Aduladores de Maquiavel

Aduladores e Filosofando Maquiavelicamente II (*)

Maquiavel

Ninguém governa sozinho. Maquiavel dizia que, acima de tudo “Um Príncipe prudente deve ter a capacidade de decidir e filtrar os bons conselhos, realizando desejos do seu ´povo` “… Com esta frase, Maquiavel estava prevendo que uma espécime conhecida como aduladores, estaria ao redor de príncipes e quejandos.

Faz parte da filosofia, portanto, teremos mais perguntas do que respostas e cada um que tire suas conclusões. Não viemos para explicar, viemos para provocar que os cruzeirenses pensem e, com certeza, pensar não dói !

É provável que, poucos cruzeirenses lembrem-se dos Médicis e Savóias? do que significa Azzurra? de quem foi e o que era o personagem histórico conhecido como Maquiavel? Em colunas anteriores, com o propósito de fazer uma transposição da Idade Média para nossos dias,  sobre uma certa camisa azurra, com cinco estrelas no firmamento, tratei do tema. E analogias com os ensinamentos do conselheiro dos príncipes medievais, Niccolò Machiavelli.

Dos Aduladores

Maquiavel trata, em capítulo separado, a questão dos aduladores, após vencida a guerra. Sun Tzu não os trata assim, aborda a questão antes da guerra como categorias de espiões e alguns deles passarão a ser apoiadores.

Certamente, a lógica de ambos os personagens retratados por Maquiavel e Sun Tzu é da conveniência de saber tratar com ambos, quando o ´Príncipe` está no poder. Como o Cruzeiro tem origens italianas, entendemos que a abordagem maquiavélica é mais apropriada e aplicável para uma estrutura de poder que é um comandante de clube de futebol e a estrutura de conselheiros existente.

Por conseguinte, a ideia é de quem ninguém governa sozinho, e o que faz um bom ´Príncipe`, segundo Maquiavel, é a prudência e capacidade de decisão para filtrar os bons conselhos e torná-los o desejo do seu ´povo`. Um comandante que ouve conselhos daqueles que acha que são bons, daqueles que querem lhe ser agradável, está arriscando seu reinado.

O título original da abordagem de Maquiavel é: ´De como se evitam os aduladores`. Fazendo uma migração para as cousas do Palestra Mineiro, eu diria que pode ser lido por: como transformar conselheiros em uma fonte de bons conselhos aplicáveis e com resultados positivos para o povo.

Bons Conselheiros

Devemos entender que bons conselheiros, não obrigatoriamente, são aqueles colocados em posições formais de conselho. Espero que conselheiros eleitos recentemente não apenas entendam isto, mas que abandonem suas questões pessoais e hedônicas.

O ´Príncipe` imprudente, age como mandatários que ´fecham-se em copas` com seus conselheiros preferidos e não ouvem a voz do povo. Estes imprudentes não ouvem as críticas ( ou não gostam de verdades que lhes dói). Maquiavel considera imprudente aquele que ouve a tudo e a todos e toma decisões que lhes são mais agradáveis. Imprudentes também gostam de manter uma eminência parda ao seu lado, um ´pau pra toda obra`, que, eventualmente, assume algumas ações do soberano para livrar-lhe da responsabilidade de tomada das decisões.

Aí entra um papel personagem moderno, a mídia. Se na Idade Média a divulgação das decisões era difícil, hoje, o povão clama por manchetes na mídia. Chega-se ao absurdo muitos torcedores criticarem um dirigente porque ele não foi à mídia rebater algum arroubo de dirigente desqualificado do adversário. A chamada opinião pública não quer saber dos problemas e soluções, quer verborragia via mídia. E os profissionais (???) da mídia vivem disto. Pouca informação, nenhum conhecimento e muita adulação aos soberanos. Como o tema é de âmbito interno, este personagem é como televisão velha. Totalmente sem controle e pronta a agradar teleguiados.

