Mercenário Maquiavélico

Maquiavélico – Filosofando Maquiavelicamente I (*)

Maquiavélico

Maquiavel dizia que, na guerra, uma ação vitoriosa deve ser concebida e estrategicamente montada, com utilização plena das próprias forças … Nada mais maquiavélico e apropriado, principalmente pela situação em que o Cruzeiro se meteu e que a torcida não se dá conta.

Escrevi em O Principe Azul, que esta é a primeira de muitas colunas que vai associar as teses maquiavélicas com futebol e política. A princípio, o debate e a resposta às perguntas, como toda boa discussão que envolva dúvidas e questionamentos, estão abertos. A data para o lançamento desta trilha de colunas não é por acaso. Dois de janeiro, data formal e oficial do aniversário de criação da Societá Sportiva Palestra Itália.

Casas de Maquivélicos

Conforme diz a lenda que Médicis e Savóias tinham em seus brasões a cor azul; de ´Azzurra`, entendem? Não são muitos os palestrinos no Brasil que sabem e conseguem associar história com futebol.

Por outro lado, apenas os cruzeirenses, mais atentos, já repararam que o Palestra paulista tem alusões aos Savóias (Vermelho com cruz branca). Os mais antenados devem ter percebido que a camisa azul do Cruzeiro é mera artimanha, como uma Raposa, para fugir de ditadores que queriam banir símbolos da Itália, a pretexto da Segunda Grande Guerra.

É a referência mais antiga da cor azul em seus brasões. Entretanto, suponho que deva ser a origem da Azurra, antes dos Savóias. E é o berço dos escritos de Maquiavel que, para orientar um príncipe Médici, escreveu sua obra maior.

Médicis

Os Médicis são uma referência na história italiana. Contudo, ao contrário do que contam alguns historiadores rurais, os Médicis, uma dinastia política italiana que não veio da nobreza, eram, no popular, cidadãos comuns (por favor, sem associar com o tal slogan “Time do Povo”, sem nenhum sentido histórico e fundamentado). Os Médicis foram protagonistas na Renascença Italiana, apoiando a arte, humanismo e outras formas de expressão. Niccolò Machiavelli era maquiavélico no sentido de que pensava fora de suas convicções, pensava pelos outros..

Das próprias forças

Dizia Maquiavel que, na guerra (da mesma forma, Sun Tzu e Miyamoto Musashi têm a mesma perspectiva) e, portanto, uma ação para ser vitoriosa deve ser concebida e estrategicamente montada utilizando, com toda a certeza, as próprias forças.

Como numa ação militar, deve-se conhecer mais a ti próprio do que aos inimigos (não que os inimigos devam ser esquecidos, mas isto fica para outras lições). No jogo de tabuleiro WAR, este tipo de ação é mais visível e excitante na prática.

Fazendo uma analogia com o futebol (detesto analogias e muita gente discorda de mim ou não consegue entender algumas) ou, em outras palavras, as competições que o Cruzeiro disputa são uma guerra, contra diversos povos, contra diversas nações, com armas diferentes.

Assim sendo, se não conhecemos de nossas próprias forças, Maquiavel indica que deve-se evitar aliar-se, numa guerra, às forças mercenárias ou interessadas unicamente no soldo que lhes é oferecido pela prestação de serviços.

Futebol moderno Maquiavélico

Alguns diriam que ´… o futebol mudou, profissionalismo é assim mesmo, paga-se bem e pronto … `. Os exemplos de guerras perdidas por ´príncipes` que se metem com mercenários, e que, diante do perigo se omitem ou não defendem ´la gente`, são inúmeros. A expressão ´sele6a1o` deveria significar alguma coisa para ´la gente` da calle azul.

E digo mais, é provável que, em caso de vitória, numa guerra em que utiliza-se de forças auxiliares e mercenários, regiamente pagos, a soberania estará ameaçada. Estas forças auxiliares podem até destronar o ´Príncipe`. É certo que o troféu da conquista não pertencerá a nenhum dos mercenários e nem aos generais, estará em nossa galeria de conquistas, ETERNAMENTE. Mas o preço a ser pago deveria preocupar ´la gente`.

No campo futebolístico, da mesma forma, fazendo uma transliteração de Maquiavel, eu diria que não termos a noção de nossas forças e armas; desconstruir o que foi feito em poucas semanas; manter ´generais` pouco preparados; e ter soldados mercenários mais do que soldados comprometidos com a causa, é elevar, além do necessário, o risco de desastre e derrota.

Aduladores

Se, até alguns dias atrás, hordas de bajuladores (em coluna próxima abordarei a questão ´DE COMO SE EVITAM OS ADULADORES`) criticavam a situação financeira deixada pelo Gilvan Tavares; agora apoiam as contratações de mercenários por milhões e perspectiva de aumento da dívida.

Devemos nos colocar a pensar, certamente debaixo deste caroço deve ter pouco angu. Nem sei se alguém ganhasse sozinho na “Mega da Virada” ia colocar seu dinheiro no Cruzeiro, sem algum interesse. Estes assuntos renderão bons temas para colunas futuras.

Digo que, sem conhecer a nós mesmos, indo na onda da imprensa midiática que repercute o que os povos dominados querem ouvir e ler, tendo dificuldade em entender o poder da imprensa sobre este povão inebriado e preocupado com zoar adversários, teremos dificuldades em vencer qualquer batalha, ainda mais guerras importantes.

Não vai dar certo

Enfim, não é necessário que ninguém concorde comigo.

Muitas das vezes prefiro caminhar sozinho. Decerto, é difícil para mim sentir o gosto amargo das frases do tipo ´… eu avisei...` ou ´… eu sabia…`, difícil ter sido maquiavélico.

Alguns não entenderão e acho compreensível ois poucos conseguem pensar como se fosse outro. Cada um com a sua ´verdade` e felicidade. Uns são felizes sendo iludidos com zoação com rivais; outros são mais exigentes. Prefiro pensar e comemorar nas vitórias.

(*) Versão adaptada para blog

Charge: Duke

 

Nota do Autor

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