Regime Militar - Iotti

Filhos e netos do regime militar

Filhos e Netos

Em primeiro lugar, quem são, onde estão e o que fazem os filhos do regime militar ? É o que perguntaria Sérgio Chapelin. Fico muito assustado ao me lembrar do sombrio apresentador  “Amaral Netto, O repórter“.

Os Millennials são netos do regime militar. Foram, de fato, criados à imagem e semelhança dos filhos do regime militar.

Eu me considero um destes,desde que fui criado naquele momento da história do país. Nasci em 1960 e perdi meu pai na adolescência, no auge do regime militar. E cuidei de ser um eleitor assim que me foi permitido. Escrevi um post sobre este regime de pseudo-democracia em que vivemos, na época das eleições estadunidenses.

Só que agora descubro que não vivemos num regime democrático, nem sendo eleitor.

O Regime Militar

Um site do Departamento de Defesa dos Estados Unidos publica documentos oficiais relacionados à relações exteriores. Desse modo, ainda fico muito tenso quando vejo alguns destes documentos. É provável que Assange divugou somente a ponta do iceberg. O mais curioso é que estes documentos “pulam” no site do “nada”, de acordo com interesses obscurantistas.

SOUTH AMERICA, 1973–1976

Um destes documentos tratam de como o ex-presidente do regime militar (anterior ao “prendo e arrebento”), com o propósito de mostrar a posição do regime militar, em “certas condições”.

SUBJECT

  • Decision by Brazilian President Ernesto Geisel To Continue the Summary Execution of Dangerous Subversives Under Certain Conditions

Fonte: Departamento de Estado USA 

Entretanto, uma coisa me deixa muito triste. Aquele ano de 1974 foi particularmente trágico pra mim, visto que em julho, vivi a pior e mais sinistra derrota de meu time de futebol. No mesmo dia meu pai sofreria acidente automobilístico e, logo depois,  morreria. Definitivamente, um período tempos sombrios.
Decerto, quando escrito por uma agência de inteligência dos EUA, é apavorante. A não ser que as pessoas prefiram mais hollywood e menos realidade).
Se bem que é curioso ver os nomes de Kissinger, Colby, Figueiredo, Médici e Geisel, claramente indicados e, entretanto, ver Golbery, “o mago”, ser mencionado em menos de meia dúzia de documentos, do tipo “água de batata”.

 Bolsominions

Inegavelmente, sou filho do regime militar…

Eu era uma criança de 9 anos quando concluí a 4a série do primário. E tive, surpreendentemente,  como paraninfo um militar: Tenente Sava. Logo após, na condição de “melhor aluno” da classe, ganhei uma “bolsa” para estudar “Admissão ao Ginásio”, no Colégio Militar de Belo Horizonte. Estudei lá dois anos. Assim que meu pai voltou a trabalhar em Belo Horizonte, mudei de colégio.

Uma criança de 9 anos, fazendo “ordem unida”, num calor escaldante de um asfalto, não é uma tarefa agradável.

Mas tem gente que tem saudades !

Existem algumas características nos bolsominions que era para reproduzir. É provável que, estatisticamente, algumas pessoas queiram me incluir no plantel de seguidores do pré-candidato a presidente parido pelo regime militar. Aliás, estão surgindo muitos deles, alguns saídos de catacumbas e porões fétidos.

Características típicas

O patrulhamento ideológico virou um Gre-Nal (eu falava em Fla-Flu, mas a rivalidade dos Pampas representa melhor a beligerância atual). Mas algumas características dos  bolsominions são curiosas.

Existem muitas, vejamos algumas:

Superprotegidos

Certamente, bolsominions são superprotegidos. Foram proibidos de pensar e questionar e, igualmente, obedeciam aos pais e desrespeitam as pessoas (claro que com apoio dos pais !). Assim sendo, tornaram-se reprodutores do status quo, nada reflexivos e meros repetidores de ideias alheias. Bolsominions não pensam, é medo de doer.

Mídia Oficial

Da mesma forma que aconteceu com seus pais, os filhos do regime militar foram adestrados pela mídia. O Exército matava “legalmente”, portanto era aprovado e gerava empatia. A criminalização do que não agradava ao regime, era o problema. A frieza e o medo eram originadas pelas notícias do “Jornal Nacional” uma vez que era “natural”, um desígnio. Via de regra, bolsominions só acreditam na mídia “oficial”, ou seja, Globo, Veja, Estadão

Amado ou Temido

Maquiavel, no seu livro “O Príncipe” falava no antagonismo de “ser amado ou temido”. Enquanto isso, no Brasil, esta máxima foi aplicada ipsis literis, Foi o tempo do “Ame-o ou Deixei-o” e da obediência servil somente por causa do temor imposto à sociedade. E aí daqueles que questionassem alguma coisa. Tal e qual bolsominions fazem em redes sociais.

Egoístas

Bolsominions são altamente egoístas. Afinal, são imagem e semelhança de seus gurus. Por exemplo, a família do líder deles, políticos profissionalizados, não resiste a cinco minutos de questionamento sobre suas ações coletivas. Bolsominions pensam que o Estado só pode interferir na vida o cidadão, desde que seja para reprimir o que eles defendem. Só é imoral, o que eles entendem como imoral. Exigem respeito que não oferecem.

Além disso, os pobres coitados, foram castigados por uma doutrinação dos pais, que tiveram doutrinação midiática e agora replicam, compartilham e “retuitam” tudo que recebem enquanto discípulos Bolsonaro.

Sobrevivendo

Afinal, estamos sobrevivendo. O regime militar impôs determinados grilhões que não nos livramos. Da mesma forma,  pássaros que vivem em gaiolas acham que é crime sair dela. As gerações criadas após o regime militar deveriam ser educada com a analogia do “Se você gosta de pássaros então quebre as gaiolas e plante árvores“.

Sem dúvida, não deu certo o pós regime militar !

 

Charge: Iotti

P. S. – Faço este pedido na página de apresentação, entretanto, gostaria de repeti-lo aqui. Qualquer observação, sugestão, indicação de erro e outros, podem colocar nos comentários aqui ou na página do Facebook

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