecilidade, o que estão fazendo desde o golpe de 2016. Atribuir aos petistas a responsabilidade pela escolha do Temer como o vice nas eleições de 2014 é estultice. Os responsáveis pela indicação do Temer como o vice foram os filiados do PMDB. Os eleitores, filiados ou não ao PT, uma vez que votaram na chapa Dilma-Temer, determinada pela coligação partidária.

O Vice golpista

As relações do vice golpista com a direita reacionária e setores sectários derrotados, pavimentou o golpe. Decerto, as benesses que as oligarquias, sobejamente gravadas e denunciadas, viraram lenda ou entraram no acordão do Jucá. A senha foi dada quando o Temer escreveu uma cartinha fazendo beicinho pela relação com Dilma Rousseff. Ao contrário do vice anterior, José Alencar, ele não estava satisfeito em não atrapalhar, queria mais.

Os serviçais de golpistas e das oligarquias inundam as redes sociais sem ler nada de história com o propósito de praticar diversionismo. Redes sociais, dominadas por neófitos, midiotizaram  gente nova que “só quer saber do que pode dar certo“. A turma dos dedinhos ágeis não consegue parar três minutos para ler um texto como este.

Enfim, não me recordo de nenhum destes acusadores dos petistas manifestarem sobre eleitores de Sarney e Itamar. A desculpa talvez seja atribuída à ausência de redes sociais naquelas épocas. De acordo com as manifestações que leio, temos claras demonstrações de falta de ética e caráter destes digitalmente incluídos.

Malditos 140 caracteres que adestram estes jovens, similarmente àquilo que a TV faz com crianças há três gerações.

Calendário 2018

Por último, um aviso, o calendário para as eleições do ano que vem está correndo, se bem que eleitor de rede social não deve entender de prazos e legislação eleitoral.

O dia 5 de agosto de 2018 é o último dia para realização das convenções que indicarão candidatos. Logo após, no dia 15, encerra-se o prazo para os partidos políticos e coligações registrarem seus candidatos. No dia seguinte, inicia-se a campanha eleitoral. A previsão para votação no primeiro turno é de 7 de outubro e segundo turno em 28 de outubro.

Se é que as oligarquias deixarão os candidatos se inscrevam e as eleições da nossa democracia guiada se realizem. Em suma, estou temeroso pois nas eleições de 2014 não saiu como “eles” planejaram. Suspeito que no ano que vem a guerra vai ser mais difícil.

Certamente, é um excelente tópico para casas de apostas, será que o próximo vice cumpre seu mandato integralmente ?

Lembretes:

A República da Panákia, coincidentemente, escolherá seu novo mandatário em 7 de outubro.

Pássaros criados em gaiolas acreditam que voar é uma doença” by Alejandro Jodorowsky.

 

Charge: Aroeira

 

P. S. –  Reitero também o pedido feito em muitos momentos da vida deste blog e presente na página de “Advertências“. Observações, sugestões, indicações de erro e outros, uma vez que tenham o propósito de melhorar o conteúdo, são bem vindas. Coloquem aqui nos comentários ou na página do Facebook.

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