Professores da Fraude

Professores da Fraude

Primeiro de Abril

Descobrir quem são os professores da fraude tenha pouca importância para muito. Diz a lenda que, o primeiro de Abril, no Brasil, começou em Minas Gerais, logo após a proclamação de Independência, com a circulação de um periódico de nome “A Mentira” que anunciou a morte de D. Pedro. Imediatamente desmentida (o desmentido durou até ele morrer de verdade pois não havia rede social). Vem daí a origem dos fake news.

Seriam eles os culpados ?

Há muitas explicações para o 1 de abril ter se transformado no dia da verdade, também 
conhecido como dia das mentiras, dia das petas, dia dos tolos (de abril), dia da gafe 
ou dia dos bobos. 
Uma delas diz que a brincadeira surgiu na França. Desde o começo do século XVI, o Ano 
Novo era festejado no dia 25 de março, data que marcava a chegada da primavera. As 
festas duravam uma semana e terminavam no dia 1 de abril.
Em 1564, depois da adoção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX de França determinou 
que o ano novo seria comemorado no dia 1 de janeiro. Alguns franceses resistiram à 
mudança e continuaram a seguir o calendário antigo, pelo qual o ano se iniciaria a 1 de 
abril. 
Gozadores passaram então a ridicularizá-los, a enviar presentes esquisitos e convites 
para festas que não existiam. Essas brincadeiras ficaram conhecidas como plaisanteries.

Fonte: Wikipedia

Quinze anos atrás

Exatos quinze anos atrás, eu estreava, oficialmente, no serviço público federal. Talvez fosse uma dia folclórico e impróprio. Ou não. Mas as piadas e gracejos que ouvi, antes, durante e depois da minha experiência no Planalto Central servem de lembrança para que eu escreva esta visão sobre os professores da fraude em concursos públicos.

 Operação Galileu

Estive ali, próximo de tudo que envolvia segurança da informação. Foi por isso que comecei a trabalhar no Planalto Central. Eu ficava impressionado como a mídia e os jornalões ( à época ignoravam Internet e redes sociais),  deturpavam os fatos e realidade. A “verdade” era somente o que saía no Jornal Nacional, Veja, Folha, Globo (mudou?).

Logo depois, pouco antes de aparecerem as denúncias do que viria a ser denominado “Mensalão”, estourou uma operação (se não me engano Galileu) que desbaratou uma grande quadrilha nacional, do Oiapoque ao Chuí, em todas as esferas e poderes, que abria feridas nos concursos e suas decorrências. Os professores da fraude estavam operando há muito tempo.

Acima de tudo, o mecanismo consistia em comprar um gabarito, o ganhador da “megasena” daria as respostas certas, seria nomeado em cargos muito bem pagos e depois, sob demanda, pagaria o almoço. Especulou-se que antes da operação, servidores públicos estavam sendo colocados em posições estratégicas, notadamente no Poder Judiciário, para dar um ar de legalidade e independência a tudo e a todas as decisões.

Certamente, não existe almoço grátis !

 Professores da Fraude

As maiores acusações recaíram sobre um dos maiores organizadores de concursos públicos e vestibulares do país, o CESPE, ligado à UNB. Assim sendo, este instituto saiu com a imagem seriamente arranhada.

Outros institutos passaram a ser questionados e a “solução” foi criar entidades fantasmas e inexpressivas. Afinal, que iria se preocupar com concursos para prefeituras e órgãos públicos de menor visibilidade?

O CESPE mudou de nome e virou CEBRASPE. Com toda a certeza, está tudo como dantes no quartel.

Alguns até acharam que mudou. Os concurseiros profissionais, especialmente os bacharéis em DIreito, sempre beneficiados com regras e enquadramentos nos concursos, elegeram outros organismos de seleção. Da mesma forma, as provas continuaram acontecendo e os professores da fraude ampliaram seus braços para cursinhos preparatórios.

Não acabou !

O Mecanismo

Surpreendentemente, foi noticiada, de forma restrita, a Operação Panoptes (na mitologia grega, o servo de 100 olhos da deusa Hera, que fazia tudo que ela ordenava). A operação pegou professores e técnicos que deveriam cuidar da  segurança e lisura concursos. No caso específico recente, era um concurso para professores. Professores da fraude facilitando para formar professores.

Se a prisão dos acusados teve pouca repercussão nacional (talvez os patetas estejam mais interessados na ficção “O Mecanismo“). A soltura deles, por outro lado, pode revelar um pouco do que temos no país.

Entretanto, a história não deve se resumir a estes professores da fraude de Panoptes ou Galileu. Médicos, Advogados, concurseiros profissionais, e muitas outras profissões podem formar seus egressos dos bancos escolares como verdadeiros operadores e professores da fraude. Até o ENEM está sob suspeita. Como disse Tim Maia, não pode dar certo.

MENTIRA

Enfim, desde “A Caverna de Platão”, a verdade e a mentira são muito relativas. Tem sido muito fácil rosnar  violência e diarreia mental nas redes sociais. E quando pedimos algum tipo de contemporização, muitas vezes recebemos até ameaças físicas, como a que recebi de um cérebro de anabolizantes, recentemente.

Por mais que estas operações sejam divulgadas em séries e pela mídia, são seletivas. Professores da fraude, acreditam na imunidade.

Concluo portanto que, tudo aquilo que escrevi não é uma mentira !

Descubram que é a deusa Hera ! Morte ao fakers news !

 

Charge: Curso Solon

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