Milagre dos Peixes

Não foi acidente – O Milagre dos Peixes

Acidente ou Crime?

Esta publicação de  “O Milagre dos Peixes” é um marco de mudança.

Em 26 de fevereiro de 2016, logo após ter lançado este blog, publiquei o primeiro post relativo ao crime de Mariana. Chamei-o de “Não foi Acidente“. Eram passados quase 100 dias e começava então o esquecimento. Não imaginei que publicaria muitos outros. Em 3 de abril, dois dias antes de completar 5 meses, vi que eu não poderia me omitir. Nascia a série com o “Não foi acidente 2“. O crime, naquele momento, perdia as manchetes dos portais. Enquanto isso, os corpos das vítimas e a lama ainda estavam quentes.

Completados, nesta data, resolvi mudar o título, sem, no entanto, esperar um número cabalístico. São 29 meses de dor e muita omissão. Este tema continuará a ser publicado, com títulos distintos, que reflitam cada momento atualizado da tragédia.

A Origem

O crime nasceu da negligência da Samarco, mineradora controlada pela Vale (multinacional de origem brasileira, privatizada) e BHP (mineradora de origem australiana). A barragem de fundão ainda está localizada no município de Mariana (MG). Rompeu-se no dia 5 de novembro de 2015 e deixou um rastro de 19 mortos (um corpo ainda não foi encontrado).

Foram centenas de desabrigados; milhares de desempregados, no maior desastre ambiental, não natural, do Brasil. Um não-acidente de proporções trágicas, cujos efeitos perduram até hoje. E, com toda certeza, pode se repetir a qualquer momento. O Crime deixou um rastro maldito de poluição e degradação no Rio Doce e suas redondezas.

O Milagre dos Peixes

Imaginei este post para ser publicado na Semana Santa.

A multiplicação dos pães e peixes é o termo utilizado para se referir a dois diferentes milagres de Jesus.

Primeiramente, o milagre conhecido como “Alimentando os 5.000” (em Mateus 14:13-21, Marcos 6:31-44, Lucas 9:10-17 e João 6:5-15), e, possivelmente, no evangelho de Maria Madalena e Daniel. De fato, é possível que muitos o conheçam como milagre dos cinco pães e dois peixes.

O segundo milagre, naturalmente denominado “Alimentando os 4.000” (em Marcos 8:1-9 e em Mateus 15:32-39), mas não em Lucas e em João. Da mesma forma, é também conhecido como milagre dos sete pães e alguns pequenos peixes.

"Jesus então perguntou-lhes quantos pães eles tinham e a resposta foi 
´Sete, e alguns peixinhos.` Ele então pediu ao povo que se sentasse e 
tomou os pães e peixes e agradeceu por eles, quebrando os pães e dando-os 
aos discípulos que, por sua vez, os distribuíram ao povo. Toda a multidão 
comeu até estar satisfeita e, depois do milagre, ainda sobraram aos 
discípulos sete cestos com pedações de pão. 
O número dos que comeram foi de quatro mil, além das mulheres e das 
crianças."

Versão: Wikipedia

Assim, fora a questão de divergências de evangelhos e de quantidades do milagre, posso chamar este post de ” O Milagre dos Peixes”. A proximidade da Semana Santa e o fato do crime ter dizimado mihares de  peixes, pesaram na minha conclusão. O que elevou, assustadoramente, a gravidade do crime ecológico e contra as pessoas.

Peixes do Rio Doce

Então, é muito cruel ler depoimentos das vítimas, desde Mariana até a foz do Rio Doce. Mas, pode ser pior, quando vemos falsos cristãos pensando que não houve crime ou defendendo os criminosos responsáveis. Ao mesmo tempo que esperávamos (talvez eu seja um tanto quanto cético), o milagre dos peixes, os abusos e novas ameaças permaneciam. O número trágico é de que, um ano após o início do acidente, mais de 90 espécies de peixes foram dizimadas. 13 destas espécies só viviam no Rio Doce sendo que 11 estavam ameaçadas de extinção.

Certamente, os dois acidentes ocorridos, recentemente, com um mineroduto, tenha assustado algumas autoridades.

O Ministério Público Federal (MPF), do Trabalho (MPT), de Minas Gerais (MPMG), do Espírito Santo (MPES), as Defensorias Públicas da União (DPU), de Minas Gerais (DP-MG) e do Espírito Santo (DP-ES), uniram, enfim, para avaliar o crime. Estes órgãos resolveram questionar a Samarco, BHP Billinton, Vale, e a Fundação Renova (criada para resolver problemas decorrentes do crime).

A mais grave ocorrência diz respeito às indenizações. Valores indenizatórios indevidos para alguns, fez com que  outros atingidos pensem que, se não aceitarem rapidamente a indenização, haverá prescrição de direitos. Quem faz este tipo de ação é criminoso. Tem que ser investigado, processado e condenado.

Com o clima de impunidade reinante no país, do mesmo modo que nas montanhas de Minas, prevejo muitos crimes dentro do crime original. Alguns acusam pescadores, que viviam do peixe do Rio Doce, de preguiçosos e malandros. Quem faz este tipo de acusação é criminoso.

O milagre dos peixes não veio, e não nos esqueceremos !

 

Imagem: EBC

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