Crise - Dividas de empreendedores

Administração – Dívidas de Empreendedores

Causa e Efeito

De acordo com a minha bola de cristal, resolvi falar sobre um tema futuro possível, neste pós-apocalíptico da greve dos caminhoneiros. As dívidas de empreendedores individuais e de pequenas empresas, e até mesmo de médias empresas. Estas organizações são, na maioria dos casos, completamente despreparadas para situações que se apresentam neste momento.

Uma vez que, muitas das dificuldades resultantes de crises como esta, vem de duas vertentes, empresários inescrupulosos e sonegadores ou de empreendedores completamente despreparados. Neste caso, a oligarquia dominante e seus empresários, travestidos de “autônomos”, viram seus lucros diminuindo e colocaram seus capitães-do-mato e serviçais para fazer o trabalho sujo. Certamente, agirão como abutres sobre as dívidas de empreendedores inevitáveis neste contexto.

Como diria o não tão saudoso apresentador, “vai vendo …”

Contextualizando

Embora este texto seja focado nas dívidas de empreendedores, é sempre bom destacar que vale para as pessoas. O  péssimo hábito de todos microempreendedores de misturarem as finanças pessoais com seus negócios os arruinará. Não foram preparados para separar estas situações.

Para aqueles que abriram empresas recentemente, especialmente as denominadas MEI, e enterraram seus investimentos na empresa, assumiram dívidas que podem ser impagáveis. Entretanto, para empreendimentos que tem carteira de clientes consolidada, produtos com histórico no mercado e profissionais qualificados, fechar a empresa, com certeza, é atestado de incompetência do gestor ou de seu “consultor”.

A lógica de promover a falência e salvar o patrimônio pessoal é, com toda a certeza, fraudulenta e canalha. Já fui vítima destes empreendedores inescrupulosos. São fraudadores e sonegadores contumazes. E a Receita Federal e entidades fiscalizadoras os protegem de forma corrupta, conivente e criminosa.

A crise provocada pela manifestação dos caminhoneiros prova que o país fez escolhas políticas incorretas. Não vou abordar a questão do modal de transportes.

Ficamos nas mãos da oligarquia de transportes rodoviários, aceitem !

O que muitos não conseguem ver é que, a maioria dos empreendedores (individuais, micro, pequenos e médios) são dependentes deste modal, em maior e menor escala. E não adianta pensar que usando as tecnologias e redes sociais disponíveis este problema se resolverá.

Entenderam o o tamanho e profundidade do buraco ?

Dividas de empreendedores

Voltando ao foco deste post, que são as dívidas de empreendedores, que serão ou foram contraídas para que continuem funcionando. Um adendo, falar em “normalidade” como a mídia tem feito, é falácia, mentira, enganação. Certamente, alguns empreendimentos não se recuperarão antes das eleições.

O que tem levado a maioria dos empreendimentos a fecharem as portas, são as dívidas fixas, aquelas que entra mês e sai mês estão lá. Atualmente, ter uma suspensão de vendas de uma semana, quebra fácil muitos negócios. A maioria dos empreendedores negligencia e até tripudia quando nós falamos sobre a previsão de capital de giro. Alguns negócios parados e sem faturar, não tem como recuperar na semana ou mês seguinte. Como se não bastasse, estratégias de recuperação de desastres são, solenemente, negligenciadas por todos.

A causa de dívidas de empreendedores, sempre é a falta de planejamento. Não apenas a falta de acompanhamento e prepotência do dono do negócio, é sistêmico e envolve muitos fatores micro e macroeconômicos. A ideia dos empreendedores de peito aberto e com cara e coragem, valia no milênio passado, em alguns casos. Neste século, quem pensa assim nasce morto. E não tem acerto, benefício ou remissão do governo que dê jeito.

Aliás, quem atua a partir de benefícios fiscais e tributários, quando enfrenta algum percalço, tem o caminho limpo para a falência fraudulenta.

A ruptura do ciclo produtivo de qualquer empreendimento, é fatal. Cada pequeno empreendedor, ético ou não, é um despreparado para contingências. Usam e abusam, inclusive criminosamente, das liberalidades dadas pelo governo com as reformas trabalhistas.