Terceira Via

A terceira via que deve tomar o soberano é escolhendo entre seus comandados, conselheiros formais ou não, que tenham o direito de falar a verdade. Que sejam entendidos e ouvidos a respeito de tudo, que falem das ideias e das coisas, que não falem das pessoas. Assim como no provérbio oriental, falar das pessoas longe delas só demonstra o quão tolo e adulador é quem faz assim (é diferente de falar diretamente para a pessoa, entenderam?). Estes que falam a verdade, devem sentir que estão sendo valorizados por isto.

O ´Príncipe` deve ouvir sempre que ele assim o desejar e não quando seus conselheiros quiserem falar. O ´Príncipe` deve fica atento, nos dias de hoje, às blindagens que seus assessores diretos promovem. É comum um ´Príncipe` não saber de nada do que está acontecendo por conta de conselheiros com desvios de conduta.

Como se não bastasse, ressaltamos que existem casos em que este ´Príncipe` escolhe a dedo alguns conselheiros para manterem esta atividade e, reservadamente, posicionarem o soberano de tudo. São, na realidade, péssimos conselheiros. O último mandatário do Cruzeiro, no afã de mostrar-se todo-poderoso e capaz de conduzir às maiores conquistas, agia com grupo restrito de ´conselheiros`, a maioria de aduladores (alguns sobreviveram à guerra fraterna e agora viraram espiões sobreviventes), e colocou e risco (na realidade perdeu) seu reino e reinado de maneira vexatória.

Aduladores Honoríficos

Outrossim, terminologias modernas aplicáveis às disciplinas de recursos humanos e títulos honoríficos não me sensibilizam. Seja num regime presidencialista ou num império; frases de efeito e chavões não explicam nada. Num reino o ´Príncipe` tem que ter autoridade, saber ouvir verdades e decidir. Se optar por ouvir somente uma eminência parda, poderá pagar caro e perder seu trono, de fato ou de direito. A briga por ´poder` numa instituição como o Cruzeiro é insana. Ultrapassa muitos limites do razoável e expõe muitos desejos individuais. O ´Príncipe` deve distanciar destes personagens aduladores.

Em suma, entendo os aduladores e oportunistas, mas não os respeito e nem perco tempo debatendo com aduladores vendilhões. A maioria busca poder, mesmo que efêmero ou fantasioso. Outros buscam apenas a sobrevivência nesta guerra que se tornou nosso país. Mas o ´Príncipe` da vez deve ter a capacidade de harmonizar conselhos divergentes para o benefício do povo (inclusive, e principalmente, os que não estão contemplados na ´constituição` do clube). O Cruzeiro não tem clientes, tem um povo apaixonado que não deve ser tratado como um comprador de gôndola de supermercado. E deve se respeitado pois tem inteligência e não é (OK, é minoria !) massa de manobra ou indígenas que trocam sua alma e paixão por espelhinhos, simplesmente porque algum ´conselheiro` deu um mal conselho adotado de maneira açodada pelos dirigentes.

O ´Príncipe Azul`, o ´Príncipe` da vez no Cruzeiro entenderiam Sartre e o seu Pour-Soi.

Repercussão

Diante disso tudo, agradeço algumas manifestações altamente positivas (poucas é verdade) feitas por interlocutores importantes. Se bem que, mesmo as críticas, até aquelas eivadas de rancor ou ameaçadoras, que recebi reservadamente, são pedagógicas. Tudo mostra que algum efeito será conseguido. Recomendo que sugiram a leitura a todos que, mesmo não sendo conselheiros formais, não sendo participantes ativos da vida política do clube, sendo apenas torcedores que são apaixonados pelo Cruzeiro, possam pensar sobre esta abordagem. Passamos muito tempo perdendo debates estéreis, pueris e até imbecis nas redes sociais. Talvez seja momento de mostrar que nem todos são assim e pode-se debater política e futebol integrados.

 

(*) Este texto é uma adaptação de texto publicado originalmente no site e redes sociais do Cruzeiro.Org.

 

Charge: Duke

P. S. –  Reitero também o pedido feito em muitos momentos da vida deste blog e presente na página de “Advertências“. Observações, sugestões, indicações de erro e outros, uma vez que tenham o propósito de melhorar o conteúdo, são bem vindas.

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