Ano Velho x Ano Novo

Adeus ano velho

Ano Velho

Particularmente, adoro a passagem de ano. Simplesmente porque deixo para trás o mês de dezembro. Tenho sérios problemas com a hipocrisia reinante neste mês. Quando o ano velho se encerra, e todos tem a certeza de que é pretérito, é o meu momento de felicidade… faltam onze meses completos para o próximo dezembro.

Filosofia

A questão do mês de dezembro é muito mais enigmática. Entendo que tudo que a filosofia sugere que façamos é esquecido neste mês.

Se a filosofia tem a ver com questionamentos, todos os questionamentos são esquecidos no mês de dezembro. Se a filosofia é um eterno questionar, nem todo questionamento tem a ver com filosofar (esta foi profunda !).

Embora o mês de dezembro aparente tudo aquilo que a filosofia preconiza como o desprendimento, o altruísmo, a negação do egoísmo, a diminuição da mesquinhez e das expectativas personalistas, o que vemos é exatamente o contrário, vemos as pessoas comprando seu pedacinho do céu a partir de caridade e com discursos falaciosos para, nos outros onze meses do ano exercerem suas individualidades e esperarem os desígnios divinos individuais. Não tem nada a ver com o “adeus” ao ano velho, tem a ver com a renovação da hipocrisia reinante.

Farsantes

Vivemos num mundo de farsantes. Desejam adeus ao ano velho e fazem as mesmas coisas no ano novo. Enganam quem? Enganam a maioria das pessoas, que não se dão conta destas farsas e falácias. Estamos rodeados de falsos profetas e messias, aliás, as pessoas procuram estas pessoas e lhes dão crédito. É mais fácil. O mundo ficou superficial, acomodado, subserviente. O mundo não, parte das pessoas.

Acontece que as pessoas que adotaram a política como forma de vida, assumiram o poder. Maquiavel e Sun Tzu já falaram sobre isto. É coisa velha. Nem os profissionais que se formam nas ciências sociais estão preocupados com as coisas como elas são. Foi-se o tempo em que sociólogos e afins preocupavam-se com a sociedade e a vida em comum.

Pensadores

Quem gosta de ler, pensa. Fiz parte do “Círculo do Livro” antigo e gostava de ler de tudo, desde a pré-adolescência. Adquiri um livro chamado “História ilustrada da ciência”. Assustei-me quando no livro contava história e relacionava pensadores à ciência. Apaixonei-me pelo assunto com história de pré-socráticos como Tales de Mileto.

Fico pensando que, Aristóteles, Sócrates, Platão, vivendo nos dias atuais, teriam grupo em alguma rede social. Entendo que sim. Estes pensadores fariam um bem para a humanidade se participassem de redes sociais. Os filósofos e pensadores modernos também, eu participaria como ouvinte atento a diversas estas redes. Participo de alguns grupos, mas tem sido muito chato.

Quem pensa e gosta de debater, está fugindo desta maluquice que se tornaram as redes sociais e pirralhos que não conseguem, escreve mais do que 140 caracteres (o Twitter aumentou o limite  para 280 caracteres e o que se viu? diminuição dos textos !). Mas está pior. A cretinice chega até a quem deveria ensinar e educar. Vejo professores pregando e defendendo estas nulidades. Pensam que pensam. Ao invés de educarem, deseducam, não consegue praticar educação nem em casa.

Ano Novo x Ano Velho

“Cumpre ser íntegro até a dureza nas coisas do espírito para poder suportar a seriedade da tarefa e a paixão que ela desperta”

Nietzsche

Levo qualquer assunto a sério. Sempre fui assim. Todos os assuntos despertam minha paixão (biologia e química não!). Não vejo sentido (filosofando…) em falar de algo, por mais divertido ou descontraído que possa parecer, sem pensar. Pessoas que falam as coisas sem pensar e não estão preparadas para ouvir a opinião dos outros, principalmente as adversas, não devem ser levadas à sério. São meros autômatos e teleguiados. Pensar é um ato inteligente. Não dói (pelo menos não deveria). E instigarmos as pessoas que nos rodeiam a pensar, deveria ser um ato natural, pelo menos para quem deseja ver a evolução do semelhante e de quem gostamos.

