Maquiavel e a Raposa

Filosofando Maquiavelicamente III

Maquiavel

Deve um Príncipe guardar a palavra dada? Segundo Maquiavel, depende. E assim, o Príncipe pode fazer o mal ou o bem, quando quiser …

A Série

Mais perguntas do que respostas. Faz parte da filosofia. Cada um que tire suas conclusões. Não viemos para explicar, viemos para provocar que cruzeirenses pensem. Não dói ! A cada mês, no dia dois, mais um episódio.

Lembram-se dos Médicis e Savóias? Azzurra? Maquiavel? Três colunas anteriores propuseram uma transposição da Idade Média para nossos dias, ainda sobre uma certa camisa azurra, com cinco estrelas no firmamento. E analogias com os ensinamentos do conselheiro dos príncipes medievais, Niccolò Machiavelli.

Qualquer semelhança com fatos ou personagens reais é mera coincidência, ou carapuça enterrada até o umbigo.

Da Palavra Dada

Fiquei impressionado com o momento do Cruzeiro (Futebol profissional, futebol de base e futebol americano) e a aplicabilidade deste ´capítulo` maquiavélico. O título original traduzido é algo como ´de que forma os príncipes devem guardar a palavra dada`, ou numa livre tradução, prometeu? foda-se, só não diga foda-se. A hipocrisia deve ser mantida sempre.

Piedade, fé, integridade, humanidade e religião são as qualidades que um Príncipe deve apresentar, sempre. Mesmo que faça o mal, aos inimigos ou aos amigos aduladores, que um dia não serão mais úteis, não interessa. Aparências nas qualidades é o que importa.

Torcedores costumam ser fiéis, haja o que houver. Uma nação como a do Cruzeiro, tem muitos fiéis, destes de carteirinha e dízimo (situação que Maquiavel não disse, mas cometo uma livre licença poética para trazê-los para os dias atuais). Torcedores de futebol tem na fé uma profissão. Assim que os príncipes gostam.

Raposa

O curioso neste capítulo do livro de conselhos de Maquiavel para o Príncipe é que ele associa o comportamento do governante com três animais (nenhum tem penas!): o Leão, a Raposa (JURO!) e o Lobo. E o comportamento do Príncipe tem que ser de acordo com as maldades que ele faz. Vai fazer o mal, chama seu perfil de Leão, vai fazer o bem, chama o perfil de Raposa, e ambos sabem como se livrar dos lobos e hienas. Cordeirinhos e coelhos são engolidos pelos demais.

Os torcedores do Cruzeiro (nem todos, que fique claro!) não conseguem pensar como raposas. Pensam como coelhos ou cordeiros. Existe nesta fauna, os penados que são o alimento de todos os bichos que o Príncipe assume. Mas penados se sentem à vontade e protegidos diante de cordeirinhos e coelhos. Dai, a explicação porque parte da torcida fica pedindo para a raposa aparecer na mídia e atacar aves de pena.

Centauro

Diz a lenda que os príncipes antigos tinham como preceptor um Centauro (metade animal e metade homem), e assim justificava-se o Príncipe poder ser mau (metade animal – irracional) quando quisesse, e ser bom (metade homem – racional), se fosse do seu desejo.

Fé Jurada

O Príncipe não precisa ter as virtudes e qualidades de um ser racional. Precisa aparentar estas qualidades. Precisa de fiéis seguidores, mercenários ou crentes, desde sirvam ao Príncipe, quando necessário.

A astúcia da raposa (Mangabeira era um visionário ou lia muito Maquiavel) serve para saber manter os fiéis sob controle, não deixá-los pensar.

A palavra dada, jurada, jogada ao vento, divulgada, não importa, os fins justificam os meios. Deve-se pensar que sempre os fins podem justificar qualquer ação má. Os fiéis acreditam nisso, desde que se conquistem e humilhemos nossos inimigos.

Alguém pode pensar que estou ficando maluco, não estou.

Acompanho a política barro-pretana há muitos anos. Ainda era adolescente, não tinha mais meu pai presente fisicamente, e já acompanhava tudo. Lembro-me que participei de alguns movimentos que fizeram Felício ir aos jornais prestar contas da situação financeira do clube; está viva na minha memória a semana em que nossos adversários rurais perderam alguma coisa e quebraram todas as árvores da avenida catalão e construímos um movimento para plantar as árvores que eles arrancaram (afinal, a Toca III é nossa desde sempre!).

Hoje, só de escrever colunas como esta, corremos o risco de apanharmos, moralmente e fisicamente, e o Príncipe vai dizer que não sabe de nada ou não tem nada a ver com isto. Mas, um dia, quem bate ou manda os outros para a guilhotina, pode virar um Danton (advogado e político), defensor ardoroso da Revolução Francesa e guilhotinado quando começou a encher o saco.

A palavra dada, ainda mais nos tempos atuais que exigem contratos e testemunhas, tem que ser guardada e honrada e não somente vilipendiada. As recomendações de Maquiavel de guardar em conformidade aos interesses pessoais do Príncipe não podem se sobrepor à vontade da nação. Infelizmente, existe a tal mídia que manipula ovelhas e coelhos de acordo com os desejos e vontades do Príncipe.

Mas vai faltar guilhotina para gente como Danton, um iluminista que era filho da pequena burguesia servil, comprou o diploma de advogado e achava que podia fazer o mal em nome de príncipes e imperadores.

 

Imagem: Reprodução Internet

Pedido de Doação

Meu irmão está precisando de doadores de sangue (qualquer tipo e fator). Só assim, ele e muitos outros pacientes que precisam de sangue para transfusão ou de hemoderivados, conseguirão prosseguir com seus tratamentos. E poderão ter a esperança de uma melhoria e retomada da normalidade em suas vidas.

#DoeSangue

Carlos Henrique de Oliveira (paciente do Hospital Mater Dei)

Hemoter – Banco de Sangue

Hemoter recebe doações para pacientes que estão internados em diversos hospitais. A doação pode ser realizada para paciente específico ou voluntário para o banco de sangue.

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Endereço: Rua Juiz de Fora, 861, Barro Preto – Belo Horizonte.

Telefone: (31) 3295-4584

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