Antelope - Oregon - Melhor morto

Melhor morto do que vermelho

Osho

Existe uma série documentário, baseado em fatos reais que tem causado furor no meio artístico, sobretudo dentre algumas personalidades globais e midiáticas. Vi a série chamada “Wild Wild Country” (Netflix), que usa a temática real da primeira metade dos anos 1980 e fiquei assustado com a falta de informação que tínhamos sobre o que acontecia no mundo. Não existia a Internet, uma vez que os melhores meios de comunicação eram a revista Veja e a Folha (de rabo preso !). Apropriei-me do adesivo que dizia, literalmente, Better Dead Than Red, estampado nos para-choques dos carros com o propósito de abordar o tema. Numa tradução literal como Melhor Morto do que Vermelho, com todo o viés político que isto significa.

Publiquei, anteriormente, um texto que foi pouco entendido, se bem que tentei brincar com uma coisa séria. Associei a anencefalia às posições que os eleitores e frequentadores de redes sociais atuais. É provável que naquele texto (“Sobrevivendo com anencefalia“) as pessoas não tenham acreditado que percentual significativo de estadunidenses acredita que achocolatado é produzido por vacas marrons.

A brincadeira ficou séria !

Série

Em resumo, a história da série é simples. O guru indiano Bhagwan Shree Rajneesh (posteriormente Osho), e sua secretária pessoal Ma Anand Sheela, arrebanha seguidores no mundo inteiro. Tem problemas na Índia e compra terras no estado de Oregon para iniciar sua nação “revolucionária”. As terras, localizadas na pequena cidade de Antelope, condado e Wasco, servem para a criação da comunidade Rajneeshpuram na América.

Os relatos são intrigantes, os depoimentos são assustadores, os republicanos do Oregon são os mesmo que elegeram Trump. Uma das situações do documentário é quando mudam no nome da cidade de Antelope. Na “campanha” pelo plebiscito ou coisa que o valha, os tradicionalistas associam os seguidores de Bhagwan a comunistas. Os adesivos nos carros com os dizeres, “Melhor morto do que vermelho” são identificadores de todos os reacionários.

A história fica bem interessante se imaginarmos que estávamos vivendo no Brasil o movimento das “Diretas Já”. Portanto, quem não viveu aqueles tempos vai ficar meio sem saber de muitas contextualizações e enredo. Mesmo quem viveu não tinha informação dos detalhes do que acontecia no Oregon. Trabalhei com seguidores do Osho e só “caiu a ficha bem recentemente”.

A verossimilhança entre fatos daquela época e o que estamos vendo hoje é aterrorizante. A princípio, se imaginarmos os personagens e o final proposto pelo documentário, fica temerários em ano de eleições “quase” gerais.

Gostei da série e fiquei preocupado.

Melhor morto

A frase “melhor morto do que vermelho” tornou-se viral no Brasil. Em outras palavras, virou moda, especialmente nas hostes dos anti-petistas e dos opositores ao chamado Foro de São Paulo. Com efeito, os seguidores de Bolsonaro, Amoedo e outros menos cotados vão de roldão, mas sabem o que lhes espera, acreditam na repetição da farsa midiática de 1989.

Como se não bastasse, vociferam que é “melhor morto” sem saber de nada que está acontecendo. Querem apenas manter os privilégios e aquele papo de liberalismo é mera retórica. Adicionalmente, o embate direta x esquerda é frágil e inconsistente.

Mas, aqui entre nós, quem tá procurando consistência e fundamentação?

Outro dia ouvi um destes pregadores de púlpito (no documentário tinha de tudo que vivemos hoje) que “… a verdade triunfará …”; digo que é assustador.

É claro que não vou falar mais sobre a série pois recomendo que as pessoas vejam a mesma ANTES das eleições e de escolherem seus “messias” que irão “salvar” nosso Brasil.

Eleições 2018

Com toda a certeza, aqui no Brasil, como no documentário, temos confrontos entre uma maneira de viver, diferente e revolucionária,  contra o “establishment” das oligarquias tupiniquins. A conspiração real, verificada nos EUA, é reproduzida no Brasil. Se isto não é farsa, nada mais é.

Eu não tenho esperança, tenho a certeza de que o mundo acabou. O Brasil não é uma ilha que se salvou, estamos no mesmo “Titanic” e a bandinha continua tocando.

Enfim, o surrealismo que estamos vivenciando através das redes sociais é insano. Gente que batia no peito e se dizia “apolítico”, agora tem partido, tem pregador de estimação e já decidiu pelos outros.

Antelope é aqui, portanto, dirija com muito cuidado !

Imagem: Rajneess Foundation

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