Lama da Samarco - Duke

Não foi Acidente – A arte na Lama

 Lama

É provável que VOCÊ seja daqueles que apontam seu dedinho cheio da lama na direção de outros que fazem alguma cagada ?

Ou VOCÊ age conforme os sociólogos, que nunca fizeram nada para a humanidade e acham que estão certos e tem solução para tudo?

Se bem que, qualquer que seja a quantidade de lama de seu dedinho, seria bom que ao menos os mineiros, descessem do muro. Sejam contra ou a favor, o crime cometido pela Samarco não é coisa para ficar sem opinião.

É aviltante o silêncio obsequioso de quem tem interesses, nem sempre nobres e não emite uma palavra sequer. Do mesmo modo, fico intrigado com quem se cala diante de tanta impunidade. Atire a primeira lama seca quem não tem rabo preso ou nunca esteve atolado.

E nem falo das  ´otoridades` pois, em ano eleitoral, é um risco perder votos ou perder doações. Mineiramente dizem, neste caso, é mió cá lá.

Acidente Ou Crime?

Criei o primeiro post sobre a lama de Mariana, em 26 de fevereiro de 2016 com o título “Não foi Acidente“. Portanto, vi que as notícias estavam caindo no esquecimento muito rapidamente. Os posts numerados chegaram ao número 32 (alguns ainda não publicizados). Desde janeiro tenho feito remodelações no blog, abandonei a numeração. Em suma, reciclei e arrumei um outro formato, com títulos específicos, para continuar mostrando a “lama” da Samarco.

O Crime

A barragem operada pela Samarco, mineradora controlada pela Vale (Multinacional de origem brasileira, privatizada) e BHP (mineradora de origem australiana), localizada no município de Mariana (MG), rompeu-se no dia 5 de novembro de 2015.  Deixou um rastro de 19 mortos (um corpo ainda não foi encontrado) e muita lama.

Certamente, não foi acidente !

Centenas de desabrigados, milhares de desempregados e o maior desastre ambiental, não natural. do país. Decerto, um dos maiores não-acidente, de grandes proporções, no Brasil e possivelmente do mundo, nos últimos tempos. Deixou um rastro de poluição e degradação no Rio Doce até sua foz, no litoral capixaba.

A indignação não me deixa esquecer. Desde que o assunto saiu da pauta da mídia, muitas pessoas já esqueceu o assunto. A mídia gosta de repetir mentiras para virar verdade. Criticar as oligarquias e quem a mantêm sobrevivendo, não pode.

Dia mundial do Meio ambiente

Nunca cansarei de repetir. Inegavelmente, detesto a escolha de datas para se “comemorar” ou mostrar importância de algo. Nesta data, comemora-se o Dia Mundial do Meio Ambiente. Consignada pela Assembléia Geral da ONU, em 1972. Transformou-se, inclusive, em “Semana Mundial do Meio Ambiente”, com efeitos práticos pouco eficientes. Os “bárbaros” e ignorantes do Sul não sabem em se apropriar destes assuntos.

Viram manifestações de brasileiros sobre o MAIOR crime ambiental não-natural do Brasil, acima de tudo manifestações de apoio aos atingidos? Pois é !

Em Minas Gerais um deputado criou três projetos, sobre o assunto: 1) Proibição de construção de diques feitos com material de rejeito; 2) Criação da Política Estadual dos Atingidos por barragens; e 3) Destinação da Taxa Minerária para controle, monitoramento e fiscalização de atividades das mineradoras.

Não apenas é desnecessário, como é inútil dizer o tamanho do descaso e oposição, omitem-se para esconder qual a posição de cada candidato. Causa indignação ver gente de dedinho sujo de lama, como sociólogos desqualificados, et caterva, dizendo que “… uma turma de vagabundo e aproveitador …”.

Peça de Teatro.

Entretanto, no meio de tanta lama, vemos que algumas pessoas, inclusive jornalistas, tem sua ética mantida íntegra. Uma peça teatral foi produzida e aborda as sequelas e decorrências do crime do leito do Rio Doce e adjacências.

A “Lama”, dirigida por Marcelo Bones e protagonizada por Ângela Mourão, Bruna Sobreira e Thiago Amador teve curtíssima temporada. Não pude estar presente as comprei um ingresso e dei a uma pessoa para acompanhar a apresentação. Espero que tenha outras apresentações, inclusive em espaços no interior, junto a pessoas de baixa renda (Seria pedagógico !). Enfim, um elogio a todos envolvidos no projeto.

A Saga continua

Existe uma música de Clara Nunes ( “Lama” ) e, num jogo de palavras. Com efeito, destinei-a aos  meus adversários no futebol. A maioria acusou o golpe, uma vez que as ofensas pessoais vieram rápidas. Clara Nunes era uma legítima tecelã da Cachoeirinha e muito cruzeirense. A música caiu como uma luva para nosso rival citadino em 2005.

Entretanto, a última estrofe se presta, com bastante propriedade, para a lama de Mariana, seus criminosos e os omissos.

“…Por isso não adianta estar
No mais alto degrau da fama
Com a moral toda enterrada na lama.

 

Charge: Duke

P. S. – Reitero o pedido feito na página de apresentação. Qualquer observação, sugestão, indicação de erro e outros, com o propósito de melhorarmos o conteúdo, coloquem aqui ou na página do Facebook.

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