Em função da realidade (a minha, é claro), dos últimos tempos, destas redes sociais midiotizantes, do comportamento e, principalmente, ao ver algumas pessoas que poderiam contribuir para o debate e para estimular o pensamento as pessoas desistindo e se recolhendo, tentarei fazer como o brasileiro, não desistir. Estou indo à luta. A partir de agora, este blog pessoal lançará outros blogs, que ficam maiores em função de temas específicos. Dois deles já estavam planejados e entram em ação nos próximos dias e semanas.

 

Reticências …

O primeiro blog tem tudo a ver com este post. Reticências é o nome do blog. Sempre me intrigaram. E me ensinaram a ser como elas. O silêncio, a pausa, causa estranheza nas pessoas. Houvera situações em que interlocutores, incomodados com meu silêncio (reticências), perguntam: não vai falar nada? Típico questionamento que não tem nada de filosofia, nada de elaboração do pensamento, querem respostas rápidas, querem respostas prontas, querem saber somente do que pode dar certo, e rápido. Preguiça mental pura.

Aguardem, em breve, mais uma página na Internet, com as minhas reticências…

 

Charge: Mafalda

Pedido de Doação

Assim como no ano velho, reitero meu pedido.

Meu irmão está precisando de doadores de sangue (qualquer tipo e fator). Só assim, ele e muitos outros pacientes que precisam de sangue para transfusão ou de hemoderivados, conseguirão prosseguir com seus tratamentos. E poderão ter a esperança de uma melhoria e retomada da normalidade em suas vidas.

#DoeSangue

Carlos Henrique de Oliveira (paciente do Hospital Mater Dei)

Hemoter – Banco de Sangue

Hemoter recebe doações para pacientes que estão internados em diversos hospitais. A doação pode ser realizada para paciente específico ou voluntário para o banco de sangue.

Horário: 8h às 13h, segunda-feira a sábado (sábado, somente com agendamento prévio pelo telefone).

Endereço: Rua Juiz de Fora, 861, Barro Preto – Belo Horizonte.

Telefone: (31) 3295-4584

 

 

 

4 comments for “Adeus ano velho

  1. Maria Celeste Gonçalves Campos
    Janeiro 1, 2018 at 15:03

    Caro Evandro, as pessoas precisam também aprender a ouvir. Esse item e essencial para se viver em comunidade. Hoje em dia, ouvir alguém, é, muitas vêzes, um ato de caridade.

    • Janeiro 1, 2018 at 16:21

      Concordo. Mas… (sempre tem um mas!) as pessoas que querem ser ouvidas não querem pensar. Em muitos casos, ouvi por isto definido como “caridade” (não gosto do uso do termo que damos). Creio que aprendi (depois de apanhar muito) a ouvir. Mas não sei se as pessoas falam para ouvirmos querem realmente que seja ouvidas.

  2. Maria Celeste Gonçalves Campos
    Janeiro 1, 2018 at 15:10

    Eu também “detesto” o mês de dezembro e vou na contramão da maioria das pessoas. Sou avessa a festas de confraternização (parece algo forçado) e distribuição de presentes.

    • Janeiro 1, 2018 at 16:26

      parece algo forçado” ??? …
      É absolutamente forçado. É a expressão máxima da hipocrisia. E aí daquele que se insurge contra esta hipocrisia. Durante o mês de dezembro, até a virada de ano, ouço e leio cada merda.
      Ainda hoje vi na minha timeline uma pessoa falando de família e da importância da família junta… separado, os filhos longe do pai e da mãe no final de ano, irmãos cada um para um lado e o cara fazendo proselitismo sobre família. Conheço gente que é capaz de ficar pedindo aos outros doação para que façam caridade com a hipocrisia alheia. E piora… Dezembro e família é o ópio do Estado para que o povo fique controlado. Por isso estamos vivendo barbaridades e os mantenedores do status quo adoram estes momentos.

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