Gentrificação - Os do Barro Preto

A Gentrificação e “Os do Barro Preto”

Gentrificação

Em muitas grandes cidades, espalhadas pelo mundo, notadamente as mais cosmopolitas, a especulação imobiliária é grande. Entretanto, na maioria delas, sejam antigas e históricas, a consciência de seu povo, é para preservar a sua história. Por outro lado, existe um processo que vem crescendo em muitas cidades, e não precisam nem serem grandes ou antigas, chama-se gentrificação.

Em outras palavras, gentrificação é, grosso modo e hipocritamente falando,  o processo de transformação de áreas degradadas e pretensamente abandonadas, em área de interesse imobiliário. A perversidade deste processo é tamanha que grupos sociais degradam a região, propositalmente,.para que esta se desvalorize rápido. Assim sendo,  fazem reformas e mudanças, descaracterizando a região e desprezando a tradição, cultura ou história, e elevando o valor dos “novos” imóveis e da região.

Nossa Beagá

Cidades como Londres, Paris, Hamburgo, NYC e Buenos Aires sofreram este processo em algumas de suas áreas, atualmente consideradas nobres. Belo Horizonte, mesmo sendo uma cidade jovem, sofre deste processo especulativo desde a infância. Sua população, constituída de imigrantes e gente vinda de toda parte do estado e país, não tinha raízes e nunca se importou com a destruição de nada. Palácio dos Correios, Teatro Municipal, Feira de Amostras, se perguntar para um Belo-Horizontino de menos de 50 anos, ele nem vai saber do que se tratava. Enfim, uma cidade que duas ou três décadas depois da fundação, derrubava e descaracterizava seus prédios históricos, não podia criar a cultura da preservação.

Certamente., em Beagá não poderia faltar uma região que não sofra com este processo criminoso. A Lagoinha, o Funcionários, Santa Tereza, Lourdes, Floresta e o Barro Preto, por exemplo, sofreram e sofrem com a especulação e perda da memória histórica.

Barro Preto

De repente (na realidade é silencioso), ocorre um movimento que expulsa moradores e comerciantes da região, dando a impressão que a região é “cult‘. Faculdades, espaços culturais em velhos galpões e fábricas, centros comerciais em grandes espaços e um ou outro grande espaço do setor público (Fórum, hospitais etc) vão enganando a patuleia.

Os comerciantes e moradores tradicionais vão sendo subjugados por aqueles que tem mais dinheiro, os negócios predominantes não são mais os tradicionais e que deram fama ao bairro. Movimentos e ações para descaracterizar o tradicional fazem com que o “senso comum” e a “opinião pública” seja direcionada a desejos que eliminam a tradição.

Neste momento, acontece o pico do processo de gentrificação do Barro Preto e, com toda a certeza, não tem volta. Com toda a certeza, aqueles (moradores e comerciantes) que acham que sobreviverão estão enganados. O sistema é bruto, não perdoa, e quem for contra será atropelado. E, portanto, fica muito mais dramático quando pequenos comerciantes e empreendedores passam a aderir ao movimento d gentrificação se dizendo “engajados” na nova vibe.

Os do Barro Preto

Da mesma forma que ocorreu em outras metrópoles, chegou a vez do Barro Preto experimentar um movimento que luta pelo resgate de suas raízes. Um movimento que mostrará às novas gerações, nascidas na cidade, suas origens, suas batalhas, conquistas e toda a sua história.

O projeto denominado, anteriormente, “Movimento Barro Preto Azul’ e queria se referenciar ao Cruzeiro, ultrapassou os muros do clube e ganhou perfis e contornos históricos neste tema da gentrificação e é denominado “Os do Barro Preto”.

Boedo

Inspirados na história do clube San Lorenzo (ARG), time do Papa Francisco, da região de Boedo em Buenos Aires projetaram a ideia de que o Barro Preto seja uma espécie de “Boedo das Alterosas”. A exemplo do que aconteceu na Argentina, a pretensão é de que “Os do Barro Preto” mostre para as pessoas que este patrimônio é de toda a cidade.

Gentrificação e Futuro

É impossível determinar o futuro, os mesmos que fizeram predições, alguns anos atrás, neste mesmo Barro Preto, hoje estão se virando com imóveis em deterioração e desuso.

No Barro Preto, a história do Cruzeiro, dos seus moradores, trabalhadores, comerciantes, confunde-se com a história e política da cidade. Mistura-se tudo e todos, aqui neste bairro pudemos ver o exemplo de como construir uma cidade, uma identidade, uma cultura e uma história.

Cada pessoa, dentro de suas individualidades, tem história na região e esta história pode acabar em breve, basta que o processo de gentrificação não seja assimilado e os malvados vençam.

Os do Barro Preto, ultrapassando os muros do clube querem apoio e se unir aos cidadãos do bairro, lutando pela nossa preservação. Precisamos manter a história, o trabalho, os negócios, para que estejamos fortes quando os vassalos da especulação imobiliária usarem de vis artifícios e condições política-econômicas imprevistas para nos calar.

 

P. S. Este texto foi escrito, de forma diferente, para publicação na “Revista Veep – Barro Preto“. A ideia está lá desde junho de 2018, sem que tenha havido repercussão de qualquer dos segmentos atingidos pela ameaça da gentrificação do Barro Preto.

 

Imagem: Evandro Oliveira/AME

 

Nota do Autor

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Agradeço a compreensão de todos e compreendo os que acham que escrevo coisas difíceis de entender, é parte do “jogo”.

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