Escrava Particular - A Arte e Cultura na Diáspora Blogspot

Escrava particular ou “Um dia de babá”

Escrava particular

Esta história é  a reprodução de um texto que “viralizou” nas redes sociais. Trata-se de um relato de como manter uma escrava particular em rédeas curtas. O texto a seguir não é de minha autoria e serve para mostrar que, passados 5 anos do texto original, caminhamos a passos largos para a situação ficar pior.

Como se não bastasse a flexibilização das leis trabalhistas e o escárnio para com as empregadas domésticas (no caso as mulheres são mais ultrajadas que os homens) só cresce. Ser escrava particular, com certeira assinada vai ser um “privilégio” de uns e ter estes escravos direito de outros.

 

“O TEXTO DA BABÁ – 5 anos depois”

Janeiro de 2013. (*)

Viralizou nas redes um texto no qual uma jovem blogueira da “high society” mineira ensinava suas amigas a lidar com as babás.

Quem não se lembra do famoso “Texto da Babá?”

Relê-lo agora, 5 anos depois, ajuda a esclarecer mais ainda o apoio das classe média e alta ao GOLPE DE 2016.

Parece até mentira, leia alguns trechos abaixo:

Em São Paulo

“Um dia a minha babá comentou que uma amiga tinha viajado de avião, sonhando alto. Então, falei com o Gustavo e achamos passagens super baratas pra passar um final de semana estendido em São Paulo. Ela delirou, claro, na ida no avião perguntou se podia aceitar o lanche, se tinha banheiro, se ela podia escolher aonde sentar. Enfim, prefiro assim do que as folgadas que vão logo pedindo refrigerante ou sei lá o que; e ainda adoram falar suas experiências pessoais de viagens ao exterior.

A estreia da minha babá foi logo no Fasano (www.hotelfasano.com.br) em um quarto conjugado espetacular, era caro, óbvio, mas o Emiliano (www.emiliano.com.br) estava me obrigando a pegar dois quartos, o que ficaria muito mais caro. Enfim, deixei claro pra ela que aquele hotel era caríssimo, então não era pra ficar pegando coisas do frigobar, etc. Até porque dou muito valor pro meu dinheiro e não quero uma babá pedindo room service sem a minha autorização, o que acontece direto por ai.

Ração

Acho que não tem problema algum vc leva-la pra comer no mesmo restaurante ou ate leva-la em algum lugar mais simples e depois vcs irem a algum lugar caro demais, acho que ai impera o bom senso. Por exemplo, o Gustavo não gosta que a babá fique sentada na frente dele ouvindo nossas conversas enquanto ele toma um vinho.

Em outras oportunidades em que vc quer que ela coma antes porque o restaurante é caro ou porque vão outros casais vc pode dizer problemas, tipo assim, “hj vamos a um restaurante com a comidas muito diferentes que vai demorar ou muito caro e etc, então vamos passar pra vc comer em algum lugar, vc prefere pizza ou Mc Donalds”?

No Rio de Janeiro

A segunda viagem que fizemos levando a babá fomos pro Rio de Janeiro e, como eu já estava grávida de quatro meses, achei que seria uma boa ideia sentar na praia e ler revista, já que um mês depois iríamos pra Miami só nós três e foi ótimo.

Falei tudo o que ela devia usar, até a mala eu que dei, e dei um maiô maior, mais comportado mas mesmo assim ela ficou constrangida de usar e colocou um short preto por cima que estava furado, ai claro, meu marido falou na hora, no meio da praia, “pq vc deu um short furado pra ela usar na praia?

Eu mereço, nada passa sem ele ver, mas ficou a lição.

Achei que no Rio de Janeiro foi muito útil a presença dela, primeiro pra andar atrás do Luiz Gustavo na areia, pq ele gosta de ver as coisas então eu podia sentar, ver revista e ficava olhando ele ir e vir da beirada no mar; outra coisa é fazer castelo na areia, a minha babá é bem nova, acho isso fundamental pq criança gosta de brincar e babá que não brinca, não senta na areia e faz castelo pra mim não serve e as vezes eu não gosto de ficar toda suja de areia.

Direito e Privilégio

Detalhe: pq tem uma coisa que eu não suporto ver e vejo direto é a mãe se matando correndo atrás do menino colocando abaixo o restaurante enquanto a madame da babá está lá sentada, comendo calmamente.

Mas tudo o que disse depende muuuito da babá, pois algumas babás com muita experiência podem estar “mal acostumadas”. E isso pode não ser adequado para sua família. Ou seja, se a outra família dava um quarto exclusivo para a babá ou deixava a babá sentar no restaurante e escolher entrada, prato principal, sobremesa, (como tenho visto), ela vai achar que na sua família também é assim.”

IMPORTANTE:

Em junho de 2015, Dilma Rousseff sancionou a PEC das Domésticas, instaurando uma série de direitos aos funcionários que exerciam atividades domésticas. Desse modo, impulsionou ainda mais o ódio das classes média e alta contra seu governo e contra o PT.

Foram estes escravocratas que saíram às ruas de camisa da CBF bradando com raiva: “quero meu país de volta”.

#LigueOsPontos

Escrava Particular Liberta

As manifestações do “povo” estão mais apropriadas pelo que este relato traz, o preconceito social e a proibição de usar o elevador homônimo. Contudo, ainda existe, e fica cada vez mais forte esta relação perniciosa entre seres humanos, temo pelo que vem por aí em termos de racismo, intolerância.

Escrava particular, seja como babá ou não, ainda é costume em muitos segmentos da hipócrita sociedade brasileira.

Escrevi, anteriormente, “A Falácia da Reforma Trabalhista” e a rememoração do texto acima, corrobora que é muito pior do que poderíamos imaginar. Enfim, perdemos o respeito por nós mesmos e não estamos minimamente interessados em confrontar os déspotas e nem seus vassalos burgueses.

Perdemos !!!

(*) texto com pequenas alterações e ajustes do ponto de vista de edição e facilitação à leitura.

 

Nota do Autor

Reitero, dentre outras, o pedido feito em muitos textos deste blog e presente na página de “Advertências“.

  • Observações, sugestões, indicações de erro e outros, uma vez que tenham o propósito de melhorar o conteúdo, são bem vindas.
  • Coloquem aqui, nos comentários ou na página do Facebook, associada a este Blog, certamente serão todos lidos e avaliados.
  • Alguns textos são revisados, outros apresentam erros (inclusive ortográficos) e que vão sendo corrigidos à medida que tornam-se erros graves (inclusive históricos).
  • Algumas passagens e citações podem parecer estranhas mas fazem parte ou referenciam-se a textos ainda inéditos.

Agradeço a compreensão de todos e compreendo os que acham que escrevo coisas difíceis de entender, é parte do “jogo”.

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