Enfim, o trabalhador (MEIs inclusive), pobres coitados, vão pagar a conta nas duas pontas. Falo do mesmo personagem que foi às ruas vestindo de camisa amarela, bateu panelas e bradou “… somos todos caminhoneiros… “.  Paga a conta e não bufa.

Não pode dar certo !

Remédio

Para algumas empresas, não tem remédio, uma vez que prevalecerá o ditado: “pau que nasce torto …”

Da mesma forma, em muitos dos casos, a “solução” de fechar a empresa pode ser pior do que tentar recuperá-la.

Recomendo a empreendedores, inclusive aqueles que me solicitam ideias e oportunidades de investimento, uma vez que devem pensar “fora da caixinha”, se querem negócios “novos”. É necessário avaliar opções como a incorporação ou participação societária, em negócios que precisam de capital.

Nem sempre só o capital salva um negócio. De acordo com Marcos Lemonis, da série “O Sócio” do canal por assinatura History Channel, todo empreendimento está fundamentado no produto, no processo e nas pessoas. Eventualmente, se você não domina ou é “manco” num dos tripés, vai cair.

Injetar dinheiro com o propósito de salvar um empreendimento pode não ser uma solução. Resolver endividamento tem que ser com recuperação e revisão de processos, avaliação de pessoas e produtos. Muitas dívidas de empreendedores são originadas pela necessidade de quitar dívidas anteriores, uma armadilha fatal.

Ir no caminho de endividar para pagar dívidas é, certamente, o começo do fim.

Renegociação

No caso  das dívidas, fundamental é renegociar. TUDO.

Não faça nada do mesmo modo como na anedota do devedor que “sorteia” qual credor vai receber ao final de cada mês. Desde o fornecedor do cafezinho até o banco que emprestou dinheiro, tudo deve ser avaliado meticulosamente, de acordo com critérios profissionais e éticos. As receitas tem que ser maiores que as despesas, não existe mágica.

Se alguém imagina que qualquer empreendimento se sustenta com despesas maiores que receitas, está sendo enganado. Em determinados períodos, curtos, de entressafra, isto pode ser factível, mas para médios e longos períodos, é a morte anunciada.

Salários podem e devem ser renegociados, com honestidade e transparência. Portanto, fazer demissões com pagamento parcelado e contratação pagando por fora e o trabalhador usufruindo de seguro-desemprego, é fraude e canalhice.

Despesas pessoais (estas estão um post à parte), fixas, de infraestrutura, taxas e serviços públicos, exigem análise pormenorizada.

Contudo, após a revisão das despesas, provavelmente, será possível planejar o futuro da empresa. A partir do equacionamento, longe dos juros bancários, até alienando bens e direitos pessoais, inicia-se a recuperação.

Desse modo, as dívidas de empreendedores devem ser tratadas, urgentemente. Deixar para tratá-las quando o aviso do cartório chegar, NÃO É algo muito inteligente. Só revela o despreparo do empreendedor à frente de um negócio que pode carregar para a sarjeta outras pessoas.

Estratégia de guerra

Empreendedores estão entrando numa guerra. A maioria pensa que não tem nada a ver com isto e, surpreendentemente, até apoiou alguns movimentos, ficará desnorteada. Infelizmente, as oligarquias não estão nem aí para vocês.

"Os Estados que surgem rapidamente, como todas as demais coisas da natureza que nascem 
e crescem depressa, não podem ter raízes e estruturação perfeitas, de forma que a primeira 
adversidade os extingue."

Maquiavel

Em suma, a frase de Maquiavel é extremamente apropriada à situação vivida hoje. O “Estado” surgido pelo golpe e pela insatisfação dos perdedores das eleições de 2014, fez água. A base estava calcada no “… primeiro ela e depois os outros …“.

Lá vamos nós para novas eleições presidenciais, com o propósito de buscarmos mais um Sassá Mutema.

Não vai dar certo !

 

Imagem: Diário do Comércio (MG)